terça-feira, 7 de novembro de 2023

QUANDO MORREM TODOS ABRAÇADOS

 

Já por diversas vezes aqui abordei a acção política de António Costa, e sempre afirmei as minhas profundas suspeitas da seriedade do nosso ex-primeiro ministro. O meu primeiro escrito neste Blog em que referi António Costa (18/02/2019), intitulava-se – “António Costa um político intelectualmente desonesto”. O decorrer do tempo, e dentro daquilo que eu entendo ser o comportamento de um político, só vem reforçar as minhas convicções daquilo que na altura escrevi. Recordo-me de, por diversas vezes, ter recebido acusações de não respeitar o princípio da presunção de inocência de quem se vê envolvido em processos judiciais não transitados em julgado. O meu entendimento nessa altura e agora, era de que nada nos impede de fazer um julgamento moral de alguém que, por razões mais diferentes atravessam a nossa vida. Da mesma forma que, enquanto educadores recomendamos a um filho de evitar uma má companhia, isso não implica outra coisa que um julgamento moral, sobre os valores que defendemos e que essa ”má companhia” representa com influência negativa.

António Costa revelou-se sempre um político manhoso, truculento, determinado (eu diria casmurro), com uma agenda muito própria, e que se soube rodear sempre de um grupo restrito e obediente de uns amigalhaços, sempre dispostos a dar o peito às balas quando as coisas não correm bem. Há quem veja nisto um gesto nobreza de António Costa na defesa intransigente de muitos dos seus amigos, mesmo quando as evidências apontavam erros grosseiros que não podem ser desculpados. Foram os casos de Constança Urbano de Sousa, Eduardo Cabrita, Gomes Cravinho, Marta Temido e o incontornável João Galamba. Este gesto pode ser visto como nobre e solidários, mas quando as coisas dão para o torto, é como aquele que se atira ao mar para salvar o amigo e acaba por se afogar com ele. Os acontecimentos de hoje são o corolário disto mesmo – vão morrer todos abraçados. As suspeitas sobre os negócios do lítio e do hidrogénio verde, já se arrastam há muito. Os principais protagonistas, ou envolvidos nestes negócios, são os mesmo que hoje foram constituídos arguidos. Desta vez o nome de António Costa foi referido por ter "o conhecimento da invocação por suspeitos do nome e da autoridade do primeiro-ministro e da sua intervenção para desbloquear procedimentos no contexto da extracção de lítio em Montalegre”.

O que me preocupa é que todos os casos e casinhos reconhecido por António Costa, e que acabaram por resultar no terramoto que hoje veio a púbico, é o facto de constituírem um padrão e com os suspeitos do costume. Pior ainda, é que no horizonte as alternativas não abundam, ou que as suas qualidades não auguram tempos melhores para este pobre país que merecia mais e melhor.

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