A esquerda unida (PCP, PS, PEV e
BE) impediu os partidos que agora elegeram um único deputado de participarem no
debate quinzenal, em cumprimento do Rregimento da AR.
A eleição destes três deputados é
uma realidade inquestionável e, a partir de agora, o debate político vai ser
completamente diferente. A legitimidade da sua eleição, não pode ser posta em
causa. A pluralidade democrática, no meu entender, é um sinal positivo e mobilizador
de uma participação política alargada. Contrariar esta realidade, pode dar
origem a dois factos:
1. O
empobrecimento do debate parlamentar pelo desconhecimento do que aqueles deputados
têm a dizer aos portugueses e, ao debate político e parlamentar;
2. Ter efeitos prejudiciais à própria esquerda, a
médio e a longo prazo, pelo efeito de vitimização que, certamente, irá ser
aproveitado pêlos visados com aquela medida.
Como dizia Jorge Luís Borges, “A
democracia é um erro estatístico, porque na democracia decide a maioria, e a
maioria é formada de imbecis”.
Eu não iria tão longe, mas é
inquestionável que a qualidade e o nível da classe política parlamentar, tem
primado pela mediocridade, pelos inúmeros benefícios de grupo (viagens, subsídios
de deslocação e moradas falsas, restaurante de luxo, etc.). Por direitos
adquiridos (reformas), em contraponto com a realidade de qualquer outro cidadão.
A sensação com que ficamos é de que o trabalho político ser mais uma forma de
carreirismo, do que um abnegado serviço à causa publica. Tudo isto pode parecer,
um receio de que o que aqueles deputados possam dizer no debate, possa por em
causa muitos destes benefícios. E assim, lá se vai a tal carreira política.
Veja-se a insistência na redução de deputados, proposta por André Ventura. O
problema não se resolve impedindo que ele fale, mas provar que ele está errado.
Se o Regimento da AR objectivamente
impede os partidos com um único representante de participar no debate, que se altere
o Regimento. Aliás, informalmente na legislatura passada, foi concedida essa
possibilidade ao representante único do PAN.
A pluralidade do Parlamento não pode
ser saudada apenas pelo número de novos partidos representados. Deve ser, para
bem da Democracia, pelo que os representantes destes partidos têm a dizer de diferente.
Silenciá-los, para além de um erro, é uma atitude muito pouco democrática e eticamente
reprovável.
Um debate mais livre e
democrático contribuía, sem dúvida, para o prestígio do Parlamento e dos seus representantes,
para uma maior clarificação do espectro político e das suas ideias em para uma
maior informação do cidadão eleitor. Ganhava a Democracia e ganhávamos todos.
Muito bem observado.
ResponderEliminarTanta "esquerda" com medo de três "gatos pingados"!
Lá sabem porquê...
E o pior, é que estão "a dar a arma ao bandido"
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