quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A “SAÚDE” DO NOSSO DESCONTENTAMENTO.


Verificou-se durante a última legislatura um desinvestimento brutal em todos os servições públicos, muito em particular no sector a Saúde. Eu próprio, aguardo uma cirurgia a uma catarata, fará no próximo mês de Março 2 anos.
Este desinvestimento levou a uma situação de ruptura em algumas unidades, com as urgências a rebentar pelas costuras (a dívida a fornecedores subiu 51.6%, só nos últimos 3 anos). Todo este estado de coisas abrange transversalmente todo o sistema hospitalar. Muito em particular, o que se passa em algumas unidades no Algarve, no Hospital Garcia da Horta, apenas para falar nos casos mais recentes.
Os analistas referem, insistentemente, o ascendente do ministro das finanças teve sobre todos os seus pares, limitando qualquer investimento, com o único objectivo e ter as “contas certas” e, com o aval incondicional do primeiro ministro. Perante isto a ministra a saúde foi, sistematicamente desautorizada, e o sistema de saúde foi-se degradando progressivamente.
Foi com alguma surpresa que o sr. primeiro ministro, no seu discurso de Ano Novo, fez uma aguerrida aposta na recuperação do sistema de saúde. Reconhecendo que não lhe restavam muitas alternativas, a sua aposta vai necessitar, para ter alguma aceitação aos olhos dos portugueses, de um forte e urgente financiamento do sistema de saúde. Esta vontade veio evidenciar algum desconforto na relação de António Costa com Mário Centeno, numa evidente desconsideração no papel preponderante que este gozou até ao presente e, uma aparente promoção de Marta Temido, uma ministra que tem revelado algumas fragilidades e, até mesmo, incompetência na gestão do seu ministério.
O Superavit registado foi um feito, que para além de inédito, muito útil para o curriculum de Mário Centeno. A dúvida que subsiste é se não teria sido possível gerir as contas públicas por forma, a diminuir os sacrifícios impostos os portugueses, apesar da carga fiscal mais alta de sempre. O caos em que se encontra o SNS, vai exigir um esforço considerável para recuperar todos os anos de desinvestimento.
António Costa é um político frio, calculista e insensível(Link). As promessas agora feitas parece trazerem água no bico! Não temos muitas razões para acreditar cegamente nas promessas agora feitas. Não estou totalmente convencido, sobretudo, se pensarmos que o OE aina não foi votado e muito menos aprovado. Por isso, um piscar de olhos à esquerda, parece configurar o objectivo principal desta repentina preocupação com o SNS.
Vamos aguardar para ver. São muitos os portugueses que já optaram por contratar planos de seguro de saúde, como forma de prevenir o estado caótico de quem recorre aos serviços públicos de saúde. A preocupação é generalizada. Vamos acreditar que agora é que é.

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