terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

CAPELA DE NOSSA SENHORA DAS VITÓRIAS

 

José do Canto foi um distinto intelectual e benemérito micaelense, um amante da jardinagem, e um botânico amador de nomeada. A ele se ficou a dever a plantação do Jardim José do Canto, em Ponta Delgada, um parque de excepcional beleza e diversidade florística. Foi também um dos promotores da introdução de novas culturas como: o chá, o tabaco, o ananás e a criptoméria e um dos mentores da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense.

Mas hoje queremos destacar o responsável pela edificação da Capela de Nossa Senhora das Vitórias, mas margens da Lagoa das Furnas, nas imediações da casa de veraneio de José do Canto.

Esta capela destaca-se pela sua beleza inusitada, pela sua bucólica localização, pelo contraste com arquitectura religiosa açoriana e ainda, pelas razões subjacentes à sua construção. Este interessante e belíssimo edifício neogótico está classificado como Imóvel de Interesse Público[1], e uma paragem obrigatória a quem visita a Lagoa das Furnas. A torre alta, de pedra escura, onde sobressaem os vitrais colocados em 13 janelas em ogiva, destaca-se na vegetação que a envolve. No interior da Capela de Nossa Senhora das Vitórias avaliamos com mais detalhe a beleza dos vitrais que representam cenas bíblicas. O ambiente é relativamente escuro, e são os feixes de luz dos vitrais que orientam o nosso olhar para o chão onde repousa desde 1898 o corpo de José do Canto e da sua esposa.

A sua edificação foi uma promessa feita por José do Canto na sequência de uma doença grave que afectou a sua esposa. Manda lavrar no seu testamento: “Tendo feito, durante a maior gravidade da moléstia de minha esposa, em 1854, o voto de edificar uma pequena capela da invocação de Nossa Senhora das Vitórias, e não havendo realizado ainda o meu propósito por circunstâncias alheias à minha vontade, ordeno que se faça a dita edificação, no caso que ao tempo da minha morte não esteja feita, no sítio que havia escolhido, junto da Lagoa das Furnas, com aquela decência, e boa disposição em que eu, se vivo fora, a teria edificado.”

A Ermida caracteriza-se por uma torre alta, de pedra escura, onde sobressaem os vitrais importados de França.

O projecto da autoria do arquitecto A. Bonett foi concebido ao estilo francês, como o melhor que se fazia na época. A obra de cantaria foi executada por pedreiros micaelenses sob a chefia do Mestre António de Sousa Redemoinho, de Vila Franca do Campo.



[1] Resolução n.º 187/98, de 6 de Agosto e Resoção n.º 56/2001, de 17 de Maio.

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