sexta-feira, 22 de abril de 2022

ZELENSKY - UM PRODIGIO DA COMUNICAÇÃO

 


A invasão da Ucrânia deixou todo o mundo ocidental em estado de choque. Há quem diga que fomos todos muito ingénuos por não termos levado em linha de conta as ameaças do sr. Putin, nem os exemplos do que se passou na Tchetchénia, na Síria, na Geórgia e na Crimeia – é verdade! A concentração junto às fronteiras da Ucrânia de um contingente de 150.000 soldados, tinha outros propósitos, que a simples realização de exercícios militares. A incredulidade do mundo ocidental perante a barbárie, que diariamente nos invade, contrasta em igual medida com a tenacidade e coragem de todos os ucranianos. Com um país praticamente arrasado pela artilharia russa, sem água, sem comida e sem electricidade, não perde tempo com lamentações, apenas pede mais armas para se defenderem. Mesmo os cenários horrendos que observamos quando os russos abandonam uma cidade ocupada, não os demove na sua resistência.

Podemos questionar o que consegue manter este povo unido e coeso nesta luta inglória, perante um inimigo, muito mais numeroso e mais bem equipado. Claro que os especialistas na matéria poderão encontrar muitas explicações. Estou convencido que não é apenas coragem e patriotismo. É algo que, apesar de observável, é imaterial. Eu acredito que uma boa explicação para isto pode assentar na extraordinária capacidade do seu líder de comunicar com o seu povo e, mais ainda, com o mundo.

Não se isenta de, diariamente, a partir do seu gabinete, ou de uma rua em Kyev dirigir-se ao povo e ao mundo com uma linguagem simples, mas muito assertiva e galvanizadora, dar conta do que se passa no seu país invadido. Frases como: “Dêem-me munições não uma boleia”, “Quando nos atacarem, vão ver os nossos rostos, não as nossas costas.”, são disso um bom exemplo. Fazendo uso dos novos meios de comunicação, não perde um momento de por em prática a sua diplomacia digital, e fazer dela a sua grande arma de propaganda.

Das vitórias alcançadas e dos desaires do ocupante. Vestindo uma T-shirt, com a barba por fazer, num discurso escorreito e com o dramatismo adequado, vai dando conta do que está acontecendo no seu país, e do que nos poderá acontecer se a invasão da Ucrânia for bem-sucedida. Assumindo que o mundo livre só estará bem resguardado se lhes derem a ajuda necessária para resistirem a um inimigo bem mais poderoso e equipado.

Sem esquecer que se trata do líder dum país em guerra, devastado, e mesmo depois de receber o primeiro-ministro espanhol em Kyev, ainda participou numa sessão solene na Assembleia da República, constitui-se assim, como um inspirador herói para o seu povo e para o mundo. Um discurso vigoroso e emocionante, não se esquecendo de referir o papel do 25 de Abril como símbolo da liberdade do povo português e dos valores subjacentes que orientam os dois povos.

Apenas um breve desabafo sobre o comportamento incompreensível do PCP, sobre o discurso de Zelensky. Nada contra a sua objecção - vivemos num país livre e democrático. Mas a argumentação para justificar a sua posição é que é, no mínimo, uma aberração.

Zelensky domina as técnicas comunicacionais com extraordinária habilidade, e isto faz dele um líder. Como disse Wiston Churchill: “A diferença entre os humanos e os animais, é que os últimos nunca permitem que um estúpido lidere a manada.” Isto descreve bem o que podemos observar de um lado e de outro da barricada – entenda-se ucranianos e russos. O PCP neste caso escolheu o lado errado da História.


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