sexta-feira, 17 de setembro de 2021

GOUVEIA E MELO – A MINHA HOMENAGEM


Recordo-me de na altura que foi nomeado Francisco Ramos, como responsável pela Task Force do Plano de Vacinação Covid 19, ter escrito um post em que afirmava, enquanto nos USA elegeram um general para dirigir o seu plano de vacinação, nós em Portugal optamos por um tarefeiro. Isto originou alguns comentários desagradáveis na defesa do dito nomeado. Não que a minha intenção fosse menorizar a capacidade e/ou competência deste responsável, mas porque os acontecimentos indiciavam um processo com muitas irregularidades, numa tarefa monumental que exigia uma logística operacional, que só um homem de acção poderia garantir.
Passado pouco tempo, sabemos que Francisco Ramos demitiu-se e, em seu lugar, é nomeado o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo., que já exercia funções na Task Force. Sou levado a concluir que alguém com responsabilidade, seguiu a orientação dos americanos.
O processo de vacinação sob a gestão de Francisco Ramos esteve envolvido em inúmeras polémicas, em favorecimentos a não prioritários, mesmo no Hospital da Cruz Vermelho, onde exercia a presidência.
Com a nomeação de Gouveia e Melo, as coisas começam a encarreirar, e rapidamente o processo evidenciava competência, disciplina, planeamento, coordenação e objectividade. Tudo isto não aconteceu, apenas porque o vice-almirante fosse um sobredotado, mas tão somente, porque alguém impôs regras simples e pediu responsabilidades. Coisa que os políticos revelam muita dificuldade para não melindrar as suas clientelas.
Gouveia e Melo perante o desafio não pediu mais dinheiro. Não pediu mais recursos humanos. Não vacilou quando faltaram vacinas. Impôs disciplina aos centros de vacinação. Pediu responsabilidade. Aceitou sempre com naturalidade os reveses e revelou sempre grande serenidade e clareza no seu discurso. Tudo funcionou bem porque o trabalho da Task Force assentou numa estrutura de planeamento e controle. As suas palavras são disto exemplo: "Desde o início disse que queria a responsabilização dos actores. Cada um tem de se sentir envolvido, tem de perceber que conta para o todo, para o bem e para o mal. Um actor responsabilizado é muito mais activo. Esta é a chave mais importante"
Penso que sendo as metas sejam definidas por objectivos políticos, a sua operacionalização deve assentar em critérios de ordem prática, assentes numa estrutura rigorosa e responsável.
O Coordenador da Task Force infundiu sempre confiança, genuinidade, disciplina, capacidade de comunicação. Acredito que foi a sua capacidade de comunicar que lhe fez granjear a confiança da sua equipa e a simpatia do público. A sua opção pelo camuflado foi um elemento de comunicação estratégica, com o qual quis dizer: “enquanto estivermos em guerra é isto que vou vestir!"
O sucesso no processo de vacinação português deve-se a Gouveia e Melo e aos profissionais de saúde que se integraram perfeitamente estrutura implementada. Ganhou o país e ganhamos todos nós.
O grande mérito de Gouveia e Melo foi assentar a sua acção numa liderança forte e numa comunicação assertiva, mas sobretudo por aceitar a missão com total abnegação.


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