terça-feira, 26 de outubro de 2021

AFINAL ESTAVA ERRADO

 

De facto, a farsa do Orçamento, ao contrário do que eu aqui afirmei, não irá ser aprovada. Estou convencido não ter sido o único a alinhar por esta lógica. A Geringonça que se arrastava penosamente há já algum tempo, caiu de podre. António Costa cedeu até onde foi possível ou a EU europeia permitia, mas o parceiro privilegiado do primeiro-ministro deu por findo o seu aval. O nosso presidente da República, que durante toda a vigência da geringonça esteve mudo e quedo, vem agora radicalizar a sua posição e ameaçar com eleições antecipadas. Este desfecho, certamente não é bom para a generalidade dos portugueses, e vamos juntar mais uma crise às muitas já existentes. Vamos viver durante alguns meses com duodécimos, e vamos comprometer a entrada em vigor e distribuição dos dinheiros da bazuca. Também, estou convencido que os partidos políticos, à excepção do CHEGA e da IL, só têm a perder com esta solução.

Portanto o cenário mais que provável é o de eleições antecipadas, e vai ter como vantagem, o clarificar do xadrez político e perceber se no futuro que arranjos políticos serão possíveis de implementar. Tudo parece apontar para que o panorama actual (maioria de esquerda), pouco se vá modificar. Estaremos então numa situação em que a formação de um governo estável, poderá só ser possível com uma nova geringonça, em tudo semelhante `à actual. Estariam esses mesmos parceiros disponíveis para entendimentos, que no presente se revelaram inconsequentes? Neste cenário, que evolução iriam ter os representantes do PEV, PAN, Joacine Katar Moreira, deputadas não inscritas? Que futuro para o PSD e CDS, com lideranças contestadas? Em boa verdade, estou seguro de que ninguém sabe o que nos vai trazer este novo escrutínio. Vai ter certamente uma vantagem, abanar a árvore e fazer cair muita fruta podre. E o mais certo é pensarmos que nunca mais iremos ter maiorias absolutas, e ainda bem. Mas será que os nossos partidos políticos estão preparados para viver esta nova realidade?

Uma reflexão final, a probabilidade do PS ganhar as eventuais eleições antecipadas, é mais do que evidente. Que futuro nos reserva António Costa? Estará disponível para governar em minoria, com os mesmos parceiros? Irá retirar-se da vida partidária e abraçar um cargo internacional como seria seu desejo, embora este cenário seja, neste momento mais difícil? Irá ter a dignidade de António José Seguro e abandonar a vida pública? Se optar pelo seu afastamento, que figura socialista irá emergir, e que aceitação irá ter junto do eleitorado? De que forma o desgaste de muitos ministros do actual executivo, vai condicionar o voto socialista?

Muitas são as dúvidas, e quase nenhumas certezas. Esta experiência da geringonça, pese embora a sua legitimidade, que sentimento despertou no cidadão eleitor não alinhado? Vamos aguardar serenamente que este cenário que paira no horizonte, não pode ser uma desgraça, mas antes um elemento clarificador.

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