Este assunto preencheu algum
tempo durante o meu período de férias, quer nas Redes Sociais, quer em muitos
órgãos de informação.
Daquilo que consegui ler,
verifiquei alguma confusão dos conceitos desenvolvidos, o que em nada contribui
para um verdadeiro esclarecimento de um tema que faz parte da agenda actual.
Por convicção sou um activo defensor
das teorias evolucionistas. E estas, confrontam-nos com a nossa realidade “animal”.
Ou seja, apesar do processo evolutivo que coloca o homem no topo da pirâmide,
não deixamos de lutar por aquilo que na Natureza é comum a todos os seres
vivos: sobreviver e garantir a continuidade da espécie. Este
objectivo para ter sucesso, obrigou as diferentes espécies a criar mecanismos
de adaptação ao meio e ás suas múltiplas condicionantes, que determinaram que
as diversas espécies consigam adaptar-se aos mais diversos ambientes, por mais difíceis
e inóspitos que estes se revelam.
Para a sua sobrevivência, as
espécies procuram que a sua descendência consiga ter as melhores condições de adaptação
e resistência às muitas dificuldades que irão enfrentar. Estes mecanismos podem
apresentar muitas e variadas formas. Algumas palavras chave para evidenciar
este fenómeno: o macho alfa, o dimorfismo sexual, os vários bizarros, complexos
e curiosos rituais de acasalamento, estratégia de poligamia, etc., são apenas
alguns dos mecanismos para cumprir este objectivo - garantir descendências
fortes e saudáveis e devidamente adaptadas. Na Natureza a diferença entre os
géneros é bastante acentuada e seguem um padrão para cada género. No aso dos
humanos, os machos mais fortes e corpulentos e as fêmeas mais frágeis e mais
pequenas. O género masculino é mais forte e corpulento, orientado para o
trabalho físico, para a luta, tem uma morfologia, mais rectilínea; a voz mais grave,
maior quantidade de pelos; enquanto que o género feminino, apresenta uma morfologia,
mais curvilínea e de menor estatura, desprovia de pelos e de voz mais suave. Biologicamente
falando, homens e mulheres possuem diferenças bem marcantes, tanto anatómica
quanto fisiologicamente, quer ainda no plano hormonal, o que caracteriza o
“dimorfismo sexual”. Também no plano comportamental, o homem é um ser racional e um com um comportamento mais
prático, com maior poder e orientação espacial, emocionalmente mais desligados
e a mulher um ser mais emocional, fisiologicamente mais orientada para a
procriação. Embora seja uma questão polémica, não é só por factores puramente
culturais que a menina prefere as bonecas e os meninos, a bola e os carrinhos.
Resumindo, a mãe Natureza definiu um padrão entre os géneros, facilmente
observável e com objectivos muito bem definidos.
Identidade de género é, a
percepção de uma pessoa sobre seu género não é uma escolha, é um entendimento
sobre sua identidade e sobre a forma como ela se reconhece como
indivíduo, independentemente de seu sexo biológico. Ou seja, nestas
circunstâncias a Natureza prega uma “partida” ao provocar um desequilíbrio
entre as componentes do Padrão. Ou dito de outra forma, alguns indivíduos
descobrem que a sua componente física, não está em harmonia com a correspondente
componente psíquica. Nestas circunstâncias de desvio á normalidade, provoca no
indivíduo, um terrível problema de identidade de género. Por isso, a sociedade
tem que entender e ajudar as pessoas que apresentem esta anomalia.
Quanto á ideologia de género, os
defensores desta "ideologia" argumentam, não existir apenas o género
masculino e feminino, mas um espectro que pode ser muito mais amplo do que a
identificação somente com masculino e feminino. Por curiosidade, o Facebook,
como a maior rede social do mundo propões 56 opções e género (Link), o
que parece para além de um exagero, uma perfeita tolice! Mais ainda,
propositadamente ou não, misturam ainda o conceito de orientação sexual, identidade
de género, como um meio de resolver o problema, o que até se compreende no
plano individual, mas impossível de aceitar num universo alargado. Ou como
propõe o Bloco de Esquerda, a retirada do nome de Cartão do Cidadão, porque atribui
a esta designação uma forma sexista de tratar o indivíduo!
Mas quando se quer resolver o
problema de forma administrativa, as coisas tornam-se particularmente mais
incompreensíveis. Tornar o acesso às casas de banho das escolas, como uma
escolha livre e espontânea do indivíduo, de acordo com a sua identidade de género,
é ver o assunto, apenas com um sentido único. Exclui-se totalmente deste
contexto, todos aqueles que têm muito bem definida a sua identidade de género,
e acordo com o padrão (masculino ou feminino) e que são a maioria. Estou a
referir-me ao Despacho sobre as casas de banho nas escolas. Ou seja,
pretende-se impor um modelo (discutível) a uma maioria, para resolver um
problema de uma minoria, apesar da sua importância.
Admitindo que a publicação do Despacho n.º 7247/2019, teve os mais
nobre intuitos, parece-nos ser um despropósito, sem que antes tenha havido um debate
alargado, entre, pais, alunos, professores, pedagogos, terapeutas, médicos,
psicólogos, etc., para que as propostas apresentadas não se limitem à escolha
da casa de banho de acordo com a identidade de género de cada qual. É preciso
também entendera posição de todos os alunos, que têm a sua identidade de género
em consonância com o padrão (masculino e feminino), e que representam por larga
margem, a maioria. Será que nestas circunstâncias, o direito à sua privacidade
e individualidade não estão a ser invadido? Será que a sua opinião, exactamente
por serem uma maioria, não deveria ter um peso maior? A proposta apresentada, a
ser cumprida, irá despoletar, certamente, inevitáveis fenómenos de bullying,
sempre condenáveis?
Obviamente que o assunto é sério e deverá merecer um tratamento especializado. No meu fraco entender, o tema é muito complexo e a sua resolução, e irá suscitar sempre grande controvérsia. Cada caso é um caso e, como tal, a abordagem deverá ser muito individualizada. A solução proposta é demasiado administrativa, tratando um assunto que tem uma componente emocional considerável, como se de um simples Manual de Procedimentos se tratasse. Um pouco mais de razoabilidade impunha-se.
Obviamente que o assunto é sério e deverá merecer um tratamento especializado. No meu fraco entender, o tema é muito complexo e a sua resolução, e irá suscitar sempre grande controvérsia. Cada caso é um caso e, como tal, a abordagem deverá ser muito individualizada. A solução proposta é demasiado administrativa, tratando um assunto que tem uma componente emocional considerável, como se de um simples Manual de Procedimentos se tratasse. Um pouco mais de razoabilidade impunha-se.
Vénus e Marte por Alessandro Botticelli

Uma exposição oportuna e corajosa que a todos nos convoca para uma atitude ponderada sobre temas tão complexos como socialmente fracturantes. É disto que precisamos!
ResponderEliminar