A TAP foi nacionalizada pelo
governo de António Costa, como uma solução de esquerda, em contraponto com a decisão
de Passos Coelho de a privatizar., nos tempos da Troika Colocou lá 3,2 MM€ dos
contribuintes para a sanear financeiramente, para agora a vender aos privados (!?).
Por muito que se tente encontrar alguma lógica para atender este imbróglio, revela-se,
de facto, muito difícil. Mesmo a lógica de ter uma companhia de bandeira, num
país pequeno, pobre e com uma companhia tecnicamente falida, deita por terra o
papel estrutural que essa empresa pudesse vir a representar. Mas eis senão
quando, a decisão é vendê-la novamente a privados. É preciso que se entenda
que, para além de tudo, teve de negociar a redução de salários com trabalhadores,
vender aviões, perder “slots”. Ou seja, ela hoje vale muito menos do que quando
foi nacionalizada!
Mas se tudo isto parece pouco,
depois da contratação de uma CEO - Christine Ourmieres-Widener, de
renome internacional e da implementação dum plano de reestruturação. Em Janeiro
passado, soube-se pela comunicação social de uma indemnização de 500.000 € pelo
despedimento de um quadro superior da empresa, por aparente incompatibilidade
com a CEO e com a anuência do ministro da tutela.
As coisas tornaram-se tão feias
que foi necessário constituir uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Logo na
primeira audição se percebeu que se tinha aberto uma caixa de Pandora. Desde
essa altura, percebe-se que a gestão deste processo por parte da tutela era
feita com um total desprezo a insensibilidade pelo dinheiro dos contribuintes,
com decisões tomadas e transmitidas por WattsApp, sem o conhecimento de outros
ministérios, sem atender sistematicamente as insistentes solicitações dos responsáveis
pela TAP, para decisões de peso.
Tal como uma Matrioska, cada uma
que se abre, descobre-se outra bem mais negra e complicada que a anterior.
Descobre-se um chorrilho de mentiras, para tentar justificar o inexplicável. Se
o caso de Alexandra Reis impressionou o comum dos mortais, as trapalhadas
sucedem-se a cada dia que passa. Já foram sacrificados o ministro Pedro Nuno
Santos, dois secretários de estado, a CEO e o charmain (em directo pela
TV) e hoje soube-se que mais um adjunto foi exonerado numa cena rocambolesca, digna
de um filme da classe B.
Muitas são as vozes que pedem a
cabeça de João Galamba e Fernando Medina, pelas trapalhadas originadas nos
respectivos gabinetes. Receio bem que a TAP, como companhia de bandeira, que foi
o grande argumento que suportou as decisões do governo de António Costa, se vá transformar
num rolo compressor que irá deitar fim a este executivo.
Sempre fui defensor que os mandatos
devem ser para cumprir até ao fim, quer se goste ou não. Mas a sucessão de
trapalhadas que diariamente nos brindam, penso que põe em causa o normal
funcionamento das instituições. E este pode ser o mote para que o papagaio-mor
tome uma posição inequívoca quanto ao desfecho para um governo que já não tem
nada para dar.
Só uma nota final. Vejo com
alguma perplexidade muita gente a condenar a nossa imprensa, os analistas, os
comentadores, que é de esgoto, que está feita com as forças reaccionárias de
direita, quando um governo de esquerda diariamente lhe dá material adequado
para alimentar o tal esgoto. Alguém me explique!

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