segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PORQUE NÃO VOTAR NO PS


Segundo alguns dados recentes o PS prepara-se para ter um resultado eleitoral extraordinário e, muito provavelmente, atingir uma maioria absoluta.
Já anteriormente escrevi sobre as maldades das maiorias absolutas e muito especialmente de uma conquistada por António Costa. É preciso não esquecer que este homem chega a primeiro ministro por uma jogada habilidosa, com um objectivo muito claro – garantir a sua sobrevivência política no interior o partido. Não esquecer que ele chega a líder partidário, depois de afastar António José Seguro, acusando a sua liderança de ter ganho por poucochinho, apesar da conjuntura que na altura se vivia (os governos da Troika de Pedro Passos Coelho).
Nas primeiras eleições disputadas, obtém um resultado desastroso, muito inferior em comparação com o do seu antecessor. Aquilo que qualquer político sério faria era, junto dos órgãos do partido, por o seu lugar à disposição, como manda a muito propalada ética republicana. Mas António Costa que é um político matreiro, sabia que isso o conduziria a uma longa caminhada no deserto. Ele que nada fez na vida senão política, seria uma solução desastrosa.
Apesar do PS se ter posicionado sempre como um partido de centro e social democrata, António Costa dá um valente golpe de rins e, como hábil negociador que é, alia-se á extrema esquerda e forma uma coisa a que se chamou de geringonça, baseada exclusivamente numa habilidade aritmética, entre PCP, Verdes e BE. Apesar das enormes diferenças ideológicas, lá se arranjou um equilíbrio que permitiu governar com alguma serenidade, apesar de tudo. Lembrar que foram muito os casos (Fogos Pedrogão Grande, Tancos, Corrupção, Familygate, guerra com os professores, enfermeiros, forças de segurança, SNS, etc.)
Lembrar que esta solução encontrada fragilizou muito os partidos de centro direita, PS e CDS, que praticamente saíram de cena, e  que nunca aceitaram esta maioria aritmética, apesar a sua legitimidade.
O país, durante os quarenta anos de democracia, escolheu sempre soluções políticas de centro. Esta orientação estava em concordância, com a maioria dos países da União Europeia, traduzindo-se na alternância de partidos do centro, por escolha objectiva dos eleitores. A solução encontrada (a geringonça), veio introduzir uma nova realidade, que causou uma enorme perplexidade – o entendimento entre partidos que do ponto de vista edeológico e programático, propõem soluções muito diferentes e que, em relação à própria presença e do país na EU e à nossa participação na NATO, tem uma posição completamente oposta.
A geringonça tomou posse e António Costa foi cedendo aqui e ali, para que os seus parceiros pudessem viabilizar a sua sobrevivência política. Nessa perspectiva e beneficiando de uma extraordinária conjuntura internacional (aumento do turismo e respectivas receitas, preço baixo dos combustíveis, aumento das exportações), lá foi levando este barco com algumas medidas de forte impacto social, como a devolução de rendimentos e a diminuição das horas de trabalho. Para tal era importante ter as contas públicas em dia. Mário Centeno foi a personalidade que se encontrou para ar crédito a este desiderato, uma vez que os socialistas sempre estiveram ligados a uma forma de exercer o poder, sem esta preocupação. As três intervenções externas em Portugal foram sempre protagonizadas por socialistas. Mário Centeno, um funcionário do Banco de Portugal, conseguiu era o “milagre”. Apesar do natural aumento da despesa, foi possível implementar as tais medidas.
Tudo isto foi conseguido através de uma habilidosa engenharia financeira, deitando mão de um mecanismo – as cativações que, se por um lado permitiram os tais ganhos de rendimento, por outro deram cabo de alguns serviços essenciais, como o Serviço Nacional de Saúde, os sectores dos transportes, da educação, apenas para referir os mais importantes. Tudo o que acontecia de bom era obra deste governo, tudo o que acontecia de mau era da responsabilidade do governo anterior. Devo salientar aqui, que sem nutrir uma simpatia especial por Pedro Passos Coelho e por muitas medidas do seu governo, elas foram resultado do (des)governo de José Sócrates, que conduziu o país a uma situação que todos sabemos e eu se limitou a executar um programa assinado pelo PS e PSD com a Troika.
Os êxitos deste governo são difíceis e explicar ou de entender, se tivermos em linha de conta a enorme conflitualidade que, nos mais diversos sectores de actividade, se fizeram sentir. Os professores, os motoristas de substâncias perigosas, os médicos, os enfermeiros, os guardas prisionais, os elementos do SEF, da PSP, os funcionários das Finanças, os bombeiros, os estivadores, etc. O rol é imenso.
Por outro lado, a acção deste governo fica manchada por uma série de outros acontecimentos que o deveria deixar muito pouco confortável. Os fogos de Pedrogão Grande, que responsabiliza este governo por uma acção, desleixada, incompetente e desastrosa, com a morte de mais de 100 portugueses. Os inúmeros casos e corrupção de gente ligada ao PS. As inúmeras ligações familiares que atingem valores nunca antes vistas em parte nenhuma. A nomeação de boys a uma escala exagerada, e que além de incompetente é excessiva, como no Caso da Protecção Civil. É a sombra incómoda de Sócrates, pela presença neste governo de muitos dos seus elementos, a começar pelo próprio António Costa. No plano das contas públicas, apesar de se dizer que estão “controladas”, temos a maior carga fiscal de sempre, uma dívida externa que não para de crescer, uma taxa de crescimento muito abaixo das nossas necessidades, a degradação dos serviços públicos, um sector de transportes que está literalmente a “cair” de podre, a desastrosa e injusta forma de resolver a falência da banca, a forma discriminatória como são tratados os sectores público e privados, a vergonhosa situação que se passa na justiça com um silêncio ensurdecedor dos políticos com responsabilidade. Muitos podiam ser os exemplos.
Aproximam-se as eleições legislativas já no início de Outubro com as sondagens a apontarem para uma muito provável maioria absoluta do PS: Por tudo aquilo que foi descrito anteriormente, esta solução pode ser ruinosa para o país. Com uma direita em frangalhos. Com um conflito objectivo entre o PS e BE, perante a subida deste último nas intensões de votos, mesmo levando em linha de conta os enormes disparates de Catarina Martins, a probabilidade de António Costa poder governar sozinho é bem palpável.
Acreditamos que tal eventualidade não iria trazer nada de bom para o país. Com António Costa em rédea solta, o regresso às loucuras da escola de Sócrates, são por demais evidentes. A possibilidade de uma alteração da constituição, com uma viragem à esquerda, poderá fazer-nos recuar aos tempos do PREC.
Quaisquer que sejam os resultados das próximas eleições, vamos ter sem dúvida uma maioria de esquerda, e talvez reforçada. O estado em que se encontra a direita, desiludida e fragmentada, nunca pode ser encarada como uma solução de alternância. Mas o pior de tudo seria uma maioria absoluta de António Costa.
A opção do voto útil, representa algo que sempre combati, por não ser uma solução de compromisso. Ou seja, é a escolha de um mal menor. Neste momento e, atendendo às circunstâncias, esta parece-nos ser, apesar de tudo, a solução mais inteligente, a dispersão dos votos pelos partidos de menor dimensão à esquerda ou á direita.
Conferir a António Costa a possibilidade de governar em maioria absoluta, pode representar um desastre. Deixar de votar é que NUNCA.


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