Pedro Nuno Santos (PNS), como líder do PS tem sido acusado de alguma inépcia no que diz respeito à nomeação dos candidatos para as autárquicas e presidenciais. As hesitações do “enfant terrible” do Partido Socialista no nosso entendimento, ainda não percebeu a sua condição de líder partidário. Resulta do facto de não ter entendido que a postura militante de base, ou mesmo de um ministro, são as suas responsabilidades restritas e, está num patamar completamente diferente àquelas exigidas para um líder partidário. Ou dito por outras palavras, um líder partidário (candidato natural a primeiro-ministro), tem de actuar internamente como um polo catalisador das diferentes sensibilidades dentro do partido, e transmitir para o exterior, a dimensão de um verdadeiro estadista. Esta premissa, tem-se revelado como um fato demasiado justo, para o corpo do líder do PS.
A nomeação de Alexandra Leitão
(AL) como a escolha do PS para o município da capital são disto um exemplo paradigmático.
A aposta de PNS num candidato de esquerda revela-se como uma manobra
estratégica para ir buscar os votos ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista
Português. Se esta foi a estratégia que presidiu à sua escolha, ela não poderia
ter encontrado melhor opção. Ora, é fácil reconhecer que AL como a mais fiel
representante da sensibilidade da esquerda radical no interior do PS. Há mesmo
quem afirme que AL, pelas ideias que defende, tanto poderia estar no BE, como
no PCP. Resta saber se o PS pretende arrear Carlos Moedas do poder autárquico,
não seria mais avisado uma aposta num candidato socialista mais ao centro?
As eleições autárquicas estão aí
à porta. Carlos Moedas não tem tido um mandato particularmente isento de
críticas. Mas a surpresa da sua própria eleição, residiu no facto de que os
eleitores da capital fizeram a sua escolha, e ela foi feita ao centro.
Alexandra Leitão foi a escolha do
PS como cabeça de lista por Santarém às últimas eleições legislativas. Santarém
é a cidade onde vivo e a sua escolha não agradou as Scalabitanos, mesmo aqueles
que são socialistas convictos. A senhora não tem qualquer ligação à cidade, e
tanto quanto sei, nunca a vi defender os interesses de Santarém nas suas intervenções
parlamentares. Pelo menos no caso desta candidatura, a sua naturalidade
alfacinha pode constituir um voto a seu favor.
Quanto às presidenciais, o
desnorte do PS é igualmente inquietante. E falar-se em primárias para a escolha
do representante do PS as eleições presidenciais, é porque a lógica na preferência
para a Camara de Lisboa de Alexandra Leitão, naturalmente não irá funcionar
para a escolha do presidente. Até porque os putativos, ou proto candidatos são
mais de maia dúzia!

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