Pedro Nuno Santos é um dos
ministros do actual governo que não consegue ser indiferente aos olhos dos
portugueses. Desperta ódios e paixões com a mesma facilidade, e até parece
fazer disto uma espécie de marca d’água da sua forma de intervir politicamente.
Há quem o defenda, tão somente pela capacidade que ele tem em tomar decisões,
mesmo quando estas sejam em desacerto com as directrizes do próprio governo, ou
quando são tomadas com base em orientações puramente ideológicas.
Eu nunca gostei de figuras públicas
que adoptam uma postura do tipo da de Nuno Pedro Santos. Não gosto da sua truculência,
não gosto da sua arrogância, e não gosto das suas incoerências. Na sua
actividade política sempre adoptou um comportamento muito pouco abonatório de
uma figura de estado, a quem se exige uma postura de alguma contenção na
linguagem, por maior que seja a razão que lhe assista.
Muitas são as gafes cometidas por
Pedro Nuno Santos
A sua mulher Ana Catarina Gamboa,
foi nomeada chefe de gabinete do secretário de Estado Adjunto dos Assuntos
Parlamentares, com a justificação de “ninguém deve ocupar uma função
profissional por favor, como ninguém deve ser prejudicado na sua vida
profissional por causa do marido”, como se os únicos profissionais competentes
sejam os familiares de políticos no activo.
A TAP mais parece uma novela em
que diariamente, algo de estranho aconteça. A nomeação de Miguel Frasquilho
para a presidência do Conselho de Administração, e logo no dia seguinte ter de
revogar tal decisão, aparentemente, pela discordância de António Costa. Quando
Pedro Nuno Santos pretendeu levar à discussão no Parlamento o Plano de
Reestruturação da companhia. Também neste caso foi desautorizado por António
Costa.
“Os alemães que se ponham
fininhos, ou não pagamos a dívida”, “por os banqueiros alemães a tremer das
pernas”, palavras para quê? É Pedro Nuno Santos no seu melhor.
A compra à RENFE de 36 carruagens
que tinham sido retiradas de circulação no país vizinho por conterem amianto, transformou-se
num excelente negócio para Pedro Nuno Santos, e que a retirada do amianto se
resume a uma simples intervenção técnica. Este negócio valeu-lhe a alcunha de “Sucateiro”.
Os inúmeros conflitos com Alfredo
Casimiro principal accionista da Groundforce, chegando mesmo a tornar pública uma
conversa privada que com este mantivera, e que envolvia uma terceira pessoa, no
caso concreto Humberto Pedrosa.
As permanentes altercações com Michael
O’Leary presidente da RYANAIR, que lhe chamou “Pinóquio”, e atribui à
TAP o epíteto de “companhia falhada”. De referir que perdeu sempre estas
contendas para o irlandês.
A mais recente polémica de Pedro
Nuno Santos, aproveitando a ausência do primeiro-ministro para definir a
solução para o novo aeroporto que servirá a cidade de Lisboa. Tal medida foi
feita à revelia de António Costa e do Partido Socialista, envolvia avançar para
o Montijo, depois para Alcochete, e com o posterior encerramento da Portela.
Não informou o seu chefe directo, nem tão pouco o nº dois do partido por ausência
do primeiro-ministro, e nem mesmo o presidente da República. Esta atitude
revela a forma e característica do ministro das Infra-estruturas, que é decidir
prontamente e sem dar cavaco a ninguém. Isto valeu-lhe uma reprimenda de António
Costa e uma humilhação pública a que este apelidou de humildade!
Muitos foram o que pediram a demissão
do ministro pela gravidade da situação. António Costa, bem ao seu estilo,
permite a uns o que condena de outros. Veja-se por exemplo os casos de Eduardo
Cabrita e de João Soares. Por isso a confiança do primeiro-ministro em Pedro
Nuno Santos, pode significar um dejá vu. O ministro “reconheceu o
erro cometido e teve a humildade de o assumir”, porque se tratou de uma “falha
de comunicação”. Por isso, Pedro Nuno Santos pode fazer parte deste
governo, mas é uma carta fora do baralho. Ou seja, é um ministro a quem António
Costa nunca irá permitir mais qualquer outra veleidade ideológica ou
administrativa.

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