terça-feira, 21 de janeiro de 2020

ISABEL DOS SANTOS DE RAINHA A PEDINTE


Muitos se falou ao longo destes anos da origem da fortuna fabulosa da Rainha de Árica e, aparentemente, ninguém duvidava dos esquemas mais do que suspeitos de favorecimento da família de José Eduardo dos Santos e de muitos dos seus colaboradores mais directos, os generais que suportaram o regime durante um largo período de tempos após a independência.
Angola assentava toda a sua economia no petróleo e nos diamantes, o que permitia o poder instituído gerir enormes somas de dinheiros de uma forma cleptocrática e que era generosamente distribuída por uma estrutura político militar que reclamava, como direitos adquiridos por uma vida de guerrilheiros na luta contra o colonialismo. As suspeitas de que a protecção e benefícios dos elementos do clã os Santos foi conseguida num país paupérrimo, com elevados níveis de corrupção e que corriam sempre na direcção destes privilegiados, à custa de um povo pobre e abandonado. As suspeitas de que a sua fortuna estava associada a privilégios políticos era por demais evidente.
Era frequente ouvir-se no mundo empresarial português e, por todos os que pretendam regressar a Angola, que quem quisesse internacionalizar-se em Angola, era fundamental ter como sócio um general. Caso contrário eram tantas as dificuldades, que inviabilizavam qualquer negócio.
Em Portugal e, um pouco por todo o lado, se houve falar em compras de empresas em grande dificuldade e de grandes projectos agrícolas. Estas transacções eram feitas, directa e indirectamente, em nome do clã Santos, com um fim muito concreto – a lavagem de dinheiro angolano. Muito do que se tem dito provavelmente não corresponde à verdade, mas muitos outros relatos podem indiciar, no mínimo, que onde há fumo, pode haver fogo!
Após a bancarrota e a intervenção da Troika, muitas empresas portuguesas entraram em grandes dificuldades e a sua sobrevivência só podia ser garantida com a entrada de dinheiro fresco. É neste contexto que a “mulher mais rica de África”, chega a Portugal, com as malas a abarrotar de dinheiro e, genericamente, todo o mundo: empresários, políticos, advogados, jornalistas, etc., viram nesta benevolência uma forma de salvar o país, das grandes dificuldades que, na altura se viviam. É assim que o dinheiro de Isabel dos Santos vem “ajudar” empresas como o BPN, o BIC, a EFACEC, a SONAECOM, a NOS, a Galp, etc. Também muitos se aproximaram desta mulher salvadora, bajulando os seus favores, apesar das enormes referências à origem pouco limpa de tal dinheiro.
Isabel dos Santos com uma visão impar, constrói uma teia de interesses espalhados um pouco por todo o lado e que permitiram a multiplicação da sua enorme fortuna. Em Portugal são recrutados muitos homens da confiança da Rainha de África e que foram participantes activos em todos estes esquemas duvidosos, bem como muitos políticos, jornalistas e empresários portugueses, que nunca questionaram da origem de todo aquele capital. Porque desconheciam (?), ou porque lhes dava jeito.
Com uma investigação jornalística internacional de grande dimensão, este enorme império construído por Isabel dos Santos começa a ruir como um castelo e cartas. São descodificados muitos dos esquemas, como foi conseguida a fortuna amontoada e dos seus multifacetados negócios.
Muitos dos que viviam na órbita e influência desta mulher, ao primeiro sinal de que as coisas iriam mudar de forma definitiva, abandonam-na e fingem que nem imaginavam a origem duvidosa de tanto dinheiro.
Por outro lao, muita gente, que até aqui esteve calada, comenta em tudo o que são órgãos de informação, os mais do que “conhecidos” estratagemas dos negócios e da movimentação planetária deste dinheiro, o que pode revelar que, as muitas suspeitas existentes e raramente denunciadas, podem vir a confirmar-se.
Convém não esquecer que em Portugal estão nas mãos da justiça dois casos muito semelhantes e, personificados em Ricardo Salgado e José Sócrates. Muitas são as suspeitas e, pelo menos até agora, poucas são as certezas, mas o modus operandi, foi sensivelmente o mesmo. E também nestes dois casos muito poucos se “repararam”, nos esquemas muito mal explicados e na estranha forma como estas duas personagens actuaram.
Tudo o que se passou em pouco mais de 24 horas levaram a Rainha de Árica a um estatuto e quase “pedinte” e a quem ninguém já quer estender a mão. Certamente não ficará miserável, mas a sua estrelinha e o estatuto alcançado, nuca mais será o mesmo. Quem com erro mata, com ferro morre”

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