Os resultados das últimas eleições açorianas tiveram, entre outras curiosidades, que a possibilidade da formação de uma nova geringonça, se revele peculiar considerando que essa eventualidade, pode materializar-se, quer à esquerda, quer à direita. Para tal era necessário que Vasco Cordeiro e Bolieiro, conseguissem ultrapassar algumas dificuldades que surgem no seu caminho. À esquerda: o PS conseguir, para além do seu parceiro natural(?) BE, uma segunda participação do CDS na formação desse novo executivo. Quanto à direita: Bolieiro, luta com duas dificuldades: por um lado a recusa do IL ao excluir-se dessa possibilidade, e por outro lado o incómodo de negociar com o Chega.
Todos sabemos que, quer de um
lado, quer de outro, decorrem intensas negociações e, qualquer que seja a solução
encontrada, vai assentar sobre uma previsível instabilidade política, social e
económica.
O discurso de Vasco Cordeiro na
noite das eleições, parece revelar um certo autismo relativamente à conclusão
mais óbvia sobre estes resultados – um cartão amarelo dos açorianos por uma
governação autocrática ao longo destas duas décadas de poder socialista. As inúmeras
referências de vitória, de todos os participantes é também o normal nestas circunstâncias.
Torna-se por isso necessário, olhar para estes resultados com alguma
relatividade. Os principais vencedores foram, efectivamente, os partidos mais
pequenos (CDS, IL, PPM e Chega) que, embora com uma modesta representação, não
será possível menosprezá-los, tendo em conta que, qualquer que seja a solução,
ela só será possível se eles o permitirem.
A bola está do lado de Vasco
Cordeiro e de Bolieiro. Aparentemente qualquer um deles, e por razões
diferentes, estará desejoso de assumir essa responsabilidade. Vistas as coisas
nesta perspectiva, Vasco Cordeiro teria muito a ganhar e Bolieiro, tudo a
perder. Ou seja, Vasco Cordeiro não quer ficar com o ónus de ter perdido o
confronto para o PSD. Bolieiro tem a indisfarçável vontade de, através de si
voltar à cadeira do poder que há muito fugiu das mãos dos sociais democratas.
É lícito imaginar-se que que os
tempos que se aproximam, não irão ser uma pêra doce para o novo
executivo, por razões conjunturais aliadas a um parlamento muito mais colorido
e sem maioria absoluta. Os efeitos da pandemia, somados à difícil situação de
muitas das estruturas do poder regional (ex: SATA), e do rombo na actividade
turística, vão determinar tempos muito complicados. Vasco Cordeiro teria de
demonstrar que era capaz de inverter o sentido da sua governação que levou a
região a uma situação no mínimo vergonhosa. Bolieiro se resistir à tentação,
vai poder assistir comodamente, à mais do que provável deterioração das
condições e vida dos açorianos, tendo em conta os tempos espinhosos que se avizinham.
Era bom que, qualquer que venha a
ser a solução política encontrada, isso não represente mais um factor de
empobrecimento destas ilhas. Pelo contrário, o que se espera é que, de uma vez
por todas, se consiga implementar condições de desenvolvimento harmonioso, de
uma região muito sacrificada.

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