As próximas eleições presidenciais quanto à forma não trazem, aparentemente, nada de novo se comparado com as anteriores. De facto, apresentam-se a sufrágio dois tipos de candidatos: os que têm capacidade de convencer o eleitorado, quanto às suas ideias e princípios (Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes), e todos os outros que à partida sabem que nunca poderão discutir, taco a taco, com os dois anteriores (André Ventura, Tiago Mayan, João Ferreira e Marisa Matias) esta eleição. Não vão, contudo, deixar de aproveitar a oportunidade para mostrarem serviço, promover os partidos que os apoiam e o tempo e antena a que têm direito.
Assim temos duas realidades: uma que apenas
quer fazer ruído, e outra de onde sairá o próximo inquilino de Belém. É sobre
estes dois candidatos que interessa olhar com atenção já que, existem algumas
certezas e muitas dúvidas sobre estas duas personalidades:
Marcelo Rebelo de Sousa – Tem
feito um verdadeiro tabu a propósito da sua mais do que evidente recandidatura,
por demais evidente que nela se tem empenhado, desde sempre, pelo mais evidente
que nela se tem empenhado, desde sempre.Embora com estilo diferente, tem
ombreado com André Ventura, no que ao populismo diz respeito. Marcelo foi e
sempre será um homem da comunicação. Usa-a com elegância, e não perde uma
oportunidade de aparecer: seja num Feira do Livro, seja num arraial, seja num
enterro e, se não lhe pedirem uma selfie, ele próprio se oferece para a tirar.
Tem sempre algo a dizer sobre tudo e mais alguma coisa, e perante algum
problema, adopta um tom presidencial e diz “investigue-se tudo”, “que se apurem
responsabilidades”, “doa a quem doer”, etc. Foi assim sobre os fogos de 2017, foi
assim no caso Raríssimas, e foi assim também no roubo de Tancos. Pelo que se
sabe, nenhum destes casos teve consequências, ou se apurou qualquer
responsabilidade. Apesar disso, o nosso presidente continua na sua saga de
espalhar afectos, numa tentativa de ser reeleito por um score superior ao de
Mário Soares. O seu primeiro mandato foi muito cooperante com o governo de
António Costa e com a esquerda caviar, responsável pela geringonça. Usa a sua
autoridade ao sabor das suas preferências. Foi muito exigente com a DGS,
relativamente à Festa do Avante, e não deu pela bagunçada existente na Feira do
Livro, por onde passeou o seu charme e, nem mesmo nesta última peregrinação a
Fátima se pronunciou. A sua ligação à família Espírito Santo, no passado e no
presente, deixam-no perfeitamente confortável com a situação, o que revela
alguma sobranceria.
Ana Gomes – Também nunca conseguiu
esconder a sua intenção de se candidatar. É também uma personalidade que domina
muito bem os segredos da comunicação. Com um estilo mais agressivo do que
Marcelo, tem um passado político que fala por si. Abraça causas com um
empenhamento fora do comum. Todos nos lembram dos seus combates sobre diversos
casos: os aviões da CIA, Submarinos, a Corrupção no mundo do futebol, Isabel
dos Santos, Rui Pinto. só para citar alguns. Com um estilo truculento e
politicamente incorrecto, desperta facilmente, ódios e paixões. Apesar de ser
uma figura que a esquerda aprecia e se revê, é também na esquerda que encontra
os seus mais aguerridos detractores. O actual primeiro ministro é uma destas personalidades.
Apesar de todos estas qualidades, há quem aponte as suas armas a esta
candidata, por uma aparente indiferença com a Operação Marquês, pelas suas
ligações ao Grupo Impresa e a George Soros, acusando-a de padecer de alguma
bipolaridade. Se não houver uma segunda volta, irá contar, certamente, com a desistência
de Marisa Matias a seu favor.
Com base nestes pressupostos, levantam-se
algumas questões ao eleitor. Perante uma eventual vitória da Ana Gomes, como
irão ser as relações institucionais entre estes dois órgãos de soberania, tendo
em conta a incompatibilidade com o primeiro ministro? Há também quem veja a sua
dificuldade num comportamento diplomático exigida a um presidente da
presidência da República. A sua eleição vai depender e muito, do apoio que o PS
lhe irá conferir, tendo em conta as profundas divergências existentes.
Se Marcelo não conseguir vencer á primeira,
vai sentir enormes dificuldades. Mas matreiro como é, não vai estar desatento a
todas as movimentações políticas. O apoio tácito de António Costa à sua reeleição,
ainda não está claro se foi um benefício ou um presente envenenado. Marcelo vai
continuar na sua campanha populista, tentando passar entre os pingos da chuva
sem se comprometer com nada e com ninguém. Com o envolvimento de António Costa
com a comissão de honra na reeleição do presidente do Benfica, vai lhe bastar
fingir de morto. E isso ele faz como ninguém.
Considerando que o PS, como principal força
política e com maior número de intenções de voto, não ter indicado um candidato
próprio, vem ainda baralhar mais as dúvidas do eleitor. A este, e uma vez mais,
vai ser chamado a escolher um mal menor, seja ele qual for. Claro que ainda vai
correr muita água debaixo das pontes, mas é este cenário que vamos ter como
ponto de partida.
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