terça-feira, 14 de novembro de 2023

ANTÓNIO COSTA - UM AMIGO QUE NINGUÉM QUER

 

António Costa o animal político a quem toda a gente reconhece não ser de todo uma pessoa que alguém, no seu prefeito juízo, pretenda ter como amigo. A sua já longa carreira política foi sempre pautada por um desmesurado vontade de se impor, e por um profundo egoísmo relativamente a tudo e todos. Aqueles que lhe são próximos, apenas são importantes, enquanto servirem para lhe alimentarem a sua vontade e, logo que esta esteja satisfeita, ou aqueles deixarem de lhe interessar, deixa-os cair com uma sepulcral indiferença. Muitos são os casos que se podem enumerar:

António José Seguro – Fez-lhe a vida negra numa disputa interna, perfeitamente legítima, desvalorizando as conquistas de AJS, por serem “poucochinho”. Logo que tomou as rédeas do partido registou uma derrota significativa (nada “poucochinho”), e assumiu os destinos do partido como se essa derrota fosse do seu antecessor.

José Sócrates – Foi a segunda figura do XVII Governo Constitucional como ministro da Ministro de Estado e da Administração Interna. Quando Sócrates caiu em desgraça, nunca reconheceu os erros daquele Governo, e inventou os dois mantras, que até hoje usa ad nauseum: “Sócrates vai lutar pela sua verdade", e “à política o que é da política, e à justiça o que é da justiça”. Nunca foi capaz de ter uma palavra nem em defesa, nem para condenar os desmandos de Sócrates, porque isso naturalmente também o implicava. Tal como Júlio César disse: “Não há frio tão intenso e congelante quanto o da indiferença.”

Diogo Lacerda Machado – Seu amigo e conhecido desde os bancos da faculdade de Direito. Convidou-o para seu padrinho de casamento. Chegou mesmo a declarar publicamente Diogo Lacerda Machado como o seu melhor amigo. A partir daí, recomendou-o para secretário de Estado de Guterres. Já como primeiro-ministro encarregou-o, como seu homem de confiança, de negociar os dossiers do caso dos lesados do BES, do Caso de Isabel dos Santos e da reprivatização da TAP. Algumas destas intervenções com uma incompreensível informalidade. Agora foi indiciado por tentar influenciar em favor dos negócios do Lítio e do Hidrogénio. Este processo onde António Costa também se encontra envolvido em mais de 20 escutas telefónicas, que constam nos autos e que desencadeou o pedido de demissão do primeiro-ministro. Quando as coisas deram para o torto, António Costa com uma decisão Salomónica, deixa cair o padrinho em directo pelas televisões, lamentando-se: "Apesar de eu ter dito, num momento de infelicidade, que ele era o meu melhor amigo, aquilo que é a realidade é que um primeiro-ministro não tem amigos.

Vitor Escária – Foi alguém que esteve sempre muito próximo dos governos socialistas e foi pela mão de José Sócrates que começou a percorrer os corredores do poder e com António Costa chegou a chefe de gabinete. Foi designado para negociar a intervenção da Troika. Esteve envolvido no caso GalpGate. Com um passado que envolveram negócios obscuros, apesar de muito lucrativos com Nicolás Maduro. Alguns trabalhos em Angola são aduzidos como justificação para o aparecimento de 75800 €, disfarçados em envelopes entre livros e numa caixa de vinho no gabinete do António Costa.

É certo que a António Costa não lhe restava outra coisa do que a decisão que tomou, face à gravidade dos relatos vindos a lume. Mas estes colaboradores directos e, particularmente próximos de António Costa foram uma escolha sua e impressiona a frieza com que os deixou cair.

Curiosamente, ou talvez não, o ministro mais polémico do seu Governo - João Galamba, caído em desgraça e agora também demissionário, há já muito tempo consagrou-lhe uma fidelidade que contrasta com a forma como tratou os camaradas atrás referidos. É, no mínimo, curioso!

À semelhança de Pilatos, António Costa também lavou as mãos quando teve de tomar uma decisão importante.

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