domingo, 1 de janeiro de 2023

AINDA O CASO DA INDEMINIZAÇÃO À ENGª ALEXANDRA REIS

 

Sempre defendi que bons profissionais devem ser bem remunerados, caso contrário, resta-nos ficar com segundas escolhas e as soluções desejadas não aparecem, por objectiva falta de competência. A abortada compra dos BMW’s era uma forma de remunerar (por fora) esses profissionais, que neste caso, consubstanciava um prémio de compensação. Os tão badalados prémios de desempenho atribuídos num ano em que a TAP registava prejuízos, era outra forma de remunerar os gestores de topo.

Também sempre defendi que a TAP já há muito deveria ter sido alienada, como foi a IBÉRIA, aqui na nossa vizinha Espanha. Tal não foi o entendimento dos poderes instituídos e tenho de aceitar, por razão da legitimidade que lhes assiste. Foi com natural inquietação que vi uma companhia de bandeira (o grande argumento) ser obrigada a abrir mão de muitos dos seus aviões, ceder slots a uma companhia Low Cost, ver-se na necessidade de despedir muitos dos seus activos e reduzir a massa salarial dos seus quadros, a bem da sobrevivência da empresa. Mas se isto não bastasse, ainda foram injectados 3,2 MM de euros dos nossos impostos, e mais 900.000 estão a caminho.

É, portanto, nesta conjuntura que se dá a bronca com a Engª Alexandra Reis, por incompatibilidade entre este quadro e a CEO da TAP. Com conhecimento do ministro das Infra-estruturas, é autorizado uma solução negociada entre as partes para a rescisão do contracto que a ligava à TAP. Aparentemente o Ministério das Finanças também teria uma palavra a dizer sobre o assunto e, ao que parece, não foi informado, até porque de Fernando Medina não detinha na altura a pasta das Finanças e o seu secretário de estado não o informou(?). O facto da mulher de Fernando Medina ser naquela altura directora jurídica da TAP, é apenas um mero pormenor.

Portanto, a indeminização paga a Alexandra Reis, não tem nada de ilegal, ao que parece. Mas toda esta novela revela um tratamento eticamente censurável e moralmente inadmissível. Ainda mais, quando a dita senhora, saltou da TAP, para passados poucos meses assumir presidência da NAV- Navegação Aérea de Portugal, tudo empresas públicas e tuteladas pelo Estado; e depois convidada para a Secretária de Estado do Tesouro. Para não falar dos repetidos tiques de nepotismo nas nomeações de familiares e amigos, que percorrem lugares na administração pública e municipal, numa intricada teia de interesses e de favorecimentos, que fatalmente, resultariam numa tremenda complicação para António Costa.

Há quem defenda que a senhora poderá ter que devolver os 500.000 euros, suspeito bem que não – a família e os amigos estão lá para ajudar!

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