terça-feira, 29 de abril de 2025

O APAGÃO

 

Apagão - André Carrilho

A queda abrupta da nossa rede de produção e distribuição eléctrica, teve o condão de despertar a percepção em todos os portugueses sobre a sua impreparação para uma situação como aquela que vivemos ontem.

Muitos foram os especialistas que debateram o tema. Cada um com a sua posição sobre as fragilidades da rede energética nacional, nomeadamente para a insuficiências das centrais “Black Start”. Não vou entrar por esse caminho por objectivo desconhecimento na matéria. Mas gostava de evidenciar que com rigor, ninguém arriscava uma causa para este acontecimento. Passado um dia e restabelecida que está o fornecimento energético, continuamos a ter pouco mais do que palpites e especulações.

Quanto às críticas sobre a actuação governamental domínio da comunicação, não me parecem justificadas. Os ministros desdobraram-se em declarações às rádios e televisões. O próprio primeiro-ministro prestou declarações por três vezes. Acresce ainda o facto do desconhecimento sobre as causas. Essa comunicação foi assertiva no sentido de acalmar a população e foi escassa porque objectivamente pouco o nada se sabia.

Os principais líderes políticos, apressaram-se em aproveitar o momento para a demagogia habitual, com propostas de execução e alcance duvidoso. Pedro Nuno Santos prudentemente reservou uma comunicação para o dia seguinte, por falta de elementos. Hoje, porém, sem que se saiba nada de concreto quanto às causas, utilizou a mesma estratégia de André Ventura de bota-abaixo, e o regressou ao seu registo habitual com notório aproveitamento eleitoral.

Quanto à população reagiu de uma forma espectável, tendo em conta a ausência de uma garantia temporal quanto à resolução dos problemas. No entanto, o dia de hoje apareceu com uma normalidade que não se esperava, tendo em conta os acontecimentos de ontem!

Objectivamente este acontecimento permitiu-nos olhar para uma grande fragilidade, quanto à segurança do país para lidar com emergências e catástrofe. Neste caso foi uma quebra na distribuição energética. O SIRESP revelou as habituais falhas no serviço. A muito elevada probabilidade da ocorrência de catástrofes, acidentes, pandemias, determinam que este acontecimento, deveria servir como uma aprendizagem e um motivo para estudarmos todas as nossas fragilidades e corrigir o que falta corrigir. Se não soubermos aprender com esta contrariedade, corremos o risco de ficarmos novamente à luz da candeia a petróleo, em pleno século XXI.

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