sábado, 21 de dezembro de 2019

O CHEGA E ANDRÉ VENTURA AGRADECEM


Não nutro nenhuma simpatia especial por André Ventura, pelo CHEGA, nem pelo discurso agressivo, incoerente, populista e destituído de conteúdo. No entanto, o CHEGA constitui-se como um epifenómeno, que materializa na sua prática política o descontentamento latente na sociedade, relativamente aos inúmeros sacrifícios que as populações têm sido sujeitas. Fenómenos como a corrupção, a insegurança, os fluxos migratórios e a sua associação directa a actos terroristas. Talvez por isto mesmo, o discurso simplista assenta nos valores do nacionalismo, da (in)segurança, do racismo e da xenofobia, encontrem eco em muitas camadas da população que sentem de forma directa alguns destas realidades.
Se pensarmos bem, as linhas e força deste parlamentar, assentam em duas ou três ideias: a insegurança e o medo com ela relacionada, os migrantes e os fenómenos associados ao terrorismo, a descredibilização das instituições e um nacionalismo primário. Um discurso agressivo, populista e demagógico, encontram eco em muitos dos nossos concidadãos. Para tal utiliza tudo o que tem à mão. As facturas dos coletes anti bala, a sua participação na marcha das forças da ordem às portas do Parlamento, são disso prova inequívoca. Ou seja, aproveitando o descontentamento das forças de segurança, deitou mão de uma fake news, para fazer passar o discurso.
O CHEGA apoia-se numa bem urdida estratégia comunicacional, explorando exaustivamente as redes sociais, pela permeabilidade dos seus utilizadores a tudo o que seja bombástico, sem o mínimo critério de aprofundar a origem e a verdade da notícia. Vão alimentando a ideia de um herói forte, corajoso e desafiante, sempre pronto para confrontação, desenvolvida com um único propósito: que se fala muito dele. Bem ou mal, pouco interessa.
Este marketing político tem atingido os seus objectivos. Raro é o dia que os diversos órgãos de comunicação social (OCS), não lhe dediquem parte do seu tempo e espaço. Tudo aquilo que o CHEGA e o André Ventura pretende – que se fale deles.
A recente ingénua e desastrada intervenção de Ferro Rodrigues, nos trabalhos no hemiciclo, vieram atirar gasolina para a fogueira. Assim, este incidente está a ser aproveitado até à exaustão e, permitir a André Ventura explorar outro filão que tanto lhe agrada, a vitimização! Se não é admissível aceitar todos estes exageros a André Ventura, o Presidente da AR, não pode descer ao nível do arruaceiro e entrar em confrontação directa com ele. A democracia não é perfeita e concede-lhe toda a legitimidade de intervir e da forma que melhor o entender. E convínhamos. a palavra vergonha e vergonhosos, utilizada naquele contexto não era ofensiva,  no nosso modesto entender. Por isso, a intervenção de Ferro Rodrigues representa tudo aquilo que não deveria ter sido feito.
 Com isto não pretendo aceitar resignadamente, que este tipo este de intervenção política seja ignorada e, muito menos desvalorizada. É um fenómeno crescente, preocupante e transversal. Importa equacionar as causas que estão na sua origem e desenvolver um combate assente num contraditório inteligente, responsável e que tenha a capacidade de desmontar as falácias utilizadas. Dar-lhe espaço vital, é contribuir para a estratégia montada. É descer à boçalidade e alimentar esta fogueira. E, é precisamente isto que tem sido feito por opinion makers, OCS, políticos, e demais intervenientes. O CHEGA e André Ventura agradecem.


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