Fomos todos surpreendidos com o valor astronómico que nos irá custar a construção do altar-palco para a visita do Papa Francisco a Portugal por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude. Temos que convir que, depois das indemnizações escandalosas pagas a uma administradora de uma empresa intervencionada pelo estado português, com o dinheiro dos nossos impostos, fácil é perceber a indignação que este episódio gerou.
Ainda há pouco li algures um
comentário que dizia basicamente que, tratando-se de uma organização da
igreja católica (Patriarcado de Lisboa), que seria esta que teria de arcar com
as despesas dessa mesma organização. Tanto mais que, vivemos num país laico, a igreja está isenta de impostos, e que Fátima
era uma autêntica máquina de fazer dinheiro (SIC).
Apesar de vivermos num país
laico, não faz muito sentido que o custo avaliado em 4,2 milhões de euros (+
IVA) para a construção de um altar-palco, para ser utilizado durante 5 dias,
convenhamos que representa algo de pornográfico, mais ainda porque a Câmara Municipal
de Lisboa afirma que a obra terá utilidade futura, mas não diz com que finalidade.
O contracto refere que a obra foi adjudicada por ajuste directo (mais um)
pela SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana, a empresa municipal da Câmara Municipal
de Lisboa responsável pelas obras no Parque Tejo, à construtora Mota-Engil.
Mais um ajuste directo e porquê a Mota-Engil? Justifica-se o montante da obra,
porque as especificações indicam que deverá garantir a permanência de 2.000
pessoas em simultâneo! Não podiam ser menos? Qual o destino futuro deste
altar-palco? Qual a contribuição do Patriarcado para o evento? São muitas
questões e poucas as explicações.
A Jornada Mundial da Juventude é
um evento com uma dimensão planetária e espera-se que Portugal possa receber
cerca de 1.500.000 de jovens. Naturalmente que estes jovens irão representar
uma entrada significativa de dividendos para o país, a que as autoridades e, em
especial, a Câmara Municipal de Lisboa não pode ficar indiferente a esta
evidência Mas o valor milionário das obras previstas, não se coadunam, nem com os
sacrifícios que os portugueses têm vindo a suportar, nem com a humildade que a
igreja apregoa (!?) aos seus fiéis (É mais fácil passar um camelo pelo fundo
de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus).
Pelo que consegui averiguar, o
Papa Francisco ainda não se pronunciou sobre assunto. O Papa tem sido uma voz sensata
numa igreja, também ela assolada por inúmeros e indesculpáveis escândalos, o que
terá ele a dizer desta obra faraónica. Na fase actual do que conhecemos, tenho
alguma dificuldade a aceitar este dispêndio com uma organização de uma
confissão religiosa, por maior que seja o interesse que ela possa representar
para o país. Será que se outra confissão religiosa pretendesse realizar um
evento semelhante, iríamos ser igualmente generosos. Creio que não.

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