Segundo alguns dados recentes o
PS prepara-se para ter um resultado eleitoral extraordinário e, muito
provavelmente, atingir uma maioria absoluta.
Já anteriormente escrevi sobre as
maldades das maiorias absolutas e muito especialmente de uma conquistada por
António Costa. É preciso não esquecer que este homem chega a primeiro ministro
por uma jogada habilidosa, com um objectivo muito claro – garantir a sua
sobrevivência política no interior o partido. Não esquecer que ele chega a
líder partidário, depois de afastar António José Seguro, acusando a sua
liderança de ter ganho por poucochinho, apesar da conjuntura que na altura se
vivia (os governos da Troika de Pedro Passos Coelho).
Nas primeiras eleições disputadas,
obtém um resultado desastroso, muito inferior em comparação com o do seu
antecessor. Aquilo que qualquer político sério faria era, junto dos órgãos do
partido, por o seu lugar à disposição, como manda a muito propalada ética
republicana. Mas António Costa que é um político matreiro, sabia que isso o
conduziria a uma longa caminhada no deserto. Ele que nada fez na vida senão
política, seria uma solução desastrosa.
Apesar do PS se ter posicionado
sempre como um partido de centro e social democrata, António Costa dá um
valente golpe de rins e, como hábil negociador que é, alia-se á extrema
esquerda e forma uma coisa a que se chamou de geringonça, baseada
exclusivamente numa habilidade aritmética, entre PCP, Verdes e BE. Apesar das
enormes diferenças ideológicas, lá se arranjou um equilíbrio que permitiu
governar com alguma serenidade, apesar de tudo. Lembrar que foram muito os
casos (Fogos Pedrogão Grande, Tancos, Corrupção, Familygate, guerra com os
professores, enfermeiros, forças de segurança, SNS, etc.)
Lembrar que esta solução
encontrada fragilizou muito os partidos de centro direita, PS e CDS, que
praticamente saíram de cena, e que nunca
aceitaram esta maioria aritmética, apesar a sua legitimidade.
O país, durante os quarenta anos de
democracia, escolheu sempre soluções políticas de centro. Esta orientação
estava em concordância, com a maioria dos países da União Europeia, traduzindo-se
na alternância de partidos do centro, por escolha objectiva dos eleitores. A
solução encontrada (a geringonça), veio introduzir uma nova realidade, que
causou uma enorme perplexidade – o entendimento entre partidos que do ponto de
vista edeológico e programático, propõem soluções muito diferentes e que, em
relação à própria presença e do país na EU e à nossa participação na NATO, tem
uma posição completamente oposta.
A geringonça tomou posse e
António Costa foi cedendo aqui e ali, para que os seus parceiros pudessem viabilizar
a sua sobrevivência política. Nessa perspectiva e beneficiando de uma extraordinária
conjuntura internacional (aumento do turismo e respectivas receitas, preço
baixo dos combustíveis, aumento das exportações), lá foi levando este barco com
algumas medidas de forte impacto social, como a devolução de rendimentos e a
diminuição das horas de trabalho. Para tal era importante ter as contas
públicas em dia. Mário Centeno foi a personalidade que se encontrou para ar
crédito a este desiderato, uma vez que os socialistas sempre estiveram ligados
a uma forma de exercer o poder, sem esta preocupação. As três intervenções
externas em Portugal foram sempre protagonizadas por socialistas. Mário
Centeno, um funcionário do Banco de Portugal, conseguiu era o “milagre”. Apesar
do natural aumento da despesa, foi possível implementar as tais medidas.
Tudo isto foi conseguido através de
uma habilidosa engenharia financeira, deitando mão de um mecanismo – as cativações
que, se por um lado permitiram os tais ganhos de rendimento, por outro deram
cabo de alguns serviços essenciais, como o Serviço Nacional de Saúde, os sectores
dos transportes, da educação, apenas para referir os mais importantes. Tudo o
que acontecia de bom era obra deste governo, tudo o que acontecia de mau era da
responsabilidade do governo anterior. Devo salientar aqui, que sem nutrir uma
simpatia especial por Pedro Passos Coelho e por muitas medidas do seu governo,
elas foram resultado do (des)governo de José Sócrates, que conduziu o país a
uma situação que todos sabemos e eu se limitou a executar um programa assinado
pelo PS e PSD com a Troika.
Os êxitos deste governo são difíceis
e explicar ou de entender, se tivermos em linha de conta a enorme conflitualidade
que, nos mais diversos sectores de actividade, se fizeram sentir. Os
professores, os motoristas de substâncias perigosas, os médicos, os
enfermeiros, os guardas prisionais, os elementos do SEF, da PSP, os
funcionários das Finanças, os bombeiros, os estivadores, etc. O rol é imenso.
Por outro lado, a acção deste
governo fica manchada por uma série de outros acontecimentos que o deveria
deixar muito pouco confortável. Os fogos de Pedrogão Grande, que responsabiliza
este governo por uma acção, desleixada, incompetente e desastrosa, com a morte
de mais de 100 portugueses. Os inúmeros casos e corrupção de gente ligada ao PS.
As inúmeras ligações familiares que atingem valores nunca antes vistas em parte
nenhuma. A nomeação de boys a uma escala exagerada, e que além de incompetente
é excessiva, como no Caso da Protecção Civil. É a sombra incómoda de Sócrates,
pela presença neste governo de muitos dos seus elementos, a começar pelo
próprio António Costa. No plano das contas públicas, apesar de se dizer que
estão “controladas”, temos a maior carga fiscal de sempre, uma dívida externa
que não para de crescer, uma taxa de crescimento muito abaixo das nossas necessidades,
a degradação dos serviços públicos, um sector de transportes que está
literalmente a “cair” de podre, a desastrosa e injusta forma de resolver a
falência da banca, a forma discriminatória como são tratados os sectores público
e privados, a vergonhosa situação que se passa na justiça com um silêncio
ensurdecedor dos políticos com responsabilidade. Muitos podiam ser os exemplos.
Aproximam-se as eleições legislativas
já no início de Outubro com as sondagens a apontarem para uma muito provável
maioria absoluta do PS: Por tudo aquilo que foi descrito anteriormente, esta
solução pode ser ruinosa para o país. Com uma direita em frangalhos. Com um
conflito objectivo entre o PS e BE, perante a subida deste último nas intensões
de votos, mesmo levando em linha de conta os enormes disparates de Catarina
Martins, a probabilidade de António Costa poder governar sozinho é bem
palpável.
Acreditamos que tal eventualidade
não iria trazer nada de bom para o país. Com António Costa em rédea solta, o
regresso às loucuras da escola de Sócrates, são por demais evidentes. A
possibilidade de uma alteração da constituição, com uma viragem à esquerda,
poderá fazer-nos recuar aos tempos do PREC.
Quaisquer que sejam os resultados
das próximas eleições, vamos ter sem dúvida uma maioria de esquerda, e talvez
reforçada. O estado em que se encontra a direita, desiludida e fragmentada,
nunca pode ser encarada como uma solução de alternância. Mas o pior de tudo
seria uma maioria absoluta de António Costa.
A opção do voto útil, representa
algo que sempre combati, por não ser uma solução de compromisso. Ou seja, é a
escolha de um mal menor. Neste momento e, atendendo às circunstâncias, esta
parece-nos ser, apesar de tudo, a solução mais inteligente, a dispersão dos
votos pelos partidos de menor dimensão à esquerda ou á direita.
Conferir a António Costa a
possibilidade de governar em maioria absoluta, pode representar um desastre.
Deixar de votar é que NUNCA.
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