As cenas rocambolescas registadas
no ministério das infra-estruturas, já são em si próprias de lamentar e mais
aceitáveis num país do terceiro mundo, do que num país europeu com uma longa
história. Como se isto não bastasse, ainda puseram o SIS ao barulho. É bom que
se entenda que o SIS é um órgão da república, que segundo o artigo 2º da lei-quadro
30/84. tem como finalidades: “Aos serviços de informações incumbe assegurar,
no respeito da Constituição e da lei, a produção de informações necessárias à
preservação da segurança interna e externa, bem como à independência e
interesses nacionais e à unidade e integridade do Estado.”
Por tudo isto, não se consegue perceber
como é que o SIS entra neste complicadíssimo processo Galamba! Mesmo
considerando que o famigerado computador continha informação classificada,
também é verdade que o ex-acessor durante muito tempo teve acesso directo a
toda essa informação e, mereceu a confiança política de dois ministros. António
Costa, por diversas vezes veio afirmar que se tratava de um roubo,
quando na opinião de diversos juristas, afirmarem que a situação referenciada,
o crime de roubo não está contemplado. Provavelmente, por isso é que a audição parlamentar
aos 3 responsáveis do Conselho de Fiscalização do Sistemas de Informações da República
Portuguesa se esforçaram tanto para afastar da sua intervenção a eventualidade
da existência de roubo.
Esta trapalhada que envolve João Galamba
e o seu ministério está recheada de coisas muito mal explicadas. Uma delas é, precisamente
o accionamento do SIS. Ninguém sabe quem deu a ordem. Ninguém sabe os reais fundamentos
desta intervenção. E mais ainda, é saber se este tipo de intervenção, sem que
ninguém entenda ou saiba, foi mais alguma vez utilizado noutras situações, e a
mando de quem? Hoje a responsável pelo SIS irá ser questionada pela CPI, à
porta fechada, o que é pena. Mas suspeito que as desculpas serão tão
mirabolantes como a dos conselheiros. Ou seja, vão arranjar uma fundamentação maltrapilha
para justificar o injustificável. Afinal isto mais não é do que os poderes
instituídos se entreterem a brincar aos espiões, e o pagode a assistir impávido
e sereno. Suspeito que este vai ser mais um episódio que vai acabar em NADA.

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