terça-feira, 11 de abril de 2023

ÓH MÂE! AQUELE MENINO BATEU-ME

 

O momento político que vamos assistindo a cada dia que passa, conseguimos compreender o que é viver numa “república das bananas”. O governo de maioria absoluta vai enriquecendo o ecossistema, contribuindo com inúmeros casos, casinhos e casões. Os casos têm-se repetido com uma persistência totalmente imprevisível. Quando achávamos que já tínhamos batido no fundo, vem mais uma mentira, um despacho milionário por WhatsApp, uma demissão numa conferência de imprensa, ou uma nomeação de mais um familiar pela calada da noite, ou uma reunião secreta para “preparar” alguém para uma API. Perante tudo isto aparentemente, no passa nada! O primeiro-ministro depois de mais de uma semana de silêncio absoluto, e de partida para a Coreia do Sul, continua afirmando que não sabia de nada, porque se soubesse teria demitido imediatamente o secretário de estado - leia-se, o elo mais fraco.

O presidente da República acha que, não havendo uma alternativa real, não pode contribuir para agravar esta crise que se arrasta penosamente deste que este governo tomou posse, e que o normal funcionamento das instituições está garantido. Será?

A novela da TAP continua na ordem do dia, emergindo a cada dia um novo episódio carregando um dramatismo pior que do folhetim do dia anterior! Perante tudo o que se tem passado, tem alimentado o pagode da comunicação social, animadas com tardes informativas ricas de debates, que em nada contribuem para um cabal esclarecimento do telespectador, sobre os reais problemas que vamos ter de suportar. Mesmo o menos credível dos comentadores, encontram matéria suficiente para dissertarem e, diga-se com a legitimidade que a bandalheira instituída lhes confere, sobre tudo e mais um par de jarras.

Do outro lado do espelho, ou seja, os simpatizantes do PS, vociferam contra tudo o que é referido, quais donzelas ofendidas perante uns piropos brejeiros atirados por um conjunto de trolhas, que me perdoem os trolhas. Para esta gente e, passadas que são apenas duas inquirições parlamentares, os detalhes revelados sobre a maneira demasiado informal como se geria a empresa onde o contribuinte português enterrou 3,2 M€. Acham que tudo isto é normal, e as críticas não passa de uma cabala (José Sócrates deixou descendência) para prejudicar o PS. Um pouco de autocrítica não faria mal a esta gente, para perceber que um problema com a magnitude que o caso TAP envolve, não pode ser resolvido por princípios ideológicos. Eu, como muitos portugueses podem não querer uma companhia de bandeira, se for para ser gerida desta forma. Se a intenção é privatizá-la, tudo o que tem sido feito, é no sentido de a vender barata. E se as coisas continuarem por este caminho, oferecê-la pode, eventualmente, ser a solução menos onerosa para todos nós. Porque recuperar os milhões lá investidos ninguém acredita que será possível concretizar.

Por tudo isto o comportamento destes simpatizantes, faz-me lembrar uma frase que se dizia na minha terra: “Faz o choro e a caramunha”, ou talvez aquela situação que envolve uma arenga de crianças, em que aquele que perdeu a querela: Oh! Mãe, aquele menino bateu-me!

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