sábado, 23 de novembro de 2019

INSATISFAÇÃO DOS POLICIAS - AS CAUSAS E AS CONSEQUÊNCIAS


Muito se tem falado do movimento dos polícias frente ao Parlamento. Este movimento teve a sua origem nos órgãos representativos de classe das forças de segurança e com toda a legitimidade. O principal problema parece assentar no facto de se ter juntado a este, o denominado Movimento Zero. Este Movimento é clandestino. Ninguém conhece os seus dirigentes. Mas ele está aí e, pêlos vistos, começa a ganhar alguma simpatia, junto das forças de segurança e, até mesmo, da parte de André Ventura. Só não vê quem não quer. Perante o total alheamento dos sucessivos governos na resolução das justas pretensões dos polícias, acontece que, naturalmente, aparecem uns “cavalheiros” que estão prontos, mesmo que de forma clandestina, a defenderem interesses obscuros.
Por outro lado, as reivindicações destas classes profissionais, parece serem reconhecidas como justas e legítimas por toda a gente. Ou seja, todos nós reconhecemos a necessidade de termos forças de segurança motivadas para uma missão difícil, arriscada, perigosa e que exige uma grande abnegação. A realidade aponta para que esta classe seja mal paga, tenha péssimas condições de trabalho, deficientemente equipadas, em instalações insalubres e sem o mínimo de dignidade. Em 2014 também se manifestaram, basicamente, invocando as mesmas razões para a suas reivindicações. Dito por outras palavras, os motivos que levam os polícias para a rua pedindo para resolverem os seus problemas ao longo de muitos anos, são os mesmos, sem que as suas exigências tenham sido atendidas.
Este governo, com o gesto da instalação de um muro de betão na véspera da manifestação, só vem dar força a este Movimento Zero e a André Ventura. Aquilo que se esperava, era que fosse apresentado um projecto de resolução, devidamente quantificado e escalonado. O gesto de virarem as costas ao Parlamento, querendo obviamente, atingir o Governo, não será só por si, simbólico?
O aparecimento da extrema direita colado a esta manifestação, contrasta com a actuação da extrema esquerda parlamentar (muito mais numerosa e defensora das causas sociais), pouco ou nada tenha feito para resolver este problema.
Esta atitude reverte-nos para o facto que o poder é forte com os fracos e, fraco com os fortes. A desculpa é, invariavelmente, motivos orçamentais. Não há dinheiro para os aumentos dos enfermeiros, mas já se arranja alguma coisa para não deixar cair um banco. A ala pediátrica do São João continua parada porque não existe dinheiro, mas arranjou-se umas massas para a Web Summit! Os exemplos são muitos e variados. Vamos esperar para ver se existe alguma intensão e acção para começar a tratar deste assunto. Deixar tudo como está, não me admira nada, que dentro de algum tempo não haja outra manifestação de polícias, que o Movimento Zero tenha muito mais simpatizantes; que ao André Ventura se juntem outros parlamentares e que o muro de betão não venha a ser derrubado.
Vejo muita gente a emitir opiniões sobre as consequências de determinadas acções, como por exemplo, o aparecimento do Movimento Zero. e a sua colagem a forças extremistas. José Pedro Nunes exigia que os comandos da polícia fizessem alguma coisa para depurar estas forças do interior da organização. Penso que enquanto não se perceber quais as causas determinantes para a insatisfação destes homens, com vista à aplicação de medidas tendentes à sua resolução, apenas vamos adiar o problema, sem atender o que o determinou. O que até agora se tem eito, é, Varrer para debaixo do tapete. Ou seja, nada!

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