Já por diversas vezes aqui
abordei a acção política de António Costa, e sempre afirmei as minhas profundas
suspeitas da seriedade do nosso ex-primeiro ministro. O meu primeiro escrito
neste Blog em que referi António Costa (18/02/2019), intitulava-se – “António
Costa um político intelectualmente desonesto”. O decorrer do tempo, e dentro
daquilo que eu entendo ser o comportamento de um político, só vem reforçar as
minhas convicções daquilo que na altura escrevi. Recordo-me de, por diversas
vezes, ter recebido acusações de não respeitar o princípio da presunção de
inocência de quem se vê envolvido em processos judiciais não transitados em
julgado. O meu entendimento nessa altura e agora, era de que nada nos impede de
fazer um julgamento moral de alguém que, por razões mais diferentes atravessam
a nossa vida. Da mesma forma que, enquanto educadores recomendamos a um filho
de evitar uma má companhia, isso não implica outra coisa que um julgamento
moral, sobre os valores que defendemos e que essa ”má companhia” representa com
influência negativa.
António Costa revelou-se sempre
um político manhoso, truculento, determinado (eu diria casmurro), com uma
agenda muito própria, e que se soube rodear sempre de um grupo restrito e
obediente de uns amigalhaços, sempre dispostos a dar o peito às balas quando as
coisas não correm bem. Há quem veja nisto um gesto nobreza de António Costa na
defesa intransigente de muitos dos seus amigos, mesmo quando as evidências
apontavam erros grosseiros que não podem ser desculpados. Foram os casos de Constança
Urbano de Sousa, Eduardo Cabrita, Gomes Cravinho, Marta Temido e o
incontornável João Galamba. Este gesto pode ser visto como nobre e solidários,
mas quando as coisas dão para o torto, é como aquele que se atira ao mar para
salvar o amigo e acaba por se afogar com ele. Os acontecimentos de hoje são o
corolário disto mesmo – vão morrer todos abraçados. As suspeitas sobre os
negócios do lítio e do hidrogénio verde, já se arrastam há muito. Os principais
protagonistas, ou envolvidos nestes negócios, são os mesmo que hoje foram constituídos
arguidos. Desta vez o nome de António Costa foi referido por ter "o
conhecimento da invocação por suspeitos do nome e da autoridade do
primeiro-ministro e da sua intervenção para desbloquear procedimentos no
contexto da extracção de lítio em Montalegre”.
O que me preocupa é que todos os
casos e casinhos reconhecido por António Costa, e que acabaram por resultar no
terramoto que hoje veio a púbico, é o facto de constituírem um padrão e com os
suspeitos do costume. Pior ainda, é que no horizonte as alternativas não
abundam, ou que as suas qualidades não auguram tempos melhores para este pobre
país que merecia mais e melhor.

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