O Mercado Municipal de Santarém é um
edifício icónico da nossa cidade, da autoria do arquitecto Cassiano Branco. Tem
uma arquitectura fresca e arejada, muito propícia ao vim em vista. Apresenta no
seu exterior uma fabulosa colecção de azulejos, evocando cenas da vida
ribatejana. Construído no início do século passado. e que ultimamente tem sido
objecto de um debate muito emotivo e nem sempre, focado no essencial – o interesse
da cidade e o melhor destino a dar aquele espaço. Ou seja, o tema é abordado
com demasiado entusiasmo e ruído, para que sobre o seu futuro seja encontrada a
melhor solução.
Já aqui escrevi alguma coisa
sobre o assunto – link. Interessa-me
agora reflectir sobre o actual estado daquele espaço e, qual a melhor decisão
para que a solução encontrada, seja sustentável e atraia a população.
A realidade é que se observa que
o Mercado Municipal, passou por um crescente abandono, está moribundo, e com
uma oferta desajustada, às muitas das exigências do consumidor (estacionamento,
facilidade de acesso, ambiente confortável, horário alargado, certificação dos
produtos, etc.). Por estas razões, o que oferece ao cidadão, sofre a
concorrência de outros espaços, que têm uma oferta comercial muito mais
atractiva.
Ou seja, a requalificação que
pensamos ser indispensável e urgente, deverá ter a intenção de converter aquele
espaço numa nova centralidade, moderna, atractiva para os empreendedores e
convidativa para o cidadão. Para tal é imperioso modernizar aquele espaço e
adaptá-lo a outras áreas de negócio.
O que se observa é uma posição
dos actuais comerciantes, de alguma irredutibilidade a esta requalificação.
Isto não quer dizer que os direitos adquiridos pelos actuais ocupantes não
sejam salvaguardados. Ou seja, a localização temporária de instalação deverá
ser equacionada de forma a não prejudicar ainda mais o seu negócio. A deslocalização
destes para a Casa do Campino, não parece fazer sentido nenhum. Faria muito
mais sentido, em nosso entender, arranjar uma solução temporário e desmontável
no Jardim da Liberdade, ou num espaço na ex-EPC, mesmo ali ao lado, por
exemplo.
A concluir, todos os envolvidos
no processo deverão perceber, que o Mercado não pode continuar neste plano
inclinado da degradação. Que a modernidade não se detém perante o imobilismo,
muito típico dos escalabitanos. Ou seja, todos temos que dar o nosso contributo
para que esta requalificação vá para diante. Da parte do Município um esforço
de encontrar a melhor solução temporária, para esta inevitável deslocalização. Da
parte dos comerciantes, sem abdicar das suas prerrogativas e direitos, sejam flexíveis
e confiantes para um tempo e um espaço mais moderno e apetecível. Da parte de
todos nós, vamos desenvolver alguma contenção e humildade na abordagem e defesa
do que será o melhor para a cidade e, muito especialmente, para aquele espaço.
Se tal não acontecer, todos iremos perder!

Amigo Zé Albano, até agora ainda não vi ninguém contra a requalificação do Mercado, nem os comerciantes como refere. O que está em causa é o facto de "escorraçarem" os comerciantes do espaço requalificado. Isso é que é inqualificável, porque se o espaço ainda se mantém, ou se ainda tem alguma dignidade, deve-se a esse grupo de resistentes que teima (teimava) em continuar a vender lá as frutas, as hortaliças, ou peixes, as carnes, etc. Veja o exemplo de Almeirim, vão requalificar o mercado, mas o Município já assegurou o espaço para os comerciantes. Em Santarém não o fazem porquê? Porque o que consta é que a Câmara, já "entregou" o espaço a uma Grande Superfície, e eu acredito que seja verdade, porque não ouvi nem li qualquer desmentido da parte da Autarquia a este rumor. Repito, ninguém está contra a requalificação, ela é indispensável, existem muita gente, onde eu me incluo, contra a falta de respeito e consideração pelos comerciantes/resistentes do Mercado (vulgo Praça). Um abraço amigo.
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