Já aqui uma vez escrevi que considerava
António Costa um político intelectualmente desonesto e hipócrita. Ao longo dos
anos da sua governação, vários episódios contribuíram para confirmar esta tese.
A sua matreirice, atingiu o vértice nos acontecimentos do dia de ontem, com a
novela protagonizada por João Galamba, nos acontecimentos que envolveram um seu
assessor.
A “pseudo-demissão” de João
Galamba, é disto um exemplo mais do que evidente. Quando no dia 1 o ministro
das infra-estruturas, aparece a contar a sua versão do episódio rocambolesco
ocorrido no seu ministério afirma, sem margem para dúvidas, que sentia ter
todas as condições para continuar à frente do ministério. Ou seja, afasta liminarmente
que a ocorrer uma demissão não seria por sua iniciativa. Podemos concluir que
na reunião na manhã do dia de ontem, tenha sido essa a sua postura junto do 1º
ministro. Também na conferência de imprensa de António Costa ao fim da tarde,
parece concluir-se que esse era também o seu entendimento.
A posição do presidente da
República, bem como da generalidade dos portugueses, incluindo muitos pesos
pesados do PS, era de que a posição de João Galamba revelava uma grande
fragilidade, nomeadamente junto da CPI a quem ele mentiu (a CEO da TAP é que
tinha tido a iniciativa de participar na malfadada reunião), pelas eventuais
notas que Frederico Pinheiro tinha na sua posse.
Por tudo isto torna-se difícil de
entender aquele pedido de demissão ao fim da tarde, para pouco tempo depois
António Costa afirmar, categoricamente, não aceitar a sua demissão. Quem mudou
de ideias em pouco menos de 12 horas: Galamba ou Costa? Tudo parece ter sido
combinado para dificultar aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa possa fazer, que
era a dissolução da AR, ou demissão deste governo. Qualquer uma destas soluções
agradariam a Costa, como forma de se vitimizar e aproveitar ainda algum benefício
que as sondagens ainda vão conferindo ao PS. Marcelo sabe que essa solução
nunca colheu a sua simpatia, pelo menos enquanto não houvesse uma alternativa credível
a este governo. Também sabe que afrontar Marcelo, não lhe garante que a sua
vida de governante, daqui para a frente não irá ser nada fácil. A este
propósito, lembro-me de um ditado brasileiro que diz: ”não se deve cutucar a
onça com vara curta”.
Calculo que Marcelo não irá tomar nenhuma
decisão drástica, pelo menos por agora, mas não vai deixar de fazer a vida
negra a António Costa. E tem muito por onde chatear: a execução do PRR, a
novela da TAP e o que se for descobrindo na CPI, o estado do SNS, o Verão que
se aproxima e o drama dos incêndios, o problema dos professores, etc.
António Costa esticou a corda de
forma surpreendente, contra tudo e contra todos. Quando ela partir é que se vai
perceber quem vai ser mais atingido, se o 1º ministro, se o presidente. Uma coisa
é certa, todos conhecemos as animosidades de Marcelo Rebelo de Sousa. Em toda
esta encenação a que ontem assistimos, começa uma comédia de mau gosto numa
tragédia grega, porque Marcelo não vai esquecer o “optimismo irritante” de
António Costa, até porque, “a vingança é uma prato que se serve frio…”

Assino por baixo, no todo, a tua linha de pensamento em relação a António Costa e a sua forma de estar e fazer política. Abraço.
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