A pouco mais de uma semana das
próximas eleições, estou certo de que os portugueses já devem ter pensado, que
este plebiscito se apresenta com particularidades a que não estávamos
habituados. Talvez a perturbação maior é o facto de assentar numa pulverização
do espectro partidário, de tal forma que veio deitar por terra a lógica do
bipartidarismo. Este facto é ainda mais importante considerando que a eleição para
a presidência da república, ao contrário das demais, assentar em que cada voto
conta. Outro aspecto peculiar resulta de uma aparente simpatia do eleitor pelos
candidatos que se dizem fora do sistema. Esta posição é difícil de sustentar,
considerando que todos precisam do sistema para ser eleitos. Outra realidade,
quase certa, é que a decisão final vai determinar uma segunda volta.
A propósito da premissa de uma
segunda volta, o facto de um universo de 5 candidatos registarem um score
eleitoral à volta dos 18% e 20%, determina que qualquer um deles estará em
condições de passar à segunda volta. E, aparentemente, apenas André Ventura
terá garantida essa passagem por se considerar que é aquele que tem um
eleitorado mais fidelizado. Aceitando que isto é verdade, resta saber qual será
o outro candidato. Acresce ainda que André Ventura, apesar da boa posição que
ocupa nas intenções de votos, é também aquele que tem uma maior taxa de
rejeição. Portanto, o que está em jogo qual será o candidato que poderá
disputar essa segunda volta, em condições de derrotar Ventura?
O apoio partidário aos
candidatos, particularmente o PS e o PSD foi. no início muito pífio, considerando
que esses candidatos desenvolveram alguns anticorpos, nas habituais sensibilidades
partidárias. A uma semana das eleições, parece ter havido um toque a rebate, e
estes partidos parece terem esquecido rivalidades antigas, para considerarem um
apoio mais robusto aos seus candidatos, o que a princípio não se verificou.
António José Seguro parece estar mais confortável, considerando que os outros
candidatos de esquerda terem uma muito baixa aceitação. Pelo contrário, Marques
Mendes, terá de disputar com mais candidatos, com valores das intenções de
votos muito próximos entre eles. João Cotrim de Figueiredo, começou de forma
muito modesta, quase um outsider, mas tem tido uma subida constante e
continuada e está neste momento dentro da margem de erro, disputando igualmente
a possibilidade de passagem à segunda volta. Já Gouveia e Melo, parece estar a
verificar-se o contrário.
Estas serão algumas das
dificuldades para se fazer uma escolha consciente. Ao contrário do que alguns candidatos
afirmam, de que o cargo exigir uma considerável experiência política e
governativa, o resultado das diversas sondagens sobre as intenções de voto,
parecem apontar em sentido contrário. Ou seja, os eleitores parecem orientar o
seu voto para aqueles candidatos que têm um discurso que responde, de alguma
forma, às suas reais preocupações.
Uma coisa é certa, são mais as
dúvidas do que as certezas. Muitas das opiniões e comentários observados
assentam na lógica das diversas sondagens, o que pode constituir um erro
tremendo, como já se viu anteriormente.
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