Figura 1 Dois bonitos exemplares
O povoamento das ilhas dos Açores
começou por volta de meados de 1400. Desde logo que os primeiros povoadores se aperceberam
das condições muito favoráveis, que as ilhas dispunham para a criação de gado.
Calcula-se que logo no início do séc. XVI já os cães pastores desempenhavam um
papel importante.
Os especialistas afirmam que
todos os primeiros cães introduzidos nos Açores foram os <mastins e alões.
Foram também estes cães que estão na origem das três principais raças de cães
açorianas: o Cão de Fila de São Miguel, o Barbado da Terceira e o
Cão de Fila da Terceira, infelizmente já extinto. Se esta foi o ponto de
partida, cada uma das raças seguiu caminhos distintos, porque as necessidades
eram também distintas. Essa evolução, apesar disto, não revela grandes
diferenças morfológicas antes, porém um caminho muito similar em termos
funcionais. Ou seja, desenvolveram-se tendo em conta a necessidade de um cão de
trabalho, que ajudassem o pastor no seu dia a dia.
O Cão de Fila de São Miguel
é, por definição um cão pastor e, por isso mesmo, é referido frequentemente como
o “Cão das Vacas”. Foi originado a partir de muitas raças introduzidas
no arquipélago. Pelo que consegui apurar não houve nem um caminho, nem um
projecto para conseguir um animal com características perfeitamente definidas.
É natural que este trabalho de selecção tenha tido a participação de muita
gente, de muitos animais, até se fixar um animal com características
morfológicas, funcionais e temperamentais muito bem definidas

Figura 2 Estátua do Cão de Fila de São Miguel em Vila
Franca do Campo
As raças mais referidas como as
que estiveram na origem do Cão de Fila de São Miguel são: o Rafeiro
Alentejano, o Mastim Inglês, o Dogue de Bordéus, o Bulldog
Inglês, o Cão de Santo Huberto, e ainda um cão espanhol, originário
das Ilhas Canárias o Dogo Canário.
O Cão de Fila de São Miguel
pode caracterizar-se como sendo um animal muito inteligente, de uma grande
robustez física, destemido e auto-confiante. Tem um temperamento arguto, apresenta
alguma vivacidade, rústico, revela alegria no trabalho de condução dos animais.
Obedece cegamente ao dono, embora revele alguma desconfiança com estranhos. Tem
um temperamento meigo e protector, apesar do seu aspecto algo agressivo
(peitorais desenvolvidos e olhar fixo e enérgico).
Embora existam referências ao Cão
de Fila de São Miguel desde o início do séc. XIX, só em 1982 e pela iniciática de
António José Amaral e de Maria de Fátima Machado Mendes Cabral, que se
começa a realizar um censo dos animais existentes, bem como o trabalho de
registo para a definição do estalão. Mas só em 2008 a raça é homologada pela Fédération
Cynologique Internationale. Desde esta altura, a raça tem ganho um estatuto
como animal de companhia pelas suas características, que tanto têm atraído
criadores e famílias.
O Cão de Fila de São Miguel
também tem foi adoptado pelas forças de segurança para integrarem as suas
equipas cinotécnicas.
Não resisto em contar um episódio
vivido por mim, ao observar um pastor a dar ordens muito específicas a um fila:
”vai buscar a vaca tal”, e o cão ter ido cumprir rigorosamente a ordem recebida.
Lembro-me de ter comentado ao dono do animal que só lhe faltava falar e de ele
me ter respondido que não era necessário – ele não precisava!

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