Sempre defendi que bons profissionais devem ser bem remunerados, caso contrário, resta-nos ficar com segundas escolhas e as soluções desejadas não aparecem, por objectiva falta de competência. A abortada compra dos BMW’s era uma forma de remunerar (por fora) esses profissionais, que neste caso, consubstanciava um prémio de compensação. Os tão badalados prémios de desempenho atribuídos num ano em que a TAP registava prejuízos, era outra forma de remunerar os gestores de topo.
Também sempre defendi que a TAP
já há muito deveria ter sido alienada, como foi a IBÉRIA, aqui na nossa vizinha
Espanha. Tal não foi o entendimento dos poderes instituídos e tenho de aceitar,
por razão da legitimidade que lhes assiste. Foi com natural inquietação que vi
uma companhia de bandeira (o grande argumento) ser obrigada a abrir mão de
muitos dos seus aviões, ceder slots a uma companhia Low Cost, ver-se
na necessidade de despedir muitos dos seus activos e reduzir a massa salarial
dos seus quadros, a bem da sobrevivência da empresa. Mas se isto não bastasse,
ainda foram injectados 3,2 MM de euros dos nossos impostos, e mais 900.000
estão a caminho.
É, portanto, nesta conjuntura que
se dá a bronca com a Engª Alexandra Reis, por incompatibilidade entre este
quadro e a CEO da TAP. Com conhecimento do ministro das Infra-estruturas, é
autorizado uma solução negociada entre as partes para a rescisão do contracto
que a ligava à TAP. Aparentemente o Ministério das Finanças também teria uma
palavra a dizer sobre o assunto e, ao que parece, não foi informado, até porque
de Fernando Medina não detinha na altura a pasta das Finanças e o seu secretário
de estado não o informou(?). O facto da mulher de Fernando Medina ser naquela altura
directora jurídica da TAP, é apenas um mero pormenor.
Portanto, a indeminização paga a
Alexandra Reis, não tem nada de ilegal, ao que parece. Mas toda esta novela
revela um tratamento eticamente censurável e moralmente inadmissível. Ainda
mais, quando a dita senhora, saltou da TAP, para passados poucos meses assumir presidência
da NAV- Navegação Aérea de Portugal, tudo empresas públicas e tuteladas pelo
Estado; e depois convidada para a Secretária de Estado do Tesouro. Para não
falar dos repetidos tiques de nepotismo nas nomeações de familiares e amigos,
que percorrem lugares na administração pública e municipal, numa intricada teia
de interesses e de favorecimentos, que fatalmente, resultariam numa tremenda
complicação para António Costa.
Há quem defenda que a senhora
poderá ter que devolver os 500.000 euros, suspeito bem que não – a família e os
amigos estão lá para ajudar!

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