Este governo conseguiu pela
primeira vez em democracia um excedente orçamental e isso é, à partida, um feito
a enaltecer. Ou seja, no final deste ciclo, foram maiores as receitas o que as
despesas realizadas. O que poderá levar-se a concluir que, quem tinha a responsabilidade
pela governação fez um trabalho bem feito. Ou se, pelo contrário, este excedente
resulta de uma forma habilidosa de manipular o orçamento. Isto pode ser feito
por diversas formas: desinvestindo, adiando pagamentos, atrasando pagamento a fornecedores
e, naturalmente, com o aumento de receita garantida com a descida do desemprego
e, consequente aumento das contribuições fiscais. Estou convicto que, no caso
presente, aconteceram todas elas.
Na minha mente como cidadão e,
sobretudo, como contribuinte, saltam-me duas questões: como é que este
excedente foi alcançado e, como é que ele vai ser aplicado. Se quanto à
primeira tenho poucas dúvidas, quanto à segunda, receio bem que a sua aplicação
não será aquela que os contribuintes iriam querer (redução da carga fiscal e
pagamento da dívida).
A forma como foi aprovado, na generalidade,
ontem na Assembleia da República do Orçamento de Estado, leva-me a pensar que todas
as negociações estabelecidas à esquerda, garantia há já muito tempo, uma
passagem à tangente deste OE. Com algum teatro à mistura, apesar dos discursos
inflamados, foi indisfarçável que todos queriam que o Orçamento vingasse. Faltava
apenas o contributo dos 3 deputados da RAM, para que o OE passasse com relativa
facilidade. A esquerda não podia, nem lhe ficava bem aprovar o OE, tal qual ele
se apresentava, mas, com a sua abstenção. predispunha-se a aprovar algumas
medidas na especialidade, Este excedente irá permitir uma folga ao Governo e,
ao partido que o apoia, para negociar, caso a caso e ceder naquilo que é
inultrapassável em sede de especialidade.
O PS conduziu este processo com
toda a legitimidade, bem como todas as votações reflectidas nas intenções de
voto, que os partidos e os seus deputados entenderam produzir. São fruto dos
compromissos com os seu eleitorados, incluindo os deputados da Madeira, que
votaram à revelia da disciplina de voto imposta. Apenas os discursos empolgados
das bondades deste excedente orçamental me parecem excessivas. (“o melhor de
todos os 5 orçamentos apresentados”). Vamos aguardar, que aquilo que for
decidido na especialidade venha ao encontro do estado caótico em que se
encontram, os vários serviços públicos. A minha dúvida é se o excedente será
suficiente para a magnitude do que é necessário realizar e, em várias frentes! Duvido,
mas vou ficar expectante.
Há excedente porque não houve investimento, desenvolvimento. Tudo parado e a degradar-se. Foram 4 anos de mais um governo de gestão, embora em tempos mais favoráveis. Muito poupadinho às ordens de Bruxelas. Governar é fazer opções e decidir politicamente, o que era incompatível com a geringonça... Ah, houve reposição dos salários e ponto final! A conversa dos excedentes que nos vendem é, até, um pouco salazarenga... cofres cheios de ouro e o país à míngua...
ResponderEliminar"À míngua" é exagero... Digamos que continuamos um dos crónicos países da cauda da Europa estatisticamente em todas as áreas económicas e sociais fundamentais.
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