Muito se tem falado do movimento
dos polícias frente ao Parlamento. Este movimento teve a sua origem nos órgãos representativos
de classe das forças de segurança e com toda a legitimidade. O principal
problema parece assentar no facto de se ter juntado a este, o denominado Movimento
Zero. Este Movimento é clandestino. Ninguém conhece os seus dirigentes. Mas ele
está aí e, pêlos vistos, começa a ganhar alguma simpatia, junto das forças de
segurança e, até mesmo, da parte de André Ventura. Só não vê quem não quer.
Perante o total alheamento dos sucessivos governos na resolução das justas
pretensões dos polícias, acontece que, naturalmente, aparecem uns “cavalheiros”
que estão prontos, mesmo que de forma clandestina, a defenderem interesses
obscuros.
Por outro lado, as reivindicações
destas classes profissionais, parece serem reconhecidas como justas e legítimas
por toda a gente. Ou seja, todos nós reconhecemos a necessidade de termos forças
de segurança motivadas para uma missão difícil, arriscada, perigosa e que exige
uma grande abnegação. A realidade aponta para que esta classe seja mal paga,
tenha péssimas condições de trabalho, deficientemente equipadas, em instalações
insalubres e sem o mínimo de dignidade. Em 2014 também se manifestaram,
basicamente, invocando as mesmas razões para a suas reivindicações. Dito por
outras palavras, os motivos que levam os polícias para a rua pedindo para
resolverem os seus problemas ao longo de muitos anos, são os mesmos, sem que as
suas exigências tenham sido atendidas.
Este governo, com o gesto da instalação
de um muro de betão na véspera da manifestação, só vem dar força a este
Movimento Zero e a André Ventura. Aquilo que se esperava, era que fosse
apresentado um projecto de resolução, devidamente quantificado e escalonado. O gesto
de virarem as costas ao Parlamento, querendo obviamente, atingir o Governo, não
será só por si, simbólico?
O aparecimento da extrema direita
colado a esta manifestação, contrasta com a actuação da extrema esquerda
parlamentar (muito mais numerosa e defensora das causas sociais), pouco ou nada
tenha feito para resolver este problema.
Esta atitude reverte-nos para o
facto que o poder é forte com os fracos e, fraco com os fortes. A
desculpa é, invariavelmente, motivos orçamentais. Não há dinheiro para os
aumentos dos enfermeiros, mas já se arranja alguma coisa para não deixar cair
um banco. A ala pediátrica do São João continua parada porque não existe
dinheiro, mas arranjou-se umas massas para a Web Summit! Os exemplos são muitos
e variados. Vamos esperar para ver se existe alguma intensão e acção para
começar a tratar deste assunto. Deixar tudo como está, não me admira nada, que
dentro de algum tempo não haja outra manifestação de polícias, que o Movimento Zero
tenha muito mais simpatizantes; que ao André Ventura se juntem outros
parlamentares e que o muro de betão não venha a ser derrubado.
Vejo muita gente a emitir
opiniões sobre as consequências de determinadas acções, como por exemplo,
o aparecimento do Movimento Zero. e a sua colagem a forças extremistas. José
Pedro Nunes exigia que os comandos da polícia fizessem alguma coisa para
depurar estas forças do interior da organização. Penso que enquanto não se
perceber quais as causas determinantes para a insatisfação destes homens,
com vista à aplicação de medidas tendentes à sua resolução, apenas vamos adiar o
problema, sem atender o que o determinou. O que até agora se tem eito, é, Varrer
para debaixo do tapete. Ou seja, nada!
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