Na base do seu discurso, começa
por afirmar que era um mero passageiro daquela viatura. Será? Cabrita não teria
autoridade e ascendente hierárquico sobre um seu subordinado? Relativamente ao
acidentado, nem uma única vez refere o seu nome, designando-o como vítima.
Também relativamente ao seu motorista, nem uma palavra de solidariedade e/ou
compreensão. Todo o seu discurso é um despudorado auto-elogio dos bons resultados
alcançados, e nenhuma referência quando aos inúmeros “casos” do seu
ministério: SIRESP, golas inflamáveis,
imigrante assassinado pelo SEF, festejos do Sporting e transferência de
imigrantes para Odemira. Sobre todos estes casos, nem uma palavra !
Por tudo isto, Eduardo Cabrita foi
igual a si próprio! Revelou insensibilidade, cobardia, desresponsabilização, indecência
política, falta de ética e de moral. Se apesar de tudo isto, nunca foi demitido,
e sempre respaldado pelo primeiro-ministro, o seu pedido de exoneração também
não causou qualquer surpresa. Isto porque, a continuidade de um ministro
incómodo num governo que está a dois meses de eleições, seria um esqueleto no
armário pronto a saltar fora, em tudo o que fosse debate político. Claro que
António Costa, apesar de toda a fidelidade demonstrada, não iria aceitar em
caso algum, essa possibilidade. E isto sim, é um caso de puro aproveitamento
político.
Perante o silêncio e irritações
de Eduardo Cabrita, e face à gravidade do acidente da A6, todas as perguntas
eram legítimas, sejam elas de políticos ou de jornalistas. Não são um
aproveitamento político, são uma obrigação dos mesmos. Mesmo a justificação de
que não queria interferir nas eleições que se avizinham, é também um
aproveitamento político, porque a sua continuidade iria revelar-se como um
elemento tóxico para o PS. António Costa nunca negou a sua amizade com Cabrita.
Só em nome dessa amizade, que o poderia considerar um excelente
ministro. O problema é que agora, mantê-lo em funções até às legislativas seria
uma monumental inconveniência. Não foi por um procedimento jurídico que a exoneração
foi pedida, mas sim, por uma vantagem política.
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