quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

AS MARAVILHAS DO SUPERAVIT



Impostos só baixam quando houver "superavit", garante Mário Centeno… Observador 17/04/2018
INE confirma carga fiscal em 35,4%, a maior de sempre. A receita dos impostos atingiu no ano passado os 71,4 mil milhões. Diário de Notícias 13/05/2019.
Parece que vamos encerrar o ano com um superavit. o que parece agradar a muita gente, especialmente ao PS e, mais especialmente ainda, a Mário Centeno, digo eu! Isto aparentemente está em contradição com as palavras e Centeno em 2018. Mais ainda está em contradição com a lógica de que, quando temos dinheiro a mais, este deveria ser aplicado no investimento, de modo a criar riqueza, ou na redução da brutal dívida pública.
Aparentemente, vai haver superavit, mas mesmo assim a carga fiscal, irá atingir um valor recorde de 35%. Duas dúvidas se levantam: ou não há superavit, ou este não passa de uma manobra contabilística, para alcançar um determinado fim. Dito por outras palavras, ou o superavit é uma manobra de cativações e outras habilidades financeiras, para Centeno brilhar e reivindicar outros voos pessoais, ou o superavit é qualquer coisa fictícia.
A política de desinvestimento registada nos serviços públicos, pode ser a explicação para as tão apregoadas “contas certas” do governo, e a justificação para o superavit. Mário Centeno teve um papel decisivo na obtenção destes resultados. Muita gente afirma e, algumas evidências apontam nesse sentido, que o fez por ambição pessoal. Seja qual for a justificação, quem perdeu fomos todos nós. Com o SNS em rotura total e uma ministra permanentemente desautorizada pelo ministro das finanças. Com as escolas a funcionar de forma muito deficiente e a eterna questão do amianto por resolver. Com um sistema de transportes a apresentar falhas graves, nomeadamente no sector ferroviário. O superavit deixa-me a mim uma sensação de que faria mais sentido ter melhorado as condições de vida dos portugueses, do que apresentar este brilharete.
O discurso de Natal do primeiro ministro deixou-nos a sensação de que ele, apenas agora, reparou no estado em que se encontra o SNS e que tudo vais fazer para recuperar o tempo perdido. Esta repentina assunção da responsabilidade, parece evidenciar que agora vai ser muito difícil justificar estas roturas. invocando a responsabilidade a Passos Coelho ou a Troika, agora que ele inicia uma segunda legislatura.
Vou ainda admitir que sou um ignorante em matérias financeiras. O que corresponde à realidade. Ainda procurei nas livrarias uma edição de “O Superavit para Tótós”, mas estava esgotado. À falta de uma qualificação científica na matéria, e fazendo uma analogia com o controlo de um orçamento familiar responsável, quando há dinheiro a mais, primeiro pagam-se as dívidas, em segundo investe-se no que fazia falta e só no fim se fazem as estravagâncias. Provavelmente sou um totó e nada do que afirmei faz sentido!

1 comentário:

  1. Um dia os historiadores perguntarão como foi possível que tanta gente se tivesse deixado enganar por estes consulados socialistas e com o apoio de toda a esquerda (pelo menos até agora). Veremos como corre a votação do orçamento... Sabe-se para onde Centeno vai voar e sabe-se quem o apoiou para que conquistasse tão importante lugar ao serviço do capital! Como se sabe, também, quem o apoiou para o cargo que ocupa na UE, alvo, aliás, do ódio generalizado da mesmíssima esquerda, nos tempos de Passos. Pão e circo é boa estratégia, mas há "sempre alguém que resiste"... Que fique registado!

    Parabéns por outros e verdadeiros "superavit" que deverão estar a ocorrer por terras scalabitanas...!

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