Não bastava a desgraça do COVID, para agora não haver mais nada que tratar do que a crise. E há crises para todos os gostos: a crise sanitária, a crise social, a crise política e a crise económica. Insistentemente refere-se que a crise sanitária, para além de imprevisível, é a justificação para todas as outras. Por razões óbvias, a crise política é a que mais preocupa os nossos responsáveis, pela proximidade de um novo Orçamento do Estado que irá ser discutido brevemente.
É óbvio que, qualquer que seja a perturbação
de uma aparente normalidade, traz sempre associada alguma perturbação na vida
de cada um de nós. Também é impossível escamotear, que a referência às crises
acima referidas, irão ter consequências de monta no nosso futuro colectivo, por
um período de tempo que ninguém pode neste momento avaliar. Mas é também nos
períodos de crise que se devem tomar as grandes decisões. É também nestas
alturas que se impõe a tomada de decisões reformistas, que visem implementar
com caracter definitivo, as medidas que possam evitar futuras crises. O momento
não é para chorar sobre o leite derramado. Antes porém, talvez seja o
momento de arregaçar as mangas e fazer o que tara em ser feito.
O momento político que vivemos há
uns anos a esta parte, assenta num equilíbrio instável, entre partidos de
esquerda que se vêm na eminência de discutir um OE, que apesar de um
considerável contributo de caracter social, se recusam a aprovar a sua
componente reformista. Por outro lado, os partidos à direita, tendo sido
excluídos à partida a participação nesta discussão, não se encontram
disponíveis para a aprovação.
Ou seja, para além de muitas
outras justificações de peso, são as razões de ordem política, que põem toda a
gente a falar da crise que se avizinha e reconhecem como incompreensível o país
viver os próximos tempo por duodécimos e, muito em particular, com a presidência
de EU pelo nosso país. Se à crise sanitária, não podemos fazer muito mais do
que aquilo que já foi feito. Quanto à crise política, talvez um esforço na
busca de entendimentos pudesse ser ultrapassadas muitas divergências, em nome
do momento difíceis que se vivemos, e dos sacrifícios que todos nós temos sido
submetidos.
Por outro lado, o atirar de
culpas uns para os outros não acrescenta nada de bom ao problema. Não podemos
esquecer que a Bélgica, passou por uma grave crise política, durante bastante
tempo, e o resultado foi uma aparente subida dos partidos mais radicais. Forçar
uma posição de inflexibilidade sobre este tema, só pode acrescentar crise à
crise. Os portugueses começam a ficar fartos de servirem de cobaias, de
experiências políticas (ou partidárias), que têm como consequência, o afastamento
dos níveis de desenvolvimento dos nossos congéneres europeus, no que aos
padrões de desenvolvimento, dizem respeito.
A(s) crise(s) que nos aflige(m),
não parecem ter um fim à vista pelo caminho que as coisas estão a levar. Os
culpados são invariavelmente os mesmos, e as vítimas também. Merecíamos mais e
melhor.
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