segunda-feira, 7 de setembro de 2020

NO RESCALDO DA FESTA DO AVANTE

 

Apesar das muitas opiniões contra o PCP lá realizou a sua Festa do Avante. Eu próprio escrevi manifestando a minha oposição à realização deste evento, apenas por razões de equidade, relativamente a muitas outras situações iguais ou semelhantes. Isto determinou que eu tivesse sido mimoseado, com epítetos de anticomunismo primário, o que me merece apenas um simples sorriso. Tenho afirmado repetidamente o meu respeito pelo PCP, do que por outras forças políticas. Respeito por encontrar neste partido, e na maioria dos seus militantes muita coerência política, a sua fidelidade e a sua enorme capacidade mobilizzadora. Também temos que reconhecer o papel determinante que o PCP tem representado como elemento catalisador de uma oposição aos diversos governos. O que me separa desta ideologia, são aspectos muito mais práticos e objectivos. Não conheço qualquer lugar em que a prática comunista tivesse resultados reconhecidos no conforto e bem-estar da sua população, e que esta se sentisse completamente livre para fazer as suas opções. Pelo contrário, existe uma esquerda “caviar” que, essa sim, cultiva valores de puro e simples oportunismo político, e para a qual não tenho a mínima consideração.

Mas voltando à Festa do Avante, os princípios que orientaram a minha discordância são exactamente os mesmos relativamente a situações similares. Como por exemplo, um espectáculo no Campo Pequeno, da autoria de um cómico do regime(?), e à qual estiveram presentes o primeiro ministro e o presidente da República. Igualmente a Feira do Livro, recentemente realizada, também primou por uma ausência total de regras impostos a muitos outros eventos. Não podemos justificar um erro com outros de cariz semelhante, a minha oposição assenta no facto de qu,e o simples cidadão foi sempre sujeito aos sacrifícios, que não foram impostos a outras circunstâncias, como as atrás referidas. Foram sempre o elo mais fracos nesta cadeia de interesses.

Pelo que parece, o PCP mobilizou-se para que a sua Festa tivesse decorrido com o respeito pelas determinações da DGS para a sua realização. Disso eu nunca duvidei, embora me pareça que, por mais intenso que tenha sido o esforço, nunca terá sido possível garantir a sua total execução. Naturalmente que o número de participantes autorizado e o registado, nada tem a ver com os números apresentados inicialmente pelos comunistas. Estaremos a falar numa redução na casa dos 80%, o que também muda, substancialmente, os pressupostos iniciais. Pelo que se sabe até ao presente, não foi registado qualquer foco de contágio, e ainda bem.

Por tudo o que afirmei anteriormente, e pelo sucesso que os comunistas conseguiram com a sua Festa, quero publicamente, expressar o meu sentimento de exagero na análise e comentários que produzi.  Isto não significa que tenha renegado os princípios de equidade que defendi, mas apenas que o PCP e a sua organização conseguiram cumprir as regras impostas pela DGS. O mesmo já não se pode dizer de muitas outros eventos e organizações: Feira do Livros, encontro de jovens no Porto, o jantar do Chega, e muitas outras situações idênticas.

Se fosse possível fazer um balanço final ganhou o PCP pelo esforço no cumprimento de todas as exigências impostas. Estiveram mal a DGS pelas suas habituais hesitações e falta de planeamento e clareza para um problema global. Também não ficaram bem na fotografia Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio, pela forma pouco clara como defenderam as suas posições. Continuo a pensar que as exigências da DGS não é igual para todos e, ao permitiu ao PCP realizar a sua Festa, também deveria definir com clareza, as regras para a realização de muitas outras actividades, sociais, culturais desportivas e recreativas. Se isso não acontecer, fica sempre a noção de que existem dois pesos e duas medidas, consoante a pressão que cada sector tenha capacidade de fazer.

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