De facto, a farsa do Orçamento,
ao contrário do que eu aqui
afirmei, não irá ser aprovada. Estou convencido não ter sido o único a alinhar
por esta lógica. A Geringonça que se arrastava penosamente há já algum tempo,
caiu de podre. António Costa cedeu até onde foi possível ou a EU europeia
permitia, mas o parceiro privilegiado do primeiro-ministro deu por findo o seu
aval. O nosso presidente da República, que durante toda a vigência da geringonça
esteve mudo e quedo, vem agora radicalizar a sua posição e ameaçar com eleições
antecipadas. Este desfecho, certamente não é bom para a generalidade dos
portugueses, e vamos juntar mais uma crise às muitas já existentes. Vamos viver
durante alguns meses com duodécimos, e vamos comprometer a entrada em vigor e
distribuição dos dinheiros da bazuca. Também, estou convencido que os partidos
políticos, à excepção do CHEGA e da IL, só têm a perder com esta solução.
Portanto o cenário mais que
provável é o de eleições antecipadas, e vai ter como vantagem, o clarificar do xadrez
político e perceber se no futuro que arranjos políticos serão possíveis de implementar.
Tudo parece apontar para que o panorama actual (maioria de esquerda), pouco se
vá modificar. Estaremos então numa situação em que a formação de um governo
estável, poderá só ser possível com uma nova geringonça, em tudo semelhante `à
actual. Estariam esses mesmos parceiros disponíveis para entendimentos, que no
presente se revelaram inconsequentes? Neste cenário, que evolução iriam ter os
representantes do PEV, PAN, Joacine Katar Moreira, deputadas não inscritas? Que
futuro para o PSD e CDS, com lideranças contestadas? Em boa verdade, estou
seguro de que ninguém sabe o que nos vai trazer este novo escrutínio. Vai ter
certamente uma vantagem, abanar a árvore e fazer cair muita fruta podre. E o
mais certo é pensarmos que nunca mais iremos ter maiorias absolutas, e ainda
bem. Mas será que os nossos partidos políticos estão preparados para viver esta
nova realidade?
Uma reflexão final, a probabilidade
do PS ganhar as eventuais eleições antecipadas, é mais do que evidente. Que
futuro nos reserva António Costa? Estará disponível para governar em minoria,
com os mesmos parceiros? Irá retirar-se da vida partidária e abraçar um cargo
internacional como seria seu desejo, embora este cenário seja, neste momento
mais difícil? Irá ter a dignidade de António José Seguro e abandonar a vida
pública? Se optar pelo seu afastamento, que figura socialista irá emergir, e
que aceitação irá ter junto do eleitorado? De que forma o desgaste de muitos
ministros do actual executivo, vai condicionar o voto socialista?
Muitas são as dúvidas, e quase nenhumas
certezas. Esta experiência da geringonça, pese embora a sua legitimidade, que
sentimento despertou no cidadão eleitor não alinhado? Vamos aguardar
serenamente que este cenário que paira no horizonte, não pode ser uma desgraça,
mas antes um elemento clarificador.
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