quarta-feira, 14 de agosto de 2019

QUEM ESTÁ A GANHAR OU A PERDER COM ESTA GREVE?

A greve já vai no seu terceiro dia e, todos temos consciência, que genericamente todos nós sofremos os efeitos resultantes do exercício deste direito constitucional. Ou seja, directa ou indirectamente sofremos porque, somos de alguma forma, prejudicados com a falta e/ou racionamento dos combustíveis e pela afectação dos inúmeros prejuízos causados em muitos sectores de actividade,: agricultura, hospitais, restauração, hotelaria, distribuição alimentar, etc.
Diria mais, neste conflito, ninguém fica bem na fotografia:
Pardal Henriques, pelas posições estremadas e erráticas que tem tomado, apesar da defesa das legítimas reivindicações dos motoristas que ele representa. Não muito diferentes de posições assumidas por outros dirigentes sindicais, noutras ocasiões, não muito distantes. Fica muito mal na indicação de violação da Requisição Civil aos motoristas, sobretudo pela desproporcionalidade da luta.
Não fica bem a ANTRAM e o seu representante, André Almeida pelas posições de intransigência que tomou, e ainda por não reconhecer a injustiça que o actual vínculo dos camionistas representa. Fica ainda muito mal pela sua reconhecida filiação partidária no PS e pela nomeação, pelo actual executivo para dois cargos. Aqui, aparentemente, os critérios de isenção, ética e deontologia, parecem não se aplicar.
Fica mal o executivo, por ter entrado a pés juntos numa acção musculada, em detrimento da conciliação entre as partes. Para tal foi nomeado o ministro Pedro Nuno Santos por ser um exímio negociador, apesar do fracasso. Não seria mais lógico a indigitação do ministro do trabalho para esse efeito? Fica mal o governo uma excessiva e indisfarçável proximidade e simpatia pelas posições da ANTRAM. Qual a autoridade moral do governo, mediar um conflito de pessoas que chegam a fazer muitas horas de trabalho diário 14-15h/dia, quando fixou para a função pública um horário de 35 horas semanais! Ficou mal o governo na forma como os militares foram empurrados para a responsabilidade de motoristas eventuais de matérias perigosas, num papel que não é o deles. Ficou por se saber qual: a formação recebida, o regime de horários e períodos de descanso destes militares, bem como, o esquema remuneratório no desempenho desta função e quem paga o quê. Ficou por explicar se estes militares foram retirados das suas funções habituais de segurança, quem irá garantir o seu cumprimento. Fica mal pela vitimização que António Costa revela e, na influência que isto tem sobre as intenções de voto.

Ficou mal o senhor presidente da República, sempre pronto a falar sobre tudo e mais alguma coisa, e com a banalidade habitual, exigir ação do Governo para resolver crise dos combustíveis. Há quem diga que é por precisar do apoio da geringonça para a sua reeleição. Não quero acreditar! Depois de ir à boleia com um camionista e publicamente, manifestar a sua solidariedade com os salários e a pesadíssima carga horária, acaba de aprovar um aumento de 700 € para aos juízes.

As gasolineiras mantêm sobre este assunto um silêncio comprometedor. Uma coisa é certa, segundo alguns órgãos de comunicação social, registou-se um aumento de 38% das suas vendas. As finanças públicas também beneficiam, directamente, com este aumento de vendas (carga fiscal sobre os combustíveis e IVA).

Sem criticar as medidas adoptadas pelo governo, fico com a convicção de que os principais perdedores somos todos nós e todos os motoristas. Tudo o mais, está confortável a ver correr o pano. Se os transportes não forem executados, não existem despesas. As faltas de fornecimento serão, mais tarde ou mais cedo, repostas. O governo tem sempre o argumento de ter deitado a mão a todos os mecanismos que estavam ao seu alcance para resolver a crise. Vamos a ver se, em futuros conflitos grevistas, (SOFLUSA, Metro, enfermeiros, médicos, forças de segurança) os critérios de intervenção vão ser os mesmos, quer na amplitude e extensão da requisição civil, quer na celeridade demonstradas. Os paladinos da defesa do direito à greve e na defesa da classe trabalhadora, estiverem, durante muito tempo, remetidos a um silêncio ensurdecedor! Quanto ao cidadão, exigem-lhe aquilo que pedem sempre, paga e não refiles. Da minha parte não contem com isso.

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