O Encontro entre Zelensky e
Donald Trump, ontem na Casa Branca, não foi mais do que armadilha montada por
J.D. Vance e Trumo para atingir dois objectivos fundamentais: um para consumo
interno (são muitos os americanos que ontem mesmo afirmaram – “That's why I voted for
him”, e outro de colocar Zelensky numa posição de enorme fragilidade
humilhando-o. A atitude de Trump foi típica de um desordeiro mimado, ou como se
diz em bom português – um grunho bêbado. Tudo parece indicar que esta
estratégia não foi inocente. O que se passou na Casa Branca é algo que nunca
foi visto em lado nenhum. Foi montado um autêntico espectáculo televisivo,
muito ao jeito de Trump e para consumo dos seus apoiantes. Os motivos que
determinaram a audiência a Zelensky deveria ter sido debatida pelas vias
diplomáticas, com o recato de uma negociação tão importante. E só quando cada
um dos lados definisse o que estava disposto a ceder e aceitar. E, só quando um
previsível ajuste estivesse salvaguardado, é que a reunião seria marcada, em
tempos de normalidade.
O que aconteceu foi uma emboscada
em que Zdelensky inocentemente caiu. Parece que ele foi avisado para não
visitar Washington. Mas compreende-se a sua disponibilidade para aceitar a
preciosa ajuda americana, como forma de pôr fim a um conflito em nome do povo
sofredor da Ucrânia.
Penso que o gabinete de Trump não
terá ficado satisfeito com a atitude corajosa de Zelenky em não aceitar o a
cordo proposto, como forma de liquidação da dívida para com os Estados Unidos.
Mas este foi um desafio também à Europa sobre o que é que se pode esperar da
administração americana e, aliás, J. D. Vance foi bem explicito nas suas
declarações, na sua recente visita a Munique. Mas este episódio poderá ter tido
um aspecto positivo, vai servir de aviso a todos os líderes que visitem a Casa Branca,
já sabem com o que podem contar. A Europa apesar das posições de apoio
generalizado a Zelensky e à Ucrânia, a as suas relações euro-atlânticas
revelam-se de uma grande dependência face aos Estados Unidos e à NATO.
A sua posterior entrevista à Fox
News, declarado correio de transmissão das teses Trumpistas, deram-lhe a
possibilidade de resposta. Com uma nitidez cristalina, lembrou que a Ucrânia
foi o país invadido, admitiu a dependência do fornecimento de armas americanas ao
país como garantia de defesa face a uma guerra que não puderam evitar, e
lembrou a importância da Europa na solução do conflito, por dever institucional
e por razões da geopolítica no continente europeu.
Depois do ocorrido ontem na Casa
Branca, Putin deve estar a rir-se a bandeira despregadas. Sem mexer uma palha
pode vir a ter avanços numa guerra, em que até à data não consegui muitos dos
objectivos iniciais, Tomavam Kiev numa semana”, lembram-se? Por
outo lado Xi Ji Ping, com a natural paciência chinesa está à espera observando
os acontecimentos. Resta-nos a esperança do mercado europeu ser muito apetecível
aos interesses chineses, como importante mercado importador.
Nunca a frase de George Bernard
Shaw fez tanto sentido: “Nunca lutes com um porco; ficas todo sujo, e
ainda por cima o porco gosta”. O que importa aqui referir é que
Zelensky e a Europa estão condenados a lutar com o porco, com um duplo objectivo:
garantir a paz na Ucrânia, e sujar-se o mínimo possível. Se tal vai ser
possível, tenho muitas dúvidas.
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