quarta-feira, 6 de julho de 2022

PEDRO NUNO SANTOS – Uma carta fora do baralho

Pedro Nuno Santos é um dos ministros do actual governo que não consegue ser indiferente aos olhos dos portugueses. Desperta ódios e paixões com a mesma facilidade, e até parece fazer disto uma espécie de marca d’água da sua forma de intervir politicamente. Há quem o defenda, tão somente pela capacidade que ele tem em tomar decisões, mesmo quando estas sejam em desacerto com as directrizes do próprio governo, ou quando são tomadas com base em orientações puramente ideológicas.

Eu nunca gostei de figuras públicas que adoptam uma postura do tipo da de Nuno Pedro Santos. Não gosto da sua truculência, não gosto da sua arrogância, e não gosto das suas incoerências. Na sua actividade política sempre adoptou um comportamento muito pouco abonatório de uma figura de estado, a quem se exige uma postura de alguma contenção na linguagem, por maior que seja a razão que lhe assista.

Muitas são as gafes cometidas por Pedro Nuno Santos

A sua mulher Ana Catarina Gamboa, foi nomeada chefe de gabinete do secretário de Estado Adjunto dos Assuntos Parlamentares, com a justificação de “ninguém deve ocupar uma função profissional por favor, como ninguém deve ser prejudicado na sua vida profissional por causa do marido”, como se os únicos profissionais competentes sejam os familiares de políticos no activo.

A TAP mais parece uma novela em que diariamente, algo de estranho aconteça. A nomeação de Miguel Frasquilho para a presidência do Conselho de Administração, e logo no dia seguinte ter de revogar tal decisão, aparentemente, pela discordância de António Costa. Quando Pedro Nuno Santos pretendeu levar à discussão no Parlamento o Plano de Reestruturação da companhia. Também neste caso foi desautorizado por António Costa.

“Os alemães que se ponham fininhos, ou não pagamos a dívida”, “por os banqueiros alemães a tremer das pernas”, palavras para quê? É Pedro Nuno Santos no seu melhor.

A compra à RENFE de 36 carruagens que tinham sido retiradas de circulação no país vizinho por conterem amianto, transformou-se num excelente negócio para Pedro Nuno Santos, e que a retirada do amianto se resume a uma simples intervenção técnica. Este negócio valeu-lhe a alcunha de “Sucateiro”.

Os inúmeros conflitos com Alfredo Casimiro principal accionista da Groundforce, chegando mesmo a tornar pública uma conversa privada que com este mantivera, e que envolvia uma terceira pessoa, no caso concreto Humberto Pedrosa.

As permanentes altercações com Michael O’Leary presidente da RYANAIR, que lhe chamou “Pinóquio”, e atribui à TAP o epíteto de “companhia falhada”. De referir que perdeu sempre estas contendas para o irlandês.

A mais recente polémica de Pedro Nuno Santos, aproveitando a ausência do primeiro-ministro para definir a solução para o novo aeroporto que servirá a cidade de Lisboa. Tal medida foi feita à revelia de António Costa e do Partido Socialista, envolvia avançar para o Montijo, depois para Alcochete, e com o posterior encerramento da Portela. Não informou o seu chefe directo, nem tão pouco o nº dois do partido por ausência do primeiro-ministro, e nem mesmo o presidente da República. Esta atitude revela a forma e característica do ministro das Infra-estruturas, que é decidir prontamente e sem dar cavaco a ninguém. Isto valeu-lhe uma reprimenda de António Costa e uma humilhação pública a que este apelidou de humildade!

Muitos foram o que pediram a demissão do ministro pela gravidade da situação. António Costa, bem ao seu estilo, permite a uns o que condena de outros. Veja-se por exemplo os casos de Eduardo Cabrita e de João Soares. Por isso a confiança do primeiro-ministro em Pedro Nuno Santos, pode significar um dejá vu. O ministro “reconheceu o erro cometido e teve a humildade de o assumir”, porque se tratou de uma “falha de comunicação”. Por isso, Pedro Nuno Santos pode fazer parte deste governo, mas é uma carta fora do baralho. Ou seja, é um ministro a quem António Costa nunca irá permitir mais qualquer outra veleidade ideológica ou administrativa.

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