sexta-feira, 28 de abril de 2023

A TAP UMA COMPANHIA DE AVIAÇÃO OU UM ROLO COMPRESSOR

 

A TAP foi nacionalizada pelo governo de António Costa, como uma solução de esquerda, em contraponto com a decisão de Passos Coelho de a privatizar., nos tempos da Troika Colocou lá 3,2 MM€ dos contribuintes para a sanear financeiramente, para agora a vender aos privados (!?). Por muito que se tente encontrar alguma lógica para atender este imbróglio, revela-se, de facto, muito difícil. Mesmo a lógica de ter uma companhia de bandeira, num país pequeno, pobre e com uma companhia tecnicamente falida, deita por terra o papel estrutural que essa empresa pudesse vir a representar. Mas eis senão quando, a decisão é vendê-la novamente a privados. É preciso que se entenda que, para além de tudo, teve de negociar a redução de salários com trabalhadores, vender aviões, perder “slots”. Ou seja, ela hoje vale muito menos do que quando foi nacionalizada!

Mas se tudo isto parece pouco, depois da contratação de uma CEO - Christine Ourmieres-Widener, de renome internacional e da implementação dum plano de reestruturação. Em Janeiro passado, soube-se pela comunicação social de uma indemnização de 500.000 € pelo despedimento de um quadro superior da empresa, por aparente incompatibilidade com a CEO e com a anuência do ministro da tutela.

As coisas tornaram-se tão feias que foi necessário constituir uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Logo na primeira audição se percebeu que se tinha aberto uma caixa de Pandora. Desde essa altura, percebe-se que a gestão deste processo por parte da tutela era feita com um total desprezo a insensibilidade pelo dinheiro dos contribuintes, com decisões tomadas e transmitidas por WattsApp, sem o conhecimento de outros ministérios, sem atender sistematicamente as insistentes solicitações dos responsáveis pela TAP, para decisões de peso.

Tal como uma Matrioska, cada uma que se abre, descobre-se outra bem mais negra e complicada que a anterior. Descobre-se um chorrilho de mentiras, para tentar justificar o inexplicável. Se o caso de Alexandra Reis impressionou o comum dos mortais, as trapalhadas sucedem-se a cada dia que passa. Já foram sacrificados o ministro Pedro Nuno Santos, dois secretários de estado, a CEO e o charmain (em directo pela TV) e hoje soube-se que mais um adjunto foi exonerado numa cena rocambolesca, digna de um filme da classe B.

Muitas são as vozes que pedem a cabeça de João Galamba e Fernando Medina, pelas trapalhadas originadas nos respectivos gabinetes. Receio bem que a TAP, como companhia de bandeira, que foi o grande argumento que suportou as decisões do governo de António Costa, se vá transformar num rolo compressor que irá deitar fim a este executivo.

Sempre fui defensor que os mandatos devem ser para cumprir até ao fim, quer se goste ou não. Mas a sucessão de trapalhadas que diariamente nos brindam, penso que põe em causa o normal funcionamento das instituições. E este pode ser o mote para que o papagaio-mor tome uma posição inequívoca quanto ao desfecho para um governo que já não tem nada para dar.

Só uma nota final. Vejo com alguma perplexidade muita gente a condenar a nossa imprensa, os analistas, os comentadores, que é de esgoto, que está feita com as forças reaccionárias de direita, quando um governo de esquerda diariamente lhe dá material adequado para alimentar o tal esgoto. Alguém me explique!

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