sábado, 29 de fevereiro de 2020

PEDOFILIA - UM DEBATE ADIADO


A Assembleia da República decidiu não realizar o debate solicitado pelo partido Chega. O presidente da AR empenhou-se uma forma muito entusiástica para que tal acontecesse. Penso que foi uma oportunidade perdida. Não pela proposta da castração química, porque essa, segundo a opinião de vários especialistas, é inconstitucional e, como tal, correspondia a um nado-morto. Mas sobretudo, para tratar e debater um assunto que é sério, preocupante e que a Justiça, repetidamente, tem dado um tratamento demasiado brando e incompreensível. Ainda uma outra razão, a discussão deste tema, seria uma oportunidade para demonstrar a André Ventura, das fragilidades da sua proposta. Pelo contrário, muito se tem dito sobre o “receio” dos parlamentares, dum confronto directo com o representante do Chega. Ferro Rodrigues e o seu empenhamento nesta reserva, tem sido particularmente visado, por factos ligados ao seu passado recente. A segunda figura do Estado devia poupar-se ou ser poupado a este lamentável espectáculo.
O assunto da pedofilia e dos crimes sexuais praticados com crianças, representam algo que perturba cada um nós, naquilo que nos é mais sagrado: os nossos filhos e netos. A racionalidade é algo que podemos expressar numa análise fria e distante desta temática. Mas quando o problema nos surge de perto, qualquer um é capa de reagir de forma reactiva, irracional e despropositada, especialmente se sentir que a justiça e o estado fazem mal o seu papel.
A sensação de que a justiça é demasiado condescendente com os predadores sexuais permitindo, inclusivamente, que indivíduos condenados voltem ao ambiente onde os crimes foram praticados, é inaceitável. Naturalmente, os sistemas: judicial e prisional não estão preparados para a actuarem de forma célere e vigorosa para um efectivo controlo deste tipo de comportamento desviante. Exactamente por isso, é que, não debater o assunto, vem ainda exacerbar mais os intuitos populistas, que forças como o Chega, não hesitam em deitar mão.
A premência que os sucessivos casos levantam suscitam à sociedade uma grande e legítima preocupação, o que justificaria, por si mesmo, um profundo e alargado debate. Virar as costas a esta discussão parece ter sido uma oportunidade perdida. Cada novo caso observado, vai dar trunfos a André Ventura, para dizer: eu bem avisei.

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