Verificou-se durante a última
legislatura um desinvestimento brutal em todos os servições públicos, muito em
particular no sector a Saúde. Eu próprio, aguardo uma cirurgia a uma catarata, fará
no próximo mês de Março 2 anos.
Este desinvestimento levou a uma
situação de ruptura em algumas unidades, com as urgências a rebentar pelas
costuras (a dívida a fornecedores subiu 51.6%, só nos últimos 3 anos). Todo
este estado de coisas abrange transversalmente todo o sistema hospitalar. Muito
em particular, o que se passa em algumas unidades no Algarve, no Hospital
Garcia da Horta, apenas para falar nos casos mais recentes.
Os analistas referem,
insistentemente, o ascendente do ministro das finanças teve sobre todos os seus
pares, limitando qualquer investimento, com o único objectivo e ter as “contas
certas” e, com o aval incondicional do primeiro ministro. Perante isto a
ministra a saúde foi, sistematicamente desautorizada, e o sistema de saúde
foi-se degradando progressivamente.
Foi com alguma surpresa que o sr.
primeiro ministro, no seu discurso de Ano Novo, fez uma aguerrida aposta na
recuperação do sistema de saúde. Reconhecendo que não lhe restavam muitas
alternativas, a sua aposta vai necessitar, para ter alguma aceitação aos olhos dos
portugueses, de um forte e urgente financiamento do sistema de saúde. Esta
vontade veio evidenciar algum desconforto na relação de António Costa com Mário
Centeno, numa evidente desconsideração no papel preponderante que este gozou
até ao presente e, uma aparente promoção de Marta Temido, uma ministra que tem revelado
algumas fragilidades e, até mesmo, incompetência na gestão do seu ministério.
O Superavit registado foi um feito,
que para além de inédito, muito útil para o curriculum de Mário Centeno. A dúvida
que subsiste é se não teria sido possível gerir as contas públicas por forma, a
diminuir os sacrifícios impostos os portugueses, apesar da carga fiscal mais
alta de sempre. O caos em que se encontra o SNS, vai exigir um esforço
considerável para recuperar todos os anos de desinvestimento.
António Costa é um político frio,
calculista e insensível(Link). As promessas agora feitas parece trazerem água no
bico! Não temos muitas razões para acreditar cegamente nas promessas agora feitas.
Não estou totalmente convencido, sobretudo, se pensarmos que o OE aina não foi
votado e muito menos aprovado. Por isso, um piscar de olhos à esquerda, parece configurar
o objectivo principal desta repentina preocupação com o SNS.
Vamos aguardar para ver. São
muitos os portugueses que já optaram por contratar planos de seguro de saúde,
como forma de prevenir o estado caótico de quem recorre aos serviços públicos
de saúde. A preocupação é generalizada. Vamos acreditar que agora é que é.
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