Muitos se falou ao longo destes
anos da origem da fortuna fabulosa da Rainha de Árica e, aparentemente, ninguém
duvidava dos esquemas mais do que suspeitos de favorecimento da família de José
Eduardo dos Santos e de muitos dos seus colaboradores mais directos, os
generais que suportaram o regime durante um largo período de tempos após a independência.
Angola assentava toda a sua economia
no petróleo e nos diamantes, o que permitia o poder instituído gerir enormes
somas de dinheiros de uma forma cleptocrática e que era generosamente distribuída
por uma estrutura político militar que reclamava, como direitos adquiridos por
uma vida de guerrilheiros na luta contra o colonialismo. As suspeitas de que a
protecção e benefícios dos elementos do clã os Santos foi conseguida num país
paupérrimo, com elevados níveis de corrupção e que corriam sempre na direcção
destes privilegiados, à custa de um povo pobre e abandonado. As suspeitas de que
a sua fortuna estava associada a privilégios políticos era por demais evidente.
Era frequente ouvir-se no mundo
empresarial português e, por todos os que pretendam regressar a Angola, que quem
quisesse internacionalizar-se em Angola, era fundamental ter como sócio um
general. Caso contrário eram tantas as dificuldades, que inviabilizavam qualquer
negócio.
Em Portugal e, um pouco por todo o
lado, se houve falar em compras de empresas em grande dificuldade e de grandes
projectos agrícolas. Estas transacções eram feitas, directa e indirectamente, em
nome do clã Santos, com um fim muito concreto – a lavagem de dinheiro angolano.
Muito do que se tem dito provavelmente não corresponde à verdade, mas muitos
outros relatos podem indiciar, no mínimo, que onde há fumo, pode haver fogo!
Após a bancarrota e a intervenção
da Troika, muitas empresas portuguesas entraram em grandes dificuldades e a sua
sobrevivência só podia ser garantida com a entrada de dinheiro fresco. É neste
contexto que a “mulher mais rica de África”, chega a Portugal, com as malas a
abarrotar de dinheiro e, genericamente, todo o mundo: empresários, políticos,
advogados, jornalistas, etc., viram nesta benevolência uma forma de salvar o
país, das grandes dificuldades que, na altura se viviam. É assim que o dinheiro
de Isabel dos Santos vem “ajudar” empresas como o BPN, o BIC, a EFACEC, a
SONAECOM, a NOS, a Galp, etc. Também muitos se aproximaram desta mulher
salvadora, bajulando os seus favores, apesar das enormes referências à origem pouco
limpa de tal dinheiro.
Isabel dos Santos com uma visão impar,
constrói uma teia de interesses espalhados um pouco por todo o lado e que permitiram
a multiplicação da sua enorme fortuna. Em Portugal são recrutados muitos homens
da confiança da Rainha de África e que foram participantes activos em todos estes
esquemas duvidosos, bem como muitos políticos, jornalistas e empresários
portugueses, que nunca questionaram da origem de todo aquele capital. Porque desconheciam
(?), ou porque lhes dava jeito.
Com uma investigação jornalística
internacional de grande dimensão, este enorme império construído por Isabel dos
Santos começa a ruir como um castelo e cartas. São descodificados muitos dos
esquemas, como foi conseguida a fortuna amontoada e dos seus multifacetados
negócios.
Muitos dos que viviam na órbita e
influência desta mulher, ao primeiro sinal de que as coisas iriam mudar de
forma definitiva, abandonam-na e fingem que nem imaginavam a origem duvidosa de
tanto dinheiro.
Por outro lao, muita gente, que
até aqui esteve calada, comenta em tudo o que são órgãos de informação, os mais
do que “conhecidos” estratagemas dos negócios e da movimentação planetária deste
dinheiro, o que pode revelar que, as muitas suspeitas existentes e raramente denunciadas,
podem vir a confirmar-se.
Convém não esquecer que em Portugal
estão nas mãos da justiça dois casos muito semelhantes e, personificados em
Ricardo Salgado e José Sócrates. Muitas são as suspeitas e, pelo menos até
agora, poucas são as certezas, mas o modus operandi, foi sensivelmente o
mesmo. E também nestes dois casos muito poucos se “repararam”, nos esquemas
muito mal explicados e na estranha forma como estas duas personagens actuaram.
Tudo o que se passou em pouco
mais de 24 horas levaram a Rainha de Árica a um estatuto e quase “pedinte” e a
quem ninguém já quer estender a mão. Certamente não ficará miserável, mas a sua
estrelinha e o estatuto alcançado, nuca mais será o mesmo. Quem com erro
mata, com ferro morre”
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