sábado, 4 de dezembro de 2021

CERTAMENTE UM APROVEITAMENTO POLÍTICO



Finalmente, passados seis meses, o Ministério Público, vem por fim a um lamentável processo que envolveu um ministro do actual governo. Eduardo Cabrita, no seu estilo habitual, vem comunicar ao país, numa conferência de imprensa (sem direito a perguntas), o seu pedido de exoneração do cargo de titular do MAI.

Na base do seu discurso, começa por afirmar que era um mero passageiro daquela viatura. Será? Cabrita não teria autoridade e ascendente hierárquico sobre um seu subordinado? Relativamente ao acidentado, nem uma única vez refere o seu nome, designando-o como vítima. Também relativamente ao seu motorista, nem uma palavra de solidariedade e/ou compreensão. Todo o seu discurso é um despudorado auto-elogio dos bons resultados alcançados, e nenhuma referência quando aos inúmeros “casos” do seu ministério:  SIRESP, golas inflamáveis, imigrante assassinado pelo SEF, festejos do Sporting e transferência de imigrantes para Odemira. Sobre todos estes casos, nem uma palavra     !

Por tudo isto, Eduardo Cabrita foi igual a si próprio! Revelou insensibilidade, cobardia, desresponsabilização, indecência política, falta de ética e de moral. Se apesar de tudo isto, nunca foi demitido, e sempre respaldado pelo primeiro-ministro, o seu pedido de exoneração também não causou qualquer surpresa. Isto porque, a continuidade de um ministro incómodo num governo que está a dois meses de eleições, seria um esqueleto no armário pronto a saltar fora, em tudo o que fosse debate político. Claro que António Costa, apesar de toda a fidelidade demonstrada, não iria aceitar em caso algum, essa possibilidade. E isto sim, é um caso de puro aproveitamento político.

Perante o silêncio e irritações de Eduardo Cabrita, e face à gravidade do acidente da A6, todas as perguntas eram legítimas, sejam elas de políticos ou de jornalistas. Não são um aproveitamento político, são uma obrigação dos mesmos. Mesmo a justificação de que não queria interferir nas eleições que se avizinham, é também um aproveitamento político, porque a sua continuidade iria revelar-se como um elemento tóxico para o PS. António Costa nunca negou a sua amizade com Cabrita. Só em nome dessa amizade, que o poderia considerar um excelente ministro. O problema é que agora, mantê-lo em funções até às legislativas seria uma monumental inconveniência. Não foi por um procedimento jurídico que a exoneração foi pedida, mas sim, por uma vantagem política.

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