Os portugueses devem estar
loucos. As sondagens vão saindo e a possibilidade de o PS ter uma maioria
absoluta é cada vez mais consistente. Até um partido (?) como o PAN, se arrisca
a ter um score eleitoral superior ao CDS!
Vivemos um período louco da nossa
democracia. Vimos, nos último quatro anos, uma geringonça que nos governou,
fazendo aqui e ali cedências aos seus parceiros, conforme lhe dava jeito, mas
que continuavam a avalizar a sobrevivência política de António Costa. A
administração da república, foi feita aos solavancos, como os espasmos de um
moribundo. Apesar disso, lá se foi aguentando.
Também verificamos que muitas das
decisões governamentais, foram desastrosas, para não lhe atribuir um adjectivo
bem mais agressivo. Os eleitores devem estar cegos, surdo e mudos, para
garantir as intenções de voto nas próximas legislativas, evidenciadas nas diversas
sondagens publicadas. Vamos ver alguns aspectos da nossa vida colectiva, que deveriam
ser suficientes para uma reflexão mais profunda, desta incompreensível confiança,
manifestado nas ditas sondagens:
·
O sucesso da política económica e financeira,
conduziram o pais a um aumento da Carga Fiscal, como até agora nunca se viu –
35,4%;
·
A nossa Dívida Externa não para de aumentar, ao
contrário do que seria de esperar, hipotecando o futuro dos nosso jovens que
vão ter de a pagar;
·
O sucesso na nossa política económica e
financeira, pode ser sustentada, por uma conjuntura internacional muito
favorável e consequente aumento das nossas exportações, e ainda, por algumas
habilidades contabilísticas, como as muitas cativações realizadas;
·
Estas Cativações permitiram ao governo o
controlo do deficit, mas foram desastrosas, internamente, em sectores cruciais
da nossa vida colectiva: o estado caótico dos sistemas de Saúde, Ensino,
Transportes Públicos, Justiça, Forças de Segurança, etc.
·
Aumento
da conflitualidade laboral para valores nunca antes vistos. Veja-se o caso da
última greve dos motoristas de substâncias perigosas, que foi totalmente desvalorizada
pela tutelo e que, em dois dias, parou o país. Esta conflitualidade estende-se
a outros sectores profissionais, como os médicos, os enfermeiros, os
professores, os polícias, guardas prisionais, etc.;
·
A
corrupção grassa a olhos vistos e temos um sistema judicial lento, injusto e
que favorece sempre os mesmos em que ninguém quer mexer, porque dá jeito. O
poder político sente-se muito incomodado com qualquer investigação neste
domínio e tenta, de alguma forma, exercer a sua influência. A não recondução de
Joana Marques Vidal, e a nomeação rocambolesca do juiz Ivo Rosa, são disso,
sintomas inequívocos;
· A desastrosa e incompetente forma
com este governo geriu os fogos florestais, e que em 2017, foram responsáveis
por mais de 100 mortes. Apesar de o Ministro da Administração Interna ter anunciado
que este é o ano em que Portugal terá mais meios e estará melhor preparado
para combater os incêndios, tal não se verificou, nem em 2018, nem no
corrente ano. A afirmação de que “se
ganha muito dinheiro a apagar fogos” deveria fazer-nos reflectir sobre várias
coisas. A ausência do contributo da Força Aérea, na gestão dos meios aéreos e,
porque não, na sua operacionalidade. As suspeições levantadas pelo Kit
de Emergência e, as muito badaladas golas inflamáveis. A estrutura orgânica do
SNPC, com a nomeação de muitos boys, cuja competência e eficácia é o que
se vê. A gestão dos meios humanos e da sua operacionalidade. A ineficácia
aparente das medidas de prevenção adoptadas (limpeza de matas). As inúmeras falhas
do SIRESP, um negócio feito por António Costa e que se revelou desastroso para
p erário público. O alijar de responsabilidades para as autarquias, os
bombeiros, os jornalistas e até, pasme-se, para as populações.
· A vergonha que são os interesses,
compadrios e negociatas, num inaceitável teia de contratações a familiares, a
nível governamental e autárquico, nunca antes visto. O caso do deputado Carlos
César é paradigmático! O Nepotismo, já e jocosamente referenciado na imprensa
estrangeira, para nossa vergonha;
· A forma corporativa como funciona
o parlamento e a inqualificável manigância à volta dos subsídios de viagem e de
deslocação, com moradas fictícias fora de Lisboa, para garantir um rendimento
extra. A cantina de luxo dos deputados, com refeições a valores irrisórios;
· A oposição além de dividida, está
inerte e moribunda, não aproveitando os inúmeros argumentos para questionar
este governo, num contraditório saudável e esclarecedor:
· Por fim a posição do senhor
Presidente da República, sempre ávido de protagonismo e com uma opinião a respeito
de tudo e mais alguma coisa, revela uma apatia e silêncio comprometedores. Há quem
diga que, para a satisfação do seu ego e com vista à sua, mais que provável candidatura,
precisa de um score inequívoco e, para tal, necessita do apoio do PS
para a sua reeleição! Será? Talvez.
Perante todo este quadro, o poder
instituído age de forma sobranceira e prepotente, fazendo tábua rasa dos
inúmeros escândalos de corrupção a ele associado.
Na oposição temos um PSD órfão e moribundo,
a contas com a inabilidade política e estratégia eleitoral que Rui Rio implementou,
Quando o segundo partido fica muito longe do primeiro, o método de Hondt pode
dar a maioria ao vencedor com uma votação à volta de 42/43%. Um CDS sem
uma base de apoio credível pouco contribui nestas contas. Os parceiros da
geringonça, desnorteados, com os resultados, vão dizendo coisas sem nexo, porque
querem ter um pé dentro, e outro fora. Aparece agora o PAN, que se pode
constituir como um parceiro precioso, para Costa poder viabilizar um governo
minoritário, se for esse o caso.
Não se percebe como o meio rural,
duramente atingido pelos os fogos, que viram morrer na estrada da morte muitos
dos seus concidadãos, pela total incúria e inoperância dos serviços de Protecção
Civil. Que tudo isto se repita, e que do meio das chamas se descubram uma série
de vigarices e compadrios à volta de um kit de emergência, com empresas do
pessoal de Arouca para realização de negócios muito pouco transparentes.
Associado a isto ainda temos uma total falta de transparência na gestão dos
donativos, com aproveitamento pessoal, como no caso do autarca de Pedrogão
Grande
Com uma classe média que foi muito
maltratada, ao longo de todo este tempo, e que suportou todos os desvarios de
sucessivos governos, também parece amorfa e desinteressada., o que tem conduzido
a uma tacha abstenção inimaginável num pais democrático.
Por todo o descrito aumenta a
probabilidade de uma maioria absoluta socialista. Se tudo o que aconteceu
durante a vigência da geringonça, espartilhada por dois partidos de estrema esquerda,
imagine-se os socialistas a governar com uma maioria absoluta e em velocidade
de cruzeiro.
As opções são poucas ou quase
nenhuma. Todos não podemos ser cúmplices deste verdadeira calamidade. O voto
continua a ser a nossa única arma. Tudo é válido, dispersão de votos, voto
útil, voto em branco, voto nulo. A concentração de votos no PS, vai ser a nossa
desgraça.

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