Pedro Nuno Santos foi a escolha
do PS para disputar as próximas eleições marcadas para Março. Sabemos pela sua
boca que é oriundo de uma modesta e humilde família de São João da Madeira,
cujo avô era um simples sapateiro. Já o pai, um abastado industrial de calçado,
não faz muitas referências, apesar de no início da sua actividade política não
se coibir de se passear ao volante de um potente Maserati Quattroporte,
emprestado pelo papá bem-sucedido. Também parece que comprou, e vendeu à pressa
um Porshe 911, por pura incongruência partidária e ideológica.
No seu curriculum político
apresenta muitas e variadas qualidades. Entre elas destaca-se a sua
competência, inconformismo, combatividade e determinação. Foi também a ele que
António Costa recorreu quando necessitou de arranjar uma solução para resolver
o seu desaire eleitoral de 2015. Acredito que a formação da geringonça tenha
sido uma criação de António Costa, mas o verdadeiro obreiro daquela solução foi
Pedro Nuno Santos. Talvez por isso, agora assuma com igual determinação que, se
necessitar, será uma solução para repetir. Mas esta colagem à esquerda, não o
impede de agora se afirmar social-democrata! Ou não estivessem as eleições aí à
porta.
Igualmente são muitos os seus
defeitos, talvez até consequência das suas qualidades. Ou seja, a sua natural
impulsividade impede-lhe de ter a noção das responsabilidades, e a calma e da
ponderação exigidos a um estadista, coisa que manifestamente não é. Veja-se a
sua precipitação na escolha da localização do aeroporto, à revelia do
primeiro-ministro. Teve de passar pela humilhação pública de ter de dar o dito
por não dito. Igualmente a nomeação de Miguel Frasquilho para presidente do
Concelho de Administração da TAP, mereceu a reprovação de António Costa, e a
decisão teve de ser revertida. A embrulhada que envolveu a demissão de
Alexandra Reis (não se lembrava), e a milionária indemnização foi despachada
por mensagens de WattsApp! Para alguém de origens humildes, despachar meio
milhão de € por mensagem não parece muito razoável. A sua mulher Ana Catarina
Gamboa, foi nomeada chefe de gabinete do secretário de Estado Adjunto e dos
Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro. Esta nomeação mereceu da parte de PNS
a maior indiferença. A compra das carruagens a Espanha (carregadas de amianto),
mereceram-lhe o epíteto de ministro “sucateiro”, e a solução foi apresentada
como muito boa porque: “A remoção do amianto é um procedimento técnico muito
fácil”! A divulgação de uma gravação de uma conversa privada com um alto
cargo da Grandforce e os “mimos” trocados com o CEO da Ryanair, são mais alguns
aspectos da personalidade de alguém que quer ser primeiro-ministro de Portugal.
"O combate à corrupção constitui uma tarefa prioritária indeclinável do
Estado", foi uma insistente afirmação de campanha. Caso para
perguntar, porque não se empenhou neste combate nos anos que levou como membro
do governo, ou mais recentemente como deputado?
Estou convencido que as próximas
eleições vão ser disputadas de uma forma muito mediatizada e, deste ponto de
vista, PNS não está à vontade num debate olhos nos olhos. Nota-se um repentismo
atabalhoado nas suas respostas que lhe irá ser prejudicial nos tempos que agora
se avizinham. Será que se vai furtar a debates com os seus oponentes durante a
campanha, tal como fez nas eleições internas do PS. Não há intervenção na
campanha em que não assuste com o “estafado” cortes nas pensões. Pelo contrário,
não pestanejou ao torrar 3,2 MM de euros na TAP. E, já agora, quando os iremos recuperar?
Será que iremos ter um
primeiro-ministro que irá despachar os enormes desígnios que o cargo acarreta,
da mesma forma que decidiu a localização do aeroporto? Será que os despachos
continuarão de ser efectuados por SMS (Short Message Service)?
Quanto ao futuro imediato e
naquilo que preocupa os cidadãos: o caos no SNS, as lutas dos médicos e dos
enfermeiros, a crise na habitação, o estado de carência da escola pública –
NADA! Subitamente mostrou-se disponível para atender à recuperação do tempo de
serviços dos professores (!?!) Para rematar, Pedro Nuno Santos também se
converteu ao mantra das contas certas. Mas as contas certas que nos deram nos
últimos 8 anos, foram conseguidas com as fabulosas cativações que conduziram à
falência do tão apregoado Estado Social, apesar de uma conjuntura económica muito
favorável, e do conforto de uma maioria absoluta. Ou então vai cumprir a
promessa antiga: “… não pagamos. Ou os senhores se põem finos, ou não
pagamos!”
É bom que os eleitores pensem
nisto quando forem votar. Eu por mim, não tenho qualquer tipo de dúvidas.

Sem comentários:
Enviar um comentário