domingo, 2 de janeiro de 2022

2022 O QUE NOS ESPERA

Neste princípio de ano e depois de passarmos os dois últimos sob o espectro de uma pandemia, o sentimento que nos invade, será certamente, que só podemos melhorar. Segundo a opinião de muitos especialistas, o vírus SARS-COV-2 irá entrar brevemente numa fase de algum controlo; seja porque o vírus está a perder a sua capacidade de gerar novas variantes e estas a aparecerem, se revelarem menos agressivas; seja pelo vacinação massiva; seja pelo surgimento de alguns fármacos específicos. Também sob este aspecto não estou tão seguro quanto os especialistas. Mas como ficará a nossa forma de nos relacionarmos no futuro?

Sempre fui e tentei ser um optimista, mas desta vez, receio bem que me assente melhor o papel de velho do Restelo. Tal como na epopeia de Camões, olho para o ano que agora iniciamos com algum pessimismo, especialmente quando ouça dizer que “vai ficar tudo bem!” Mas não consigo afastar este sentimento das minhas elucubrações, o que me incomoda.

Vamos iniciar este novo ano com espectro de umas eleições que ninguém desejava (será?). Num quadro pandémico, que se agrava fortemente a cada dia que passa, e que se supõe poderem estar contaminados algumas centenas de milhares de portugueses à data do escrutínio. Numas eleições que se irão disputar sem que a CNE e os poderes constituídos tivessem engendrado uma solução para um sistema de votação alternativo ao voto presencial, especialmente depois da experiência das últimas presidenciais. Em alguns círculos eleitorais começa a ser difícil arranjar cidadãos para ocuparem as mesas de voto. Imagine-se se as piores previsões se concretizarem. Pior do que tudo, parece que a relação das forças políticas irem ficar, mais ou menos na mesma.

Estão anunciados o aumento dos preços de quase todos os bens essenciais. À excepção do ordenado mínimo, não podemos esperar grandes aumentos nos nossos, já parcos rendimentos. É previsível que o Banco Central Europeu reveja brevemente, a sua política de compra de dívida aos estados-membros, com o consequente aumento da inflação e das dívidas soberanas.

Até onde nos vai levar a pandemia? Quem poderá vaticinar o seu fim? Nem os ditos especialistas arriscam qualquer data! Como irá que a economia no seu todo irá recuperar de dois anos de quase total estagnação? Até onde os profissionais de saúde ainda vão aguentar do gigantesco esforço a que têm sido submetidos? Será que o teletrabalho se vai transformar na nova normalidade e quando ficará regulamentado em definitivo?

Mesmo considerando que 2022 poderá ser melhor do que 2021, como indicia o crescimento anunciado de 5,5% para a economia, as nuvens que pairam sobre a conjuntura em que vivemos aconselham alguma prudência. A solução governativa a sair das próximas eleições não pode estar amarrada a preceitos ideológicos, ou partidários. Tem que pensar nos portugueses e nas imensas dificuldades que nos esperam e aplicar medidas de uma verdadeira salvação nacional.

São muitas perguntas e muitas dúvidas, para tão poucas certezas e muito menos respostas. Como eu gostava que esta minha reflexão, eu a visse como um sonho mau, e que ao despertar fosse confrontado com uma realidade diametralmente oposta.

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