Não há dia nenhum que passe que
não se descubra mais um caso e corrupção neste país e brandos costumes. Segundo
o dicionário, Corrupção é o efeito ou acto de corromper alguém
ou algo, com a finalidade de obter vantagens em relação aos
outros por meios considerados ilegais ou ilícitos. Ou seja, um binómio que
inclui um corruptor, que por meios diversos, tenta obter uma vantagem,
influenciando um corrompido.
Acredito que este fenómeno
assenta, antes e mais, em valores culturais que despenalizam quem corrompe. É o
pedido para um “jeitinho” num emprego para o filho, é a prenda que se dá a um
funcionário para que determinado processo passe à frente de outros, é a cunha a
um amigo para facilitar uma consulta marcada para daqui a 6 meses, é a nota
dissimulada na carta e condução, numa operação stop, etc. Os exemplos são
muitos e variados e, como é normal, “não há almoços grátis”. Por ser um
hábito tão arreigado na sociedade e de forma generalizada, temos tendência a
despenalizar quem o pratica. Como dizia um amigo espanhol: “todos los
hombres tiene su precio! sólo necesitas de saber cuánto es”.
Este fenómeno atravessa
transversalmente todo o espectro político. Por isso não é um caso de esquerda,
centro ou de direita. Para isto muito deve contribuir a estranha promiscuidade entre
o mundo da política, a finança, a justiça e, como não podia deixar de ser, do
futebol. Mesmo na política municipal, mais próxima e mais escrutinada pelo
cidadão comum, predomina um descaramento brutal.
O mais grave é que em Portugal,
com um sistema de justiça inquinado, moroso, comprometido e propositadamente
complexo, prolonga no tempo, através de procedimentos judiciais que ninguém
entende. As suas decisões mostram que ela ´forte com os fracos e muito fraca
com os poderosos. A resolução dos inúmeros casos e corrupção, que são do
conhecimento público, e são muitos parecem nunca ter fim e o cidadão, assiste
impotente e desinteressado a este assalto ao poder, para a obtenção e
privilégios. Pior ainda, é quando as próprias instituições e operadores judiciais,
fazem parte o esquema. São exemplos flagrantes o papel desempenhado pela
Procuradoria Geral da República e, dos juízes Pinto Monteiro e Noronha do
Nascimento, durante os governos de José Sócrates.
Pela dimensão, publicidade e das
explicações muito pouco convincentes, a Operação Marquês, tem sio aquela que
tem suscitado mais e maior discussão. O caso BPN, nos seus contornos, seguia o
mesmo padrão, apesar de menos mediatizado. Ao cidadão comum é muito difícil
presumir a inocência, de quem quer que seja, num caso onde os argumentos da
defesa são tão mirabolantes que se torna complicado engoli-los!
Como exemplo, ouve-se dizer: Sócrates
no governo, Salgado (DT) na Banca, Constâncio no Banco de Portugal, Vara na
Caixa Geral de Depósitos e um pato bravo (Berardo) para assumir o odioso do
assalto ao BCP, temos aqui a mistura que mantem e justifica esta teia de
corrupção, com avultados montantes e que está a ser pago pelos mesmos e sempre.
Dos inúmeros inquéritos
parlamentares, ouvimos sempre o mesmo: “Não me lembro”, “não tenho memória”,
“não quer que eu me recorde de coisas passadas à x anos”. São afirmações de
gente com enorme responsabilidade, auferindo chorudos vencimentos e mordomias,
que vão passando entre os pingos da chuva, sem que nada lhes aconteça.
Hoje mesmo a comunicação social
reportou que estão sob suspeita de corrupção, mais 18 municípios em esquemas
fraudulentos. Perante esta sucessão de casos e a aparente impunidade dos seus
actores, só nos resta o direito à indignação. Os elevados valores da abstenção,
parecem reflectir, precisamente, esta incapacidade do eleitor em influenciar
este paradigma. Este estado de coisas, apresenta-se como o meio ideal para o
aparecimento dos populismos e dos salvadores da pátria que, provavelmente, nos
vão trazer extremismos bem mais perigosos, sem a garantia que eles próprios,
não se deixem influenciar pela corrupção.
A comunicação social detida e
influenciada pelos mais importantes grupos económicos, tem nestes casos uma
abordagem muito superficial. Com a fuga de milhares de leitores para as
plataformas electrónicas, grande parte dos títulos correm risco de morte. Como meio e sobrevivência os recursos
humanos são drasticamente reduzidos, deteriorando ainda mais as já precárias
condições em que se produz informação. Piores condições e redacções mais
pequenas significa menor autonomia e independência perante o poder político e
económico.
Ficamos com a sensação que o
problema é encarado pelo cidadão como uma fatalidade, da qual já não podemos
sair. Verificamos com uma estranha sensação de impotência perante a impunidade com
que este crime é encarado. Os quase 50 anos e democracia e liberdade,
transformaram o país num antro de malfeitores, perfeitamente integrados e
aceites na sociedade.
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