A queda estrondosa do PS nos
últimos dois plebiscitos, contrasta com a subida fulgurante do CHEGA no mesmo
espaço de tempo. À pergunta existencial de: “O que faço aqui?” e “Para onde
quero ir”, o PS foi respondendo com hesitação atrás de hesitação. Há cerca
de um ano Pedro Nuno Santos, assumiu que António José Seguro, seria um bom
candidato para o PS, para em muito pouco tempo se arrepender do que havia dito.
Depois, muitos foram os nomes atirados para o ar de putativos candidatos, que
certamente estariam muito mais alinhados com a matriz ideológica socialista,
por oposição ao perfil mais moderado de António José Seguro. António Vitorino,
Artur Santos Silva, Mário Centeno, Ana Gomes, Sampaio da Nóvoa, como os que
melhor representavam o PS actual. Porque será que não aceitaram?
É bom relembrar que sempre que o
nome de António José Seguro era ventilado, muitas vozes se levantavam,
particularmente da facção “costista”, enumerando uma série de questões
que o tornavam um alvo a abater. Como nenhum dos putativos candidatos,
anunciados como escolhas naturais, se mostrou disponível, foi ontem anunciado o
apoio formal do PS à candidatura de António José Seguro, com ênfase de que
António José Seguro é um digno defensor do socialismo democrático!
É caso para perguntar porque
tanto tempo a reconhecer algo que parecia obvio? Outra pergunta que se pode
colocar, é o facto deste anúncio ter sido feito lado a lado com o presidente do
partido Carlos César, que nunca foi um defensor confesso do candidato?
A indefinição do PS quanto a esta
e outras questões tem sido pautada por avanços e recuos. Desde que António
Costa abraçou o conforto e prestígio de um cargo europeu, que o partido e,
sobretudo, os seus militantes ficaram órfãos. Foi assim no apoio do partido às
próximas eleições, foi assim no incómodo causado pelas recentes declarações do autarca
de Loures, no caso das barracas.
Se Pedro Nuno Santos tinha uma
forma de estar que cortava a direito, sem respeitar as vozes críticas, tivesse
ou não razão, José Luís Carneiro que o sucedeu, representa uma facção oposta,
que herdou um partido em frangalhos, e lá vai de cedência em cedência
procurando um caminho que eu suspeito o irá conduzir a um precipício.
Com a fragmentação do espectro
partidário, o mantra de ser socialista numas vezes, e social-democrata noutras,
parece não convencer os seus eleitores tradicionais. Entre o não e o sim o PS
tem, sistematicamente preferido o NIM. Além de falta de coerência ideológica,
ou talvez por isso mesmo, o partido está a dar uma triste ideia de si próprio.
E a riquíssima história do partido no nosso processo democrático, parece não
ser suficiente para impedir o desgaste inexorável que o poderá conduzir à
irrelevância.
Acresce ainda que não se entendeu
que o ambiente político, em Portugal e na Europa vive um período de mudança a
que a esquerda parece fechar-se numa bolha e recusa-se a ver as evidências,
abrindo um caminho a populismos e radicalismos.

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