terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

O PAÍS ESTÁ MELHOR. E OS PORTUGUESES?

 

O Partido Socialista, em 2015 chega ao poder por uma manobra, que cada um está no direito de qualificar. Após ter derrubado António José Seguro, invocando que os êxitos reclamados por Seguro eram “poucochinho”, face às arbitrariedades perpetradas por Passos Coelho. Ao tomar as rédeas do PS, e no seu primeiro confronto eleitoral, António Costa tem um desaire muito mais “poucochinho”, relativamente ao score do seu antecessor. Perante isto, deita mão à tábua de salvação que lhe oferecem, de bandeja, dois partidos da extrema esquerda, coisa que o insuspeito Mário Soares, sempre rejeitou. Entre meter a “viola no saco” e procurar ir à sua vida, ou agarrar-se a esta solução, António Costa não tinha outra solução, para garantir a sua sobrevivência política.

A solução governativa que ficou conhecida pelo governo da geringonça, permitiu satisfazer duas ambições: as das forças da extrema esquerda: experimentarem uma inusitada aproximação ao poder, por outro lado garantiu a sobrevivência política de António Costa. Goste-se ou não de António Costa, há que reconhecer-lhe ser um político experiente, ardiloso e ambicioso. Utilizou esta oportunidade para recuperar do fracasso, face a António José Seguro e aos militantes. Concomitantemente, beneficiou de uma oposição à direita em colapso, de uma conjuntura internacional muito favorável, e isto permitiu-lhe governar e conseguir alguns benefícios inegáveis. A saída do Défice Excessivo, os ganhos da economia, a subida das exportações, a redução do desemprego, etc. Todo este sucesso teve uma consequência trágica para a esquerda radical, foi secando a sua base de apoio, e era Costa que colhia os frutos deste sucesso.

Pelo meio ficaram algumas habilidades, como o superavit conseguido à custa das cativações, muito nepotismo, um executivo recheado de pessoas com um passado envolvido em inúmeras trapalhadas, para ser meigo. E sempre que algo corria mal, lá vinha o estafado slogan: a culpa é do Passos!

As sondagens foram dando sempre uma margem de conforto ao PS e a António Costa, o que determinou uma forma de governar com alguma sobranceria, como se viu na recente entrevista à VISÃO. Qualquer manifestação de um determinado sector de actividade, a resposta era: Habituem-se! Quando todos esperavam uma remodelação na formação deste novo governo, António Costa, resistiu. Resistiu até quando se sucederam infindável sucessão casos, casinhos e casões, a resposta foi uma solução minimalista e com a prata da casa. Mas quando as sondagens começaram a revelar o descontentamento dos portugueses, na entrevista à RTP 1, António Costa adopta uma linguagem e uma atitude diametralmente oposta à que deu à Visão.

Vivemos actualmente uma situação de inflação, o governo tem receitas que nunca teria imaginado e, por via disto, vai conseguir uma redução do défice e um aumento do crescimento. Ao mesmo tempo, assistimos a um SNS num caos, apesar dos muitos milhões lá investidos. Ao eternizar dos problemas com a TAP, onde lá se investiram, 3,2 mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes. A luta dos professores, parece não ter um fim à vista, com sérios problemas para alunos, pais e professores. O cabaz alimentar que não para de subir a cada dia que passa. A lentidão da justiça. Os problemas da habitação, que parecem não haver uma solução para um horizonte um pouco mais alargado.

De facto, os indicadores económicos mostram-nos um país que está a desenvolver-se como todos esperam, a grande incógnita é que nada disto se vê reflectido no dia a dia dos portugueses. É caso para pensar, se isto é assim porque é que não notamos isso nas nossas vidas? Quem souber que responda.

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