Com este grito Pedro Abrunhosa,
atirou a pedra para o charco em que se transformou este jardim à beira-mar
plantado, de brandos costumes, e que muito aprecia o politicamente correcto. O
músico protagonizou, ao longo da sua longa carreira, várias polémicas, abraçou
nobres causas e protagonizou-as sempre em nome próprio. Neste caso concreto,
marcou uma posição inequívoca, não só fez saber sobre de que lado estava neste
conflito, quando chamou o “boi pelo nome”, ao principal responsável pela tragédia
que o mundo e a Europa estavam longe de imaginar, pudesse ter lugar em pleno
séc. XXI.
Já actriz São José Lapa ao
criticar o cantor pelas suas afirmações contra Putin e a guerra da Ucrânia,
veio levantar uma série de dúvidas sobre uma personalidade da nossa vida
artística que muitos pensariam, não estar alinhada com as dos amantes
veneradores de autocracias, onde a liberdade de expressão é cerceada
diariamente. Se lhe podemos dar razão de que Abrunhosa, não fala em nome dos
portugueses, já não estará tão certa quando põe em causa a voz e a incoerência
do cantor.
Pedro Abrunhosa é um músico de créditos
firmados, que construiu uma carreira a pulso e sem fazer fretes a ninguém.
Tomou posições inquestionáveis quando se acorrentou ao Coliseu do Porto, com
vista a impedir a sua venda à IURD. Nos idos de 1994, também tomou o partido
contra a governação de Cavaco Silva. Não usou o politicamente correcto, e fê-lo,
uma vez mais, em nome pessoal. Já quanto a São José Lapa, que seja do meu
conhecimento, nunca protagonizou nada parecido.
A Reacção da Embaixada da Rússia,
também não surpreendeu ninguém. O comunicado que saiu a público, é uma
manifestação de uma (in)compreensível “coerência”, que também podemos encontrar
no nosso PCP e nos seus dirigentes. Naquelas paragens a liberdade de expressão
é apenas uma figura de estilo, que só está bem e é aceite, se for coincidente
com o pensamento do seu grande líder. E quem não cumprir estes preceitos de “respeito
e bons modos”, pode ir parar a um calabouço por ofensas ao Estado (Basta estar
na rua empunhando um papel em branco). Felizmente por cá ainda podemos ver que as
coisas não funcionam da mesma forma, por muito que isso custe a São José Lapa.
Quanto a mim, e lembrando o
soldado ucraniano na Ilha da Serpente, para a poderosa armada russa, subscrevo:
“Putin go fuck yourself”.

Sem comentários:
Enviar um comentário