terça-feira, 12 de novembro de 2019

OS PEQUENOS PARTIDOS METEM MEDO A QUEM?


As últimas eleições legislativas marcaram, em minha modesta opinião, uma viragem definitiva no espectro político nacional. Esta mudança não assenta apenas nas propostas liberais e extremistas de esquerda e de direita. As mudanças são muito mais profundas, porque vieram trazer a terreiro, outras formas de pensar a política e, de uma forma muito mais radical. Apesar deste fenómeno ser observável, em muitos outros países europeus e tudo indicava que, mais cedo e mais tarde, vinha cá chegar.
Esta nova composição do Parlamento, veio trazer para o debate político uma instabilidade observável nos partidos do regime (o PAN incluído) que não aceitaram, aparentemente, esta nova realidade. Tudo isto tem sido reflectido nas redes sociais, na comunicação social e nos partidos do regime, num ataque cerrado a estes três deputados, mas sobretudo, aquilo que eles representam. Aquilo que penso ser importante, não é discutir o radicalismo das propostas destes partidos, mas identificar e combater as causas que determinaram o seu aparecimento e, o seu crescimento, como pudemos observar, na vizinha Espanha.
Num regime democrático as minorias são, exactamente isso, uma minoria. E devem ter as prerrogativas que, a sua dimensão justifica. Mas se observarmos este fenómeno do ponto de vista da proporcionalidade, verificamos que o deputado do Chega, necessitou, para ser eleito de 68 mil votos, enquanto que o partido mais votado (o PS) conseguiu eleger os seus deputados com apenas 17 mil votos. Quer se goste ou não destes partidos, e da ideologia que defendem, temos que admitir que os portugueses que os elegeram esperam que, democrática e legitimamente, a sua voz seja ouvida.
A novela destes partidos não poderem, por disposições regimentais, participarem nos debates fundamentais do hemiciclo, temos que convir, ser algo que com um pouco de boa vontade poderia ser facilmente ultrapassado. Esta incongruência é tanto maior, quando parte das forças de esquerda, que pugnam pela ética e a moral republicana defenderem este pressuposto. Mesmo a provável concessão de um minuto, na discussão do Orçamento de Estado, parece-nos ser uma perfeita anedota pela dificuldade da exposição clara de uma ideia, ou de um contraditório eficaz. Mais, revela uma intransigência difícil de perceber e justificar.
Para bem do fortalecimento do regime democrático, seria bom que estes fenómenos dos radicalismos e dos nacionalismos fossem tratados no sítio apropriado, ou seja, na Casa da Democracia. Os sucessivos casos de corrupção, de compadrio, de favorecimento, das assimetrias, do enriquecimento ilícito, da degradação dos serviços público, das pensões de miséria em oposição às pensões vitalícias; são tudo razões que fortalecem a dialéctica destes partidos. O aparente incómodo que estes novos três deputados causam às forças políticas, pode ter o efeito contrário àquilo que se pretende – exacerbar ainda mais os populismos, os radicalismos e os perigosos nacionalismos.
Só teme quem deve. A melhor forma de contradizer este tipo de propostas é pela confrontação directa e pela justeza das medidas adoptadas. A intransigência de deixar tudo como está, pode ter o efeito contrário. Veja-se o que aconteceu em Espanha nas legislativas do passado domingo!

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