A queda abrupta da nossa rede de produção
e distribuição eléctrica, teve o condão de despertar a percepção em todos os portugueses
sobre a sua impreparação para uma situação como aquela que vivemos ontem.
Muitos foram os especialistas que
debateram o tema. Cada um com a sua posição sobre as fragilidades da rede
energética nacional, nomeadamente para a insuficiências das centrais “Black
Start”. Não vou entrar por esse caminho por objectivo desconhecimento na matéria.
Mas gostava de evidenciar que com rigor, ninguém arriscava uma causa para este
acontecimento. Passado um dia e restabelecida que está o fornecimento
energético, continuamos a ter pouco mais do que palpites e especulações.
Quanto às críticas sobre a
actuação governamental domínio da comunicação, não me parecem justificadas. Os
ministros desdobraram-se em declarações às rádios e televisões. O próprio
primeiro-ministro prestou declarações por três vezes. Acresce ainda o facto do
desconhecimento sobre as causas. Essa comunicação foi assertiva no sentido de
acalmar a população e foi escassa porque objectivamente pouco o nada se sabia.
Os principais líderes políticos,
apressaram-se em aproveitar o momento para a demagogia habitual, com propostas
de execução e alcance duvidoso. Pedro Nuno Santos prudentemente reservou uma
comunicação para o dia seguinte, por falta de elementos. Hoje, porém, sem que se
saiba nada de concreto quanto às causas, utilizou a mesma estratégia de André
Ventura de bota-abaixo, e o regressou ao seu registo habitual com notório
aproveitamento eleitoral.
Quanto à população reagiu de uma
forma espectável, tendo em conta a ausência de uma garantia temporal quanto à
resolução dos problemas. No entanto, o dia de hoje apareceu com uma normalidade
que não se esperava, tendo em conta os acontecimentos de ontem!
Objectivamente este acontecimento
permitiu-nos olhar para uma grande fragilidade, quanto à segurança do país para
lidar com emergências e catástrofe. Neste caso foi uma quebra na distribuição
energética. O SIRESP revelou as habituais falhas no serviço. A muito elevada probabilidade
da ocorrência de catástrofes, acidentes, pandemias, determinam que este
acontecimento, deveria servir como uma aprendizagem e um motivo para estudarmos
todas as nossas fragilidades e corrigir o que falta corrigir. Se não soubermos
aprender com esta contrariedade, corremos o risco de ficarmos novamente à luz
da candeia a petróleo, em pleno século XXI.

Sem comentários:
Enviar um comentário