Neste princípio de ano e depois de
passarmos os dois últimos sob o espectro de uma pandemia, o sentimento que nos
invade, será certamente, que só podemos melhorar. Segundo a opinião de muitos
especialistas, o vírus SARS-COV-2 irá entrar brevemente numa fase de algum
controlo; seja porque o vírus está a perder a sua capacidade de gerar novas
variantes e estas a aparecerem, se revelarem menos agressivas; seja pelo
vacinação massiva; seja pelo surgimento de alguns fármacos específicos. Também
sob este aspecto não estou tão seguro quanto os especialistas. Mas como ficará
a nossa forma de nos relacionarmos no futuro?
Sempre fui e tentei ser um
optimista, mas desta vez, receio bem que me assente melhor o papel de velho do
Restelo. Tal como na epopeia de Camões, olho para o ano que agora iniciamos com
algum pessimismo, especialmente quando ouça dizer que “vai ficar tudo bem!” Mas
não consigo afastar este sentimento das minhas elucubrações, o que me
incomoda.
Vamos iniciar este novo ano com
espectro de umas eleições que ninguém desejava (será?). Num quadro pandémico, que
se agrava fortemente a cada dia que passa, e que se supõe poderem estar
contaminados algumas centenas de milhares de portugueses à data do escrutínio.
Numas eleições que se irão disputar sem que a CNE e os poderes constituídos
tivessem engendrado uma solução para um sistema de votação alternativo ao voto
presencial, especialmente depois da experiência das últimas presidenciais. Em
alguns círculos eleitorais começa a ser difícil arranjar cidadãos para ocuparem
as mesas de voto. Imagine-se se as piores previsões se concretizarem. Pior do
que tudo, parece que a relação das forças políticas irem ficar, mais ou menos
na mesma.
Estão anunciados o aumento dos
preços de quase todos os bens essenciais. À excepção do ordenado mínimo, não
podemos esperar grandes aumentos nos nossos, já parcos rendimentos. É previsível
que o Banco Central Europeu reveja brevemente, a sua política de compra de
dívida aos estados-membros, com o consequente aumento da inflação e das dívidas
soberanas.
Até onde nos vai levar a
pandemia? Quem poderá vaticinar o seu fim? Nem os ditos especialistas arriscam
qualquer data! Como irá que a economia no seu todo irá recuperar de dois anos
de quase total estagnação? Até onde os profissionais de saúde ainda vão
aguentar do gigantesco esforço a que têm sido submetidos? Será que o teletrabalho
se vai transformar na nova normalidade e quando ficará regulamentado em
definitivo?
Mesmo considerando que 2022 poderá
ser melhor do que 2021, como indicia o crescimento anunciado de 5,5% para a
economia, as nuvens que pairam sobre a conjuntura em que vivemos aconselham
alguma prudência. A solução governativa a sair das próximas eleições não pode
estar amarrada a preceitos ideológicos, ou partidários. Tem que pensar nos
portugueses e nas imensas dificuldades que nos esperam e aplicar medidas de uma
verdadeira salvação nacional.
São muitas perguntas e muitas
dúvidas, para tão poucas certezas e muito menos respostas. Como eu gostava que
esta minha reflexão, eu a visse como um sonho mau, e que ao despertar fosse
confrontado com uma realidade diametralmente oposta.
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