terça-feira, 19 de março de 2024

ELEIÇÕES ANTECIPADAS – NINGUÉM AS QUER

 

Se na minha última publicação, logo a seguir aos resultados eleitorais, antevia como muito óbvia a possibilidade de novas eleições lá para o final do ano, passados que são alguns dias sobre esse acto, e mesmo antes de se saber exactamente quem efectivamente, teve o maior número de votos, não estou tão seguro disso. E a razão desta mudança deve-se ao facto de ter prestado alguma atenção ao que os partidos vão afirmando, e mais ainda, porque entender que, precipitar o país num outro processo eleitoral podia penalizar severamente todos os partidos. Para além do mais, enviar o país para mais um processo eleitoral é um ónus que ninguém deseja protagonizar.

Se começarmos pelo PSD, pese embora o facto de ter feito uma boa campanha, não conseguiu, apesar disso, beneficiar dum resultado muito animador. Por isso, não iria querer sujeitar-se de novo, a um plebiscito por não ser seguro que iria obter um resultado particularmente melhor do anterior.

Quanto ao PS, e levando em linha de conta o número de vozes que têm aconselhado a alguma condescendência com Luís Montenegro, porque se a iniciativa de derrubar este governo partisse do PS este seria certamente penalizado por tal iniciativa. E um outro desaire eleitoral seria desastroso para Pedro Nuno Santos.

No caso do CHEGA, embora a narrativa seja de que uma nova eleição só o podia beneficiar, não estou tão seguro disso. Até porque os 48 deputados eleitos não primam, nem pela experiência, nem pela qualidade. Ou seja, com um número tão elevado André Ventura vai forçosamente ter de se desmultiplicar, para acudir às mais do que prováveis gafes que este irão cometer. As mais do que prováveis dissidências internas serão outra face da mesma moeda. O fulgurante crescimento do partido em tão pouco tempo, pode ser apelativo para o CHEGA. Será que irá arriscar? Não sei.

No caso da Iniciativa Liberal, é talvez o caso mais difícil de perceber. No entanto, não se percebe como é que poderia lucrar se tivesse de ir de novo a votos. Esperava-se um pouco mais deste partido nas últimas Legislativas, não parece que um novo escrutínio pudesse melhorar o score anterior.

Quanto aos outros partidos mais pequenos, e levando em linha de conta, o presente desaire eleitoral, são aqueles que menos teriam a aproveitar. Embora o discurso oficial seja de grande empenhamento político, a sua crescente insignificância, é no caso presente ainda mais evidente, uma vez que na aritmética parlamentar já vão contar para muito pouco.

Claro que toda esta argumentação, assenta na percepção do que se vai ouvindo e lendo, e mesmo sem que os principais protagonistas ainda se tenham pronunciado sobre esta eventualidade. Mas não me parece que a realidade esteja muito distante deste raciocínio. Já para não falar que os eleitores demonstraram que não estar dispostos de serem usado a bel-prazer de uma classe política, que pouco fez pelo cidadão eleitor, e que não tem muito apresentar no que diz respeito às suas reais condições de vida.

Vamos aguardar!

 

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