António Costa com a sua habitual arrogância, pensou que toda a sua governação era de uma aceitação incontestável, e quem dissesse o contrário seria antipatriótico. As autárquicas eram favas contadas, que apesar da vitória pífia, saiu-lhe na verdade a fava n este bolo-rei., pela perda de alguns municípios emblemáticos.
No Orçamento de Estado também se
convenceu que tinha tudo sob controle, mas os parceiros ga geringonça, escaldados
pêlos desastrosos resultados eleitorais, reconhecem que têm muito mais a perder
na continuidade deste “namoro”. A primazia dada ao PCP revelou-se “poucochinho”,
e agora tem de negociar em situação de inferioridade com o BE.
Apesar da discussão do Orçamento
ser o cerne da actual conjuntura, os sinais de nervosismo acentuam-se, e os
apaniguados desta solução política, disparam em todas as direcções defendendo a
bondade das soluções propostas. Qualquer opinião contrária, por mais legítima
que seja, venha ela da esquerda ou da direita, é mimoseada com os habituais
impropérios de quem se sente acossado e reage por instinto, e com muito pouca
serenidade.
Ficaram muito nervosos com a inusitada
vitória de Carlos Moedas em Lisboa. Goste-se ou não de Carlos Moedas, há que
reconhecer que é um homem sério e tem curriculum.
Ficaram em pânico com um artigo
de Cavaco Silva no jornal Expresso. Mesmo tratando-se de uma múmia, pelos
vistos, continua a assustar muita gente.
Até a intenção de Paulo Rangel se
candidatar á liderança do PSD, causou muita urticária em pessoas de outros
partidos.
Irritam-se com os OCS e a opinião
dos seus comentadores.
Ficam muito irritados quando
alguém se queixa do preço dos combustíveis, argumentando que é um problema conjuntural,
apesar da fiscalidade sobre os combustíveis ser um problema muito nosso, e
aparentemente, a insensibilidade gritante da parte de quem pode fazer alguma
coisa (2 cts/lt é muito pouco).
Há quem aponte estes sinais como
uma mudança de ciclo político. Estou convencido que ainda não, pelo menos em
termos definitivos. Mas que os tempos que se aproximam vão, certamente, exigir
de António Costa uma atitude de muito mais humildade. Pese embora o facto de
António Costa ter governado com oposição quase inexistente, numa conjuntura internacional
muito favorável e com um Presidente da República muito colaborante. Há, no
entanto, alguns sinais de que as coisas estão a mudar, e tenho dúvidas de que António
Costa, tenha estofo e disponibilidade para governar em minoria real. Até agora
contou com o apoio do PC e do BE, porque isso lhes convinha. As coisas mudaram.
E como estes parceiros já não têm nada a perder, extremaram as suas posições. Quem
semeia ventos, colhe tempestades.
Há vários sinais de muita
insatisfação em vários sectores da sociedade: são os profissionais de saúde,
que passaram por um período muito difícil e que a administração não foi capaz
de reconhecer o seu esforço abnegado. É a eterna insatisfação das forças de
segurança. Os professores estão insatisfeitos e prometem luta. Os tempos que se
avizinham não são muito favoráveis à vida deste governo. Vamos assistir a um
agudizar das irritações. Por outro lado, ninguém sabe, durante quanto tempo o
pagode está disposto a aturar este comportamento.
Ernest Hemingway disse: “O
segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade”. E como ele
tem razão! Penso que o futuro próximo nos vais brindar com muitas irritações,
por parte dos irritados habituais.
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