Esta nova normalidade, de normal
não tem nada. Os acontecimentos sucedem-se a uma velocidade estonteante, que
por vezes somos confrontados com o inesperado. Por isso, manda a prudência que
todos os responsáveis consigam debruçar-se sobre os assuntos que têm em mãos, com
a capacidade de projectar diferentes cenários. Só assim é possível dar a
resposta mais adequada a cada situação em concreto.
Vem tudo isto a propósito do que
se passou no aeroporto de Faro. Andamos durante uma data de tempo a dizer
cobras e lagartos do afastamento do nosso país dos corredores aéreos impostos
pelo Reino Unidol. Os argumentos foram muitos e variados, e na maior parte dos
casos, com argumentação sustentada. Sabendo da importância que os súbditos de
sua majestade representam para o turismo nacional, e em particular para as
regiões do Algarve e da Madeira, o caso, apresentava-se aos olhos de todos nós
como uma profunda injustiça. Na profunda crise que o país está mergulhado, e na
importância das receitas do turismo para o equilíbrio das nossas finanças,
quanto por mais tempo esta situação se mantivesse, maiores seriam as suas consequências
nefastas.
Eis senão quando, esta situação
foi finalmente desbloqueada pelas autoridades inglesas, aconteceu o impensável:
as autoridades aeroportuárias, nomeadamente ANA e o SEF, não estavam preparados
para fazer face a uma situação, mais do que previsível. Por uma simples conjectura,
era fácil de imaginar que alguns turistas ingleses iriam aproveitar este fim de
verão para visitarem este seu lugar de eleição, e que, depois do Brexit, teriam
de ser submetidos à conferência dos passaportes. Por incúria, falta de planeamento,
ou qualquer outra desculpa, assistiu-se àquele espectáculo indesculpável: seria
impossível garantir o distanciamento social, com uma tão grande concentração de
passageiros, para um tão reduzido número de agentes, segundo a imprensa apenas
dois agentes para uma chegada de 18 aviões?!?!
Como habitualmente, remendou-se a
situação em cima do joelho. Parece que já foram desenvolvidos esforços para se
aumentar o número de agentes. Ou seja, estamos sempre a correr atrás do prejuízo.
Para além da triste imagem que se dá do país, acresce o enorme risco sanitário,
inerente a tão elevada concentração de pessoas naquele espaço.
Desconfio que, uma vez mais, a
culpa vai morrer solteira.

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