Mário Centeno saltou para a
ribalta pela mão de António Costa, no
ainda delicado período do pós-Troika. Até então, o seu nome era talvez
conhecido no âmbito do ecossistema bancário e pouco mais. No entanto, o comum
dos cidadãos só passou a conhecer esta personagem quando assumiu a pasta das
Finanças no XXI Governo Constitucional de Portugal e Ministro de Estado e das
Finanças no XXII Governo Constitucional de Portugal.
Em pouco mais de uma década,
Mário Centeno, um quase desconhecido economista, funcionário do Banco de
Portugal tornou-se numa "marca" de sucesso do PS Costista, e um dos
protagonistas da vida política portuguesa. Foi o inventor das cativações, que
de algum modo, garantiram a sobrevivência dos governos da geringonça. E foi
neste período governativo que se tornou no “Ronaldo das Finanças”. A ascensão
de Mário Centeno na política portuguesa começou aos tropeções e com muitas
reservas, para se tornar no mais importante elemento dos governos de António
Costa.
Mário Centeno, o “patinho feio”,
ascendeu no seio da geringonça a um lugar cimeiro, sem que ninguém o previsse, para
se transformar numa estrela política, conseguindo ser a escolha para presidir ao
Eurogrupo. Um tecnocrata que não queria ser, ou alguém que ficou deslumbrado
pelo ensejo de se tornar num político de reconhecido valor. Quando abandonou o
Governo do PS para poucos dias depois assumir a liderança do Banco de Portugal,
foi alvo de duras críticas. Por esta razão foi acusado de não ter respeitado um
razoável período de luto, ao passar de regulado a regulador, demonstrando uma sede
de se manter na crista da onda, atitude que foi condenada por questões de ética
republicana, muito apreciada pelas hostes socialistas.
Quando se olha ao seu percurso
fácil é depreender que se tornou em pouco tempo de um mero desconhecido, para
alguém que, depois de um percurso meteórico na vida política, olha para um futuro
bem mais ambicioso. Chegou a ser indicado para o lugar de 1º ministro, quando António
Costa apresenta a sua demissão após suspeitas de corrupção no seu Governo e
buscas à sua residência oficial. Depois disto o seu nome é apresentado
como protocandidato à Presidência da República.
Todo este percurso representa um período
político com vicissitudes muito particulares, onde Mário Centeno desempenhou um
papel crucial. Foi um percurso com êxitos e fracassos. Com tomadas de posição, eventualmente,
questionáveis. Isto, representa, no entanto, uma natural e legítima ambição do
visado.
Mo final do seu mandato Mário Centeno
não resistiu à tentação de, há semelhança de outros políticos, deixar uma marca
do culto da (sua) personalidade. Um hino de louvor do seu exercício como governador.
Pelo pouco que se sabe, Mário Centeno compôs um Hino de louvor, musicado pelo
Carlos T, por um ajuste directo de 15.000,00 €! Este culto da personalidade e o
desplante de gastar o dinheiro dos contribuintes com uma manifestação de gosto
duvidoso, só lembra as figuras representativas das autocracias mundiais.
Digamos que alguém que foi ministro das Finanças, presidente do Eurogrupo,
governador do Banco de Portugal, para não citar outras funções relevantes que
desempenhou, este fim de mandato, merece um estudo de caso.” Shame on You”
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