O aparecimento do CORONAVIRUS apanhou todo o mundo de surpresa. Fácil é concluir que, em boa verdade, ninguém conhecia a capacidade letal do vírus, pouco se conhecia da sua forma de actuar e a sua capacidade de se replicar, etc. Penso mesmo até que se desvalorizou muito o perigo da sua propagação a nível mundial (Graça Freitas afirmou que o vírus iria ficar pela China e que muito dificilmente cá chegaria). Cedo se percebeu que estávamos perante um cenário pandémico, de consequências inimagináveis, em que as estruturas sanitárias não estavam preparadas para a dimensão do problema.
Tudo isto pode justificar alguns
desacertos iniciais, muitas hesitações e discursos erráticos. Perante todo este
panorama de incertezas, as autoridades de saúde, adoptaram medidas radicais de
confinamento, a que a população aceitou e cumpriu com natural resignação.
Estivemos confinados durante cerca de três meses, e com isto achatou-se a
curva, e o pais foi considerado exemplar pelos resultados alcançados. Foi com
natural alívio que todos nós recebemos as notícias do desconfinamento, o regresso
a uma nova “normalidade”, e com a convicção de que o pior já linha passado.
Mesmo nesta altura se dizia que
as coisas estavam longe de estarem controladas, e o espectro de uma segunda
vaga, era referido com insistência por vários especialistas. A maioria dos
portugueses regozijou com a possibilidade de poder fazer uma vida fora das
quatro paredes, e todos podemos observar, gradualmente, um desleixo nos
comportamentos. As consequências não tardaram. Ao ponto de se assistir a uma
quase rotura do SNS, com filas de ambulâncias em alguns hospitais e doentes a
serem evacuados para estruturas hospitalares a mais de 300 quilómetros.
O primeiro ministro afirmou
solenemente que “o país não aguenta um novo confinamento” e todos
percebemos o alcance desta mensagem. Era lícito esperar um adequado
planeamento, e sobretudo, o reforço dos meios humanos e uma articulação do
sistema nacional de saúde, que compreendem o sector público, o sector social e
o sector privado. Parece haver um conflito latente entre o SNS e os privados. Se
isto corresponder à realidade, não se percebe que tenhamos chegado a este
ponto, apenas por questões ideológicas. Aparentemente nada disto foi feito. Os
dados que observamos são aterradores, quer em número de contaminados, em
internados e em óbitos. Ficamos com a sensação de que a pandemia está fora de
controlo.
Face a esta realidade, foi
decretado, uma vez mais, o estado de emergência e determinado um novo
confinamento. È lógico que ninguém gosta de se ver privado das suas liberdades,
mas se ouvirmos os especialistas, todos são unânimes da sua importância. Ou seja,
qualquer cidadão consciente, apesar de contrariado, resta-lhe aceitar esta
decisão, com vista à salvaguarda da saúde de todos. Mas ao permitirem-se 52 excepções
ao confinamento, deixamos margem a que tudo possa ser permitido. Cada um de nós
pode comprovar que, logo no primeiro dia, muito poucos acartaram as
recomendações respeitantes ao confinamento, ao uso de máscara, ao
distanciamento social, e à etiqueta respiratória.
Duas conclusões se podem tirar:
ou pensamos que o primeiro ministro estava a exagerar quanto a um segundo
confinamento; ou este confinamento é para brincar, com tantas excepções
concedidas. O estado de eminente colapso dos hospitais, devia fazer pensar aos incautos,
uma normal situação de emergência, em que qualquer um de nós pode vir a
necessitar, como iria reagir se não conseguisse ser atendido em tempo oportuno?
O assunto é sério demais para com
ele se brincar!
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