terça-feira, 28 de novembro de 2023

Portugal um país de pobres!

 

O jornal Público de hoje, para além da sondagem sobre as próximas legislativas, apresenta um estudo sobre a pobreza em Portugal, que é, no mínimo assustador! Basicamente diz que existem neste momento 2,1 milhões de pobres, e que a taxa de risco de pobreza subiu para 17%. Este risco é particularmente significativo na Área Metropolitana de Lisboa, nos Açores e na Madeira. Este estudo também refere o aumento das desigualdades na distribuição de rendimentos, particularmente nas zonas urbanas. O artigo refere ainda: “Se não fossem contabilizadas as prestações sociais, 41,8% dos residentes do país estariam em risco de pobreza no ano passado.”

Isto é tanto mais preocupante quanto se houve encher a boca com: excedentes orçamentais, com a subida do país no rating da Mody’s, com a convergência com a EU, com as centenas de milhões que são injectados sobre todos os sectores que se queixam, com a subida, nunca vista do salário mínimo nacional. Apesar de tudo, a conclusão a que se chega é que o país pode estar melhor(!?). Mas será que os portugueses vivem melhor?

O estudo não refere as causas mais prováveis para este flagelo que não para de aumentar. A responsabilidade de muitas famílias em fazer face ao aumento brutal dos empréstimos para compra de habitação, à taxa de inflação, ao aumento dos preços dos bens essenciais, e podem muito bem explicar a necessidade de cortar noutros gastos para garantir, pelo menos, um tecto para a família.
As causas naturalmente serão muito mais profundas. Elas são muitas e variadas. Qualquer intervenção que tenha de ser feita para contrariar esta realidade, leva algum tempo a produzir efeito. O que assusta é o padrão sempre crescente de insegurança que os portugueses vivem. Em que cada dia que passa, vêm que os seus rendimentos chegam cada vez para menos, para satisfazer as suas mais elementares necessidades. Temos a geração mais bem preparada de sempre e que já não quer trabalhar em Portugal, exactamente porque não vêm que o esforço que eles e os pais fizeram na sua preparação seja retribuído com uns míseros 1000 euros. Somos cada vez mais um país de velhos, que se arrastam por aí com pensões de miséria, cortando na medicação para que sobre algo para satisfazer a fome. Há dias noticiava um jornal: “Os sem-abrigo aumentaram 78% em quatro anos: são mais de 10 mil, entre homens, mulheres, jovens, idosos, estrangeiros…

Estamos no limiar de comemorar a Revolução dos Cravos. Cinquenta anos depois é preciso reconhecer que temos um país completamente diferente, mas que as esperanças que todos depositaram nesse feito, está muito longe de estar cumprido. Cada vez mais os nossos concidadãos passam necessidades e privações impensáveis para aqueles capitães de Abril quando pensaram o movimento. É triste, mas é verdade.

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