quarta-feira, 3 de maio de 2023

A NOVELA JOÃO GALAMBA ou A GRANDE ENCENAÇÃO

 

Já aqui uma vez escrevi que considerava António Costa um político intelectualmente desonesto e hipócrita. Ao longo dos anos da sua governação, vários episódios contribuíram para confirmar esta tese. A sua matreirice, atingiu o vértice nos acontecimentos do dia de ontem, com a novela protagonizada por João Galamba, nos acontecimentos que envolveram um seu assessor.

A “pseudo-demissão” de João Galamba, é disto um exemplo mais do que evidente. Quando no dia 1 o ministro das infra-estruturas, aparece a contar a sua versão do episódio rocambolesco ocorrido no seu ministério afirma, sem margem para dúvidas, que sentia ter todas as condições para continuar à frente do ministério. Ou seja, afasta liminarmente que a ocorrer uma demissão não seria por sua iniciativa. Podemos concluir que na reunião na manhã do dia de ontem, tenha sido essa a sua postura junto do 1º ministro. Também na conferência de imprensa de António Costa ao fim da tarde, parece concluir-se que esse era também o seu entendimento.

A posição do presidente da República, bem como da generalidade dos portugueses, incluindo muitos pesos pesados do PS, era de que a posição de João Galamba revelava uma grande fragilidade, nomeadamente junto da CPI a quem ele mentiu (a CEO da TAP é que tinha tido a iniciativa de participar na malfadada reunião), pelas eventuais notas que Frederico Pinheiro tinha na sua posse.

Por tudo isto torna-se difícil de entender aquele pedido de demissão ao fim da tarde, para pouco tempo depois António Costa afirmar, categoricamente, não aceitar a sua demissão. Quem mudou de ideias em pouco menos de 12 horas: Galamba ou Costa? Tudo parece ter sido combinado para dificultar aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa possa fazer, que era a dissolução da AR, ou demissão deste governo. Qualquer uma destas soluções agradariam a Costa, como forma de se vitimizar e aproveitar ainda algum benefício que as sondagens ainda vão conferindo ao PS. Marcelo sabe que essa solução nunca colheu a sua simpatia, pelo menos enquanto não houvesse uma alternativa credível a este governo. Também sabe que afrontar Marcelo, não lhe garante que a sua vida de governante, daqui para a frente não irá ser nada fácil. A este propósito, lembro-me de um ditado brasileiro que diz: ”não se deve cutucar a onça com vara curta”.

 Calculo que Marcelo não irá tomar nenhuma decisão drástica, pelo menos por agora, mas não vai deixar de fazer a vida negra a António Costa. E tem muito por onde chatear: a execução do PRR, a novela da TAP e o que se for descobrindo na CPI, o estado do SNS, o Verão que se aproxima e o drama dos incêndios, o problema dos professores, etc.

António Costa esticou a corda de forma surpreendente, contra tudo e contra todos. Quando ela partir é que se vai perceber quem vai ser mais atingido, se o 1º ministro, se o presidente. Uma coisa é certa, todos conhecemos as animosidades de Marcelo Rebelo de Sousa. Em toda esta encenação a que ontem assistimos, começa uma comédia de mau gosto numa tragédia grega, porque Marcelo não vai esquecer o “optimismo irritante” de António Costa, até porque, “a vingança é uma prato que se serve frio…”

1 comentário:

  1. António Ernesto Macedo Oliveira16 de julho de 2023 às 09:27

    Assino por baixo, no todo, a tua linha de pensamento em relação a António Costa e a sua forma de estar e fazer política. Abraço.

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