Apesar das muitas opiniões contra
o PCP lá realizou a sua Festa do Avante. Eu próprio escrevi manifestando a
minha oposição à realização deste evento, apenas por razões de equidade,
relativamente a muitas outras situações iguais ou semelhantes. Isto determinou
que eu tivesse sido mimoseado, com epítetos de anticomunismo primário, o que me
merece apenas um simples sorriso. Tenho afirmado repetidamente o meu respeito
pelo PCP, do que por outras forças políticas. Respeito por encontrar neste
partido, e na maioria dos seus militantes muita coerência política, a sua
fidelidade e a sua enorme capacidade mobilizzadora. Também temos que reconhecer
o papel determinante que o PCP tem representado como elemento catalisador de
uma oposição aos diversos governos. O que me separa desta ideologia, são
aspectos muito mais práticos e objectivos. Não conheço qualquer lugar em que a
prática comunista tivesse resultados reconhecidos no conforto e bem-estar da
sua população, e que esta se sentisse completamente livre para fazer as suas opções.
Pelo contrário, existe uma esquerda “caviar” que, essa sim, cultiva valores de
puro e simples oportunismo político, e para a qual não tenho a mínima
consideração.
Mas voltando à Festa do Avante,
os princípios que orientaram a minha discordância são exactamente os mesmos
relativamente a situações similares. Como por exemplo, um espectáculo no Campo
Pequeno, da autoria de um cómico do regime(?), e à qual estiveram presentes o
primeiro ministro e o presidente da República. Igualmente a Feira do Livro,
recentemente realizada, também primou por uma ausência total de regras impostos
a muitos outros eventos. Não podemos justificar um erro com outros de cariz
semelhante, a minha oposição assenta no facto de qu,e o simples cidadão foi
sempre sujeito aos sacrifícios, que não foram impostos a outras circunstâncias,
como as atrás referidas. Foram sempre o elo mais fracos nesta cadeia de
interesses.
Pelo que parece, o PCP
mobilizou-se para que a sua Festa tivesse decorrido com o respeito pelas
determinações da DGS para a sua realização. Disso eu nunca duvidei, embora me
pareça que, por mais intenso que tenha sido o esforço, nunca terá sido possível
garantir a sua total execução. Naturalmente que o número de participantes
autorizado e o registado, nada tem a ver com os números apresentados inicialmente
pelos comunistas. Estaremos a falar numa redução na casa dos 80%, o que também
muda, substancialmente, os pressupostos iniciais. Pelo que se sabe até ao
presente, não foi registado qualquer foco de contágio, e ainda bem.
Por tudo o que afirmei anteriormente,
e pelo sucesso que os comunistas conseguiram com a sua Festa, quero
publicamente, expressar o meu sentimento de exagero na análise e comentários
que produzi. Isto não significa que
tenha renegado os princípios de equidade que defendi, mas apenas que o PCP e a
sua organização conseguiram cumprir as regras impostas pela DGS. O mesmo já não
se pode dizer de muitas outros eventos e organizações: Feira do Livros, encontro
de jovens no Porto, o jantar do Chega, e muitas outras situações idênticas.
Se fosse possível fazer um
balanço final ganhou o PCP pelo esforço no cumprimento de todas as exigências
impostas. Estiveram mal a DGS pelas suas habituais hesitações e falta de
planeamento e clareza para um problema global. Também não ficaram bem na fotografia
Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio, pela forma pouco clara como defenderam as
suas posições. Continuo a pensar que as exigências da DGS não é igual para
todos e, ao permitiu ao PCP realizar a sua Festa, também deveria definir com
clareza, as regras para a realização de muitas outras actividades, sociais,
culturais desportivas e recreativas. Se isso não acontecer, fica sempre a noção
de que existem dois pesos e duas medidas, consoante a pressão que cada sector tenha
capacidade de fazer.
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