A invasão da Ucrânia deixou todo
o mundo ocidental em estado de choque. Há quem diga que fomos todos muito
ingénuos por não termos levado em linha de conta as ameaças do sr. Putin, nem
os exemplos do que se passou na Tchetchénia, na Síria, na Geórgia e na Crimeia –
é verdade! A concentração junto às fronteiras da Ucrânia de um contingente de
150.000 soldados, tinha outros propósitos, que a simples realização de
exercícios militares. A incredulidade do mundo ocidental perante a barbárie,
que diariamente nos invade, contrasta em igual medida com a tenacidade e
coragem de todos os ucranianos. Com um país praticamente arrasado pela
artilharia russa, sem água, sem comida e sem electricidade, não perde tempo com
lamentações, apenas pede mais armas para se defenderem. Mesmo os cenários horrendos
que observamos quando os russos abandonam uma cidade ocupada, não os demove na
sua resistência.
Podemos questionar o que consegue
manter este povo unido e coeso nesta luta inglória, perante um inimigo, muito
mais numeroso e mais bem equipado. Claro que os especialistas na matéria
poderão encontrar muitas explicações. Estou convencido que não é apenas coragem
e patriotismo. É algo que, apesar de observável, é imaterial. Eu acredito que
uma boa explicação para isto pode assentar na extraordinária capacidade do seu líder
de comunicar com o seu povo e, mais ainda, com o mundo.
Não se isenta de, diariamente, a
partir do seu gabinete, ou de uma rua em Kyev dirigir-se ao povo e ao mundo com
uma linguagem simples, mas muito assertiva e galvanizadora, dar conta do que se
passa no seu país invadido. Frases como: “Dêem-me munições não uma boleia”, “Quando
nos atacarem, vão ver os nossos rostos, não as nossas costas.”, são disso um bom
exemplo. Fazendo uso dos novos meios de comunicação, não perde um momento de por
em prática a sua diplomacia digital, e fazer dela a sua grande arma de
propaganda.
Das vitórias alcançadas e dos desaires
do ocupante. Vestindo uma T-shirt, com a barba por fazer, num discurso escorreito
e com o dramatismo adequado, vai dando conta do que está acontecendo no seu
país, e do que nos poderá acontecer se a invasão da Ucrânia for bem-sucedida.
Assumindo que o mundo livre só estará bem resguardado se lhes derem a ajuda
necessária para resistirem a um inimigo bem mais poderoso e equipado.
Sem esquecer que se trata do
líder dum país em guerra, devastado, e mesmo depois de receber o primeiro-ministro
espanhol em Kyev, ainda participou numa sessão solene na Assembleia da República,
constitui-se assim, como um inspirador herói para o seu povo e para o mundo. Um
discurso vigoroso e emocionante, não se esquecendo de referir o papel do 25 de
Abril como símbolo da liberdade do povo português e dos valores subjacentes que
orientam os dois povos.
Apenas um breve desabafo sobre o
comportamento incompreensível do PCP, sobre o discurso de Zelensky. Nada contra
a sua objecção - vivemos num país livre e democrático. Mas a argumentação para
justificar a sua posição é que é, no mínimo, uma aberração.
Zelensky domina as técnicas comunicacionais
com extraordinária habilidade, e isto faz dele um líder. Como disse Wiston
Churchill: “A diferença entre os humanos e os animais, é que os últimos nunca
permitem que um estúpido lidere a manada.” Isto descreve bem o que podemos
observar de um lado e de outro da barricada – entenda-se ucranianos e russos. O
PCP neste caso escolheu o lado errado da História.

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