sábado, 11 de maio de 2024

CÃO DE FILA DE SÃO MIGUEL

 

Figura 1 Dois bonitos exemplares

O povoamento das ilhas dos Açores começou por volta de meados de 1400. Desde logo que os primeiros povoadores se aperceberam das condições muito favoráveis, que as ilhas dispunham para a criação de gado. Calcula-se que logo no início do séc. XVI já os cães pastores desempenhavam um papel importante.

Os especialistas afirmam que todos os primeiros cães introduzidos nos Açores foram os <mastins e alões. Foram também estes cães que estão na origem das três principais raças de cães açorianas: o Cão de Fila de São Miguel, o Barbado da Terceira e o Cão de Fila da Terceira, infelizmente já extinto. Se esta foi o ponto de partida, cada uma das raças seguiu caminhos distintos, porque as necessidades eram também distintas. Essa evolução, apesar disto, não revela grandes diferenças morfológicas antes, porém um caminho muito similar em termos funcionais. Ou seja, desenvolveram-se tendo em conta a necessidade de um cão de trabalho, que ajudassem o pastor no seu dia a dia.

O Cão de Fila de São Miguel é, por definição um cão pastor e, por isso mesmo, é referido frequentemente como o “Cão das Vacas”. Foi originado a partir de muitas raças introduzidas no arquipélago. Pelo que consegui apurar não houve nem um caminho, nem um projecto para conseguir um animal com características perfeitamente definidas. É natural que este trabalho de selecção tenha tido a participação de muita gente, de muitos animais, até se fixar um animal com características morfológicas, funcionais e temperamentais muito bem definidas


Figura 2 Estátua do Cão de Fila de São Miguel em Vila Franca do Campo

As raças mais referidas como as que estiveram na origem do Cão de Fila de São Miguel são: o Rafeiro Alentejano, o Mastim Inglês, o Dogue de Bordéus, o Bulldog Inglês, o Cão de Santo Huberto, e ainda um cão espanhol, originário das Ilhas Canárias o Dogo Canário.

O Cão de Fila de São Miguel pode caracterizar-se como sendo um animal muito inteligente, de uma grande robustez física, destemido e auto-confiante. Tem um temperamento arguto, apresenta alguma vivacidade, rústico, revela alegria no trabalho de condução dos animais. Obedece cegamente ao dono, embora revele alguma desconfiança com estranhos. Tem um temperamento meigo e protector, apesar do seu aspecto algo agressivo (peitorais desenvolvidos e olhar fixo e enérgico).

Embora existam referências ao Cão de Fila de São Miguel desde o início do séc. XIX, só em 1982 e pela iniciática de António José Amaral e de Maria de Fátima Machado Mendes Cabral, que se começa a realizar um censo dos animais existentes, bem como o trabalho de registo para a definição do estalão. Mas só em 2008 a raça é homologada pela Fédération Cynologique Internationale. Desde esta altura, a raça tem ganho um estatuto como animal de companhia pelas suas características, que tanto têm atraído criadores e famílias.

O Cão de Fila de São Miguel também tem foi adoptado pelas forças de segurança para integrarem as suas equipas cinotécnicas.

Não resisto em contar um episódio vivido por mim, ao observar um pastor a dar ordens muito específicas a um fila: ”vai buscar a vaca tal”, e o cão ter ido cumprir rigorosamente a ordem recebida. Lembro-me de ter comentado ao dono do animal que só lhe faltava falar e de ele me ter respondido que não era necessário – ele não precisava!









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