Todos temos que concordar que o
nosso Parlamento tem revelado alguma mediocridade no desempenho dos seus
representantes, deputados e governantes. O recente episódio, protagonizado por
Ferro Rodrigues e André Ventura, é disso um exemplo flagrante. Confesso que na
minha memória, já ter ouvido reproduzida aquela palavra por outros deputados,
em situações semelhantes e, nem por isso foram admoestados pelo presidente a
AR, como no caso do representante do Chega.
As redes sociais encheram-se, de
imediato, de comentários, referindo a pouca legitimidade de Ferro Rodrigues, para
uma intervenção daquele teor.
Muitos consideram que Ferro
Rodrigues tem telhados de vidro e, não esquecem a sua resposta a um jornalista,
emitida há já alguns anos, “estou-me cagando para o segredo de justiça” e,
do seu indisfarçável incómodo no processo Casa Pia.
Se pensarmos ainda nos gestos de
Mário Centeno, levantando o dedo do meio em pleno hemiciclo, e os cornos do ministro
Manuel Pinho dirigiu a um deputado do PCP, temos que convir que abona muito
pouco da elevação que deve ser dada ao debate político.
Ferro Rodrigues, antes de
repreender o deputado André Ventura, devia recordar-se dos lamentáveis comportamentos
de muitos deputados. Ele que afirmou recentemente que temos que credibilizar a
função parlamentar, parece estar esquecido dos lamentáveis episódios das presenças
falsas, das moradas falsas como forma de deitar a mão a um subsídio de
deslocação, o Subsídio de Mobilidade atribuído a todos os deputados residentes
na Madeira e nos Açores, a que despudoradamente deitam a mão. Todos
estes exemplos são também vergonhosos aos olhos dos portugueses, que
diariamente têm de lutar muito para terem uma via condigna. Ou seja, quando a
casa da democracia não se dá ao respeito, não pode ficar ofendida, quando
alguém no uso legitimo da palavra, livremente escolhe o termo vergonho, para
qualificar um acto político, seja ele qual for.
Vergonhosos são as listas de
espera. Vergonhoso é o tratamento diferenciado dado aos trabalhadores do sector
público e privado, por ser discriminatório. Vergonhoso são os apoios concedidos
a banqueiros corruptos, como vergonhoso é o tratamento dados aos depositantes
lesados. Vergonhoso é um cidadão esperar 2, 3, 4 e 5 anos por um acto médico,
seja uma consulta, ou uma cirurgia. A lista seria interminável.
O ridículo da intervenção de
Ferro Rodrigues hoje na AR, foi mexer no vespeiro da “liberdade de expressão” e
com isso justificar a “defesa da honra” de André Ventura. Ou seja, com esta
tomada de posição permitiu o populismo ter o seu momento de glória. O Chega e André
Ventura agradecem. Ou
como diz o povo, foi dar a arma ao bandido.
Não havia necessidade!
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