José do Canto foi um distinto
intelectual e benemérito micaelense, um amante da jardinagem, e um botânico
amador de nomeada. A ele se ficou a dever a plantação do Jardim José do
Canto, em Ponta Delgada, um parque de excepcional beleza e diversidade
florística. Foi também um dos promotores da introdução de novas culturas como:
o chá, o tabaco, o ananás e a criptoméria e um dos mentores da Sociedade
Promotora da Agricultura Micaelense.
Mas hoje queremos destacar o
responsável pela edificação da Capela de Nossa Senhora das Vitórias, mas
margens da Lagoa das Furnas, nas imediações da casa de veraneio de José do
Canto.
Esta capela destaca-se pela sua
beleza inusitada, pela sua bucólica localização, pelo contraste com arquitectura
religiosa açoriana e ainda, pelas razões subjacentes à sua construção. Este
interessante e belíssimo edifício neogótico está classificado
como Imóvel de Interesse Público[1],
e uma paragem obrigatória a quem visita a Lagoa das Furnas. A torre alta, de
pedra escura, onde sobressaem os vitrais colocados em 13 janelas em ogiva,
destaca-se na vegetação que a envolve. No interior da Capela de Nossa Senhora
das Vitórias avaliamos com mais detalhe a beleza dos vitrais que representam
cenas bíblicas. O ambiente é relativamente escuro, e são os feixes de luz dos
vitrais que orientam o nosso olhar para o chão onde repousa desde 1898 o corpo
de José do Canto e da sua esposa.
A sua edificação foi uma promessa
feita por José do Canto na sequência de uma doença grave que afectou a sua
esposa. Manda lavrar no seu testamento: “Tendo feito, durante a maior
gravidade da moléstia de minha esposa, em 1854, o voto de edificar uma pequena
capela da invocação de Nossa Senhora das Vitórias, e não havendo realizado
ainda o meu propósito por circunstâncias alheias à minha vontade, ordeno que se
faça a dita edificação, no caso que ao tempo da minha morte não esteja feita,
no sítio que havia escolhido, junto da Lagoa das Furnas, com aquela decência, e
boa disposição em que eu, se vivo fora, a teria edificado.”
A Ermida caracteriza-se por uma
torre alta, de pedra escura, onde sobressaem os vitrais importados de França.
O projecto da autoria do
arquitecto A. Bonett foi concebido ao estilo francês, como o melhor que se
fazia na época. A obra de cantaria foi executada por pedreiros micaelenses sob
a chefia do Mestre António de Sousa Redemoinho, de Vila Franca do Campo.
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