António Costa o animal político a
quem toda a gente reconhece não ser de todo uma pessoa que alguém, no seu
prefeito juízo, pretenda ter como amigo. A sua já longa carreira política foi sempre
pautada por um desmesurado vontade de se impor, e por um profundo egoísmo
relativamente a tudo e todos. Aqueles que lhe são próximos, apenas são
importantes, enquanto servirem para lhe alimentarem a sua vontade e, logo que
esta esteja satisfeita, ou aqueles deixarem de lhe interessar, deixa-os cair
com uma sepulcral indiferença. Muitos são os casos que se podem enumerar:
António José Seguro – Fez-lhe a
vida negra numa disputa interna, perfeitamente legítima, desvalorizando as
conquistas de AJS, por serem “poucochinho”. Logo que tomou as rédeas do partido
registou uma derrota significativa (nada “poucochinho”), e assumiu os destinos
do partido como se essa derrota fosse do seu antecessor.
José Sócrates – Foi a segunda
figura do XVII Governo Constitucional como ministro da Ministro de Estado e da
Administração Interna. Quando Sócrates caiu em desgraça, nunca reconheceu os
erros daquele Governo, e inventou os dois mantras, que até hoje usa ad nauseum:
“Sócrates vai lutar pela sua verdade", e “à política o que é da
política, e à justiça o que é da justiça”. Nunca foi capaz de ter
uma palavra nem em defesa, nem para condenar os desmandos de Sócrates, porque
isso naturalmente também o implicava. Tal como Júlio César disse: “Não há
frio tão intenso e congelante quanto o da indiferença.”
Diogo Lacerda Machado – Seu amigo
e conhecido desde os bancos da faculdade de Direito. Convidou-o para seu
padrinho de casamento. Chegou mesmo a declarar publicamente Diogo Lacerda
Machado como o seu melhor amigo. A partir daí, recomendou-o para
secretário de Estado de Guterres. Já como primeiro-ministro encarregou-o, como
seu homem de confiança, de negociar os dossiers do caso dos lesados do BES, do
Caso de Isabel dos Santos e da reprivatização da TAP. Algumas destas
intervenções com uma incompreensível informalidade. Agora foi indiciado por
tentar influenciar em favor dos negócios do Lítio e do Hidrogénio. Este
processo onde António Costa também se encontra envolvido em mais de 20 escutas
telefónicas, que constam nos autos e que desencadeou o pedido de demissão do
primeiro-ministro. Quando as coisas deram para o torto, António Costa
com uma decisão Salomónica, deixa cair o padrinho em directo pelas televisões,
lamentando-se: "Apesar de eu ter dito, num momento de infelicidade, que
ele era o meu melhor amigo, aquilo que é a realidade é que um primeiro-ministro
não tem amigos.”
Vitor Escária – Foi alguém que
esteve sempre muito próximo dos governos socialistas e foi pela mão de José
Sócrates que começou a percorrer os corredores do poder e com António Costa
chegou a chefe de gabinete. Foi designado para negociar a intervenção da
Troika. Esteve envolvido no caso GalpGate. Com um passado que envolveram negócios
obscuros, apesar de muito lucrativos com Nicolás Maduro. Alguns trabalhos em
Angola são aduzidos como justificação para o aparecimento de 75800 €, disfarçados
em envelopes entre livros e numa caixa de vinho no gabinete do António Costa.
É certo que a António Costa não
lhe restava outra coisa do que a decisão que tomou, face à gravidade dos
relatos vindos a lume. Mas estes colaboradores directos e, particularmente
próximos de António Costa foram uma escolha sua e impressiona a frieza com que
os deixou cair.
Curiosamente, ou talvez não, o
ministro mais polémico do seu Governo - João Galamba, caído em desgraça e agora
também demissionário, há já muito tempo consagrou-lhe uma fidelidade que
contrasta com a forma como tratou os camaradas atrás referidos. É, no mínimo,
curioso!
À semelhança de Pilatos, António
Costa também lavou as mãos quando teve de tomar uma decisão importante.

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